Canadá x Inglaterra: Donas da casa têm páreo duríssimo para chegar à semi do Mundial

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Canadenses e Inglesas medem forças no próximo sábado em busca de vaga nas semi-finais da Copa. Para a Inglaterra seria um feito inédito, superando as quartas de final da edição de 2011 realizada na Alemanha, para o Canadá, seria a repetição do feito alcançado em 2003 nos Estados Unidos, no qual a equipe terminou na 4ª colocação.

Canadá

Embora tenha conquistado recentemente um pan-americano (em 2011) e um bronze nas Olimpíada de Londres, o Canadá, (com uma geração veterana em curva descendente, vivendo seus ultimos momentos em competições de alto nivel) ainda é visto, ao lado da China, como uma das seleções, tecnicamente falando, menos favoritas ao título entre as 8 sobreviventes desta Copa. Embora o apoio das arquibancadas tem sido um doping psicológico importante pras atletas, é fato que a responsabilidade de sediar a competição e fazer uma grande campanha tem atrapalhado bastante a postura e atitude da equipe em campo, e isso se resulta num domínio estéril da posse de bola, no qual o time tem a bola, mas não consegue traduzir essa posse em reais oportunidades de gol.

Mesmo com diversas jogadoras experientes – boa parte do elenco tem mais de 30 anos e longo histórico dentro da seleção – o time tem se mostrado muitas vezes nervoso, afobado, sem criatividade, com uma postura extremamente cautelosa e com enormes dificuldades de construir jogadas com a bola rolando. Reflexo disso são as vitórias magras que trouxeram a equipe até essa fase do torneio (1×0 na china, seguida de dois empates, 0x0 contra a china, 1×1 com a Holanda, e o 1×0 na suíça nas oitavas). Desde a fase de grupos, as canadenses tem dependido quase que exclusivamente de jogadas de bola longa na área adversária e lampejos de sua estrela e capitã Christinne Sinclair, que mesmo com 32 anos, vem tendo de cumprir com a função dupla de buscar o jogo atrás para armar o time e ainda ter de chegar à frente para concluir as jogadas.

Se a parte ofensiva da equipe deixa a desejar, pelo menos atrás elas tem se comportado muito bem (só sofreu um gol na copa até aqui), com a linha defensiva não dando espaço às adversárias. Destaque para a zagueira Buchanan, uma das principais jogadoras canadenses no Mundial até aqui, e que vem tendo que se desdobrar para corrigir as falhas da voluntariosa e estabanada Sesselmann (que tem causado verdadeiros calafrios na torcida da casa na maioria das vezes que tenta sair com a bola nos pés.) além de um meio campo aguerrido e que cumpre à risca a tarefa de, antes de tudo, não deixar o adversário jogar.  O técnico John Herdman já testou Filigno, Leon e até colocou a meia Schmidt mais adiantada para jogar no ataque ao lado de Tancredi, mas quem melhor aproveitou a chance que teve até aqui foi Belanger, autora do gol da vitória contra a Suíça nas oitavas.

Inglaterra

O English Team feminino carrega consigo uma pecha e uma expectativa muito semelhantes à sua contraparte masculina: tem um time de respeito, capaz de bater qualquer adversário num dia bom, mas que no fim não consegue alcançar feitos realmente expressivos em grandes competições. O fato é que a Inglaterra vem com outra moral depois de eliminar a Noruega nas oitavas, principalmente pela forma como encurralou o adversário no segundo tempo, não se abalando nem diminuindo o ritmo mesmo saindo atrás do marcador.

Trata-se é uma equipe muito bem organizada e equilibrada taticamente, começando pela defesa, que tem uma ótima dupla de zaga formada por Basset e a capitã Houghton, além da excelente Lucy Bronze, incansável lateral que consegue fazer muito bem o trabalho de marcação e ainda apoiar bem o ataque. Na outra ponta, a vigorosa e bem mais defensiva Rafferty completa o conjunto marcador. O meio-campo talvez seja o melhor setor das lionessas, aliando boa marcação e saída de bola,  com destaque para Carney, cérebro da equipe, e que com habilidade, inteligência e controle de bola, faz o time girar e variar bem as jogadas. A expectativa é que o treinador Mark Sampson dê nova oportunidade a Jill Scott, que entrou no intervalo e ajudou a mudar o panorama do jogo na vitória contra as norueguesas. O ataque inglês é que vem destoando bastante do resto do time, já que nem Duggan, Kirby, White ou Aluko convenceram nas chances que tiveram até aqui. Se repetir o desempenho do segundo tempo contra as norueguesas, as inglesas tem grandes chances de fazer história e ir para a semi-final de uma Copa do Mundo pela 1ª vez em sua historia.

Prognóstico

No papel, a Inglaterra tem um time física e tecnicamente um pouco melhor do que o do Canadá, mas o fator casa com certeza motivará muito a equipe, ainda mais pelo fato de muitas jogadoras do elenco canadense provavelmente estarem disputando seu ultimo mundial com a camisa vermelha, e esses fatores extracampo com certeza ajudarão a equilibrar ainda mais o duelo deste sábado, mas é fato que a seleção anfitriã terá que jogar um futebol bem melhor do que o vem apresentando se quiser passar pelo bom e competente time inglês.



Amante do futebol bem jogado e dos esportes coletivos em geral...e contra todo o oba-oba e papo furado existente por parte da imprensa marron deste nosso Brasil varonil...