Exclusivo: ex-ginasta Josi Santos conta como acidente de Lais Souza abalou sua vida

ex-ginasta Josi Santos fala sobre as dificuldades no Esqui, suas expectativas e o abalo com o acidente de Lais Souza - Foto: Divulgação/ CBDN

O sonho de todo atleta é participar de uma Olimpíada. E para Josi Santos não foi diferente. Ela tentou com a ginástica artística, mas foi com o Esqui Aéreo que conseguiu disputar sua 1ª Olimpíada, a dos Jogos de Inverno, em Sochi (2014). Para chegar até essa conquista, a ex-ginasta teve um longo caminho até se adaptar com o novo esporte. Afinal, ela que usava maiô para competir teve que se acostumar com as luvas, calças e casacos na neve. E no meio do trajeto ainda teve o acidente com uma de suas grandes companheiras e amigas de ginástica e de Esqui Lais Souza.  

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Antes de encarar o Esqui, Josi foi ginasta por mais de 20 anos, desde os 5 anos de idade. Em 2013, foi chamada para participar da equipe brasileira de Desportos na Neve e em menos de um ano foi disputar os Jogos Olímpicos de Inverno 2014, em Rochi (Rússia). As piruetas saíram do chão e foram para o ar. Esse é o novo esporte de Josi, que mistura as acrobacias aprendidas na ginástica artística com os saltos na neve durante as competições de Esqui Aéreo. Em entrevista exclusiva para o Torcedores.com, Josi fala sobre as dificuldades passadas, suas expectativas e o abalo que teve com o acidente de Laís.

Qual a maior dificuldade que você teve quando saiu da ginástica artística para o Esqui Aéreo?
Josi:
A neve e o frio foram algumas das maiores dificuldades. Foi complicado a adaptação de um esporte que a gente tem que usar maiô para um outro que eu tenho que me encapar toda com roupa de frio. Mas, a maior dificuldade mesmo foi o medo, porque é um esporte de adrenalina muito alta. A minha primeira sensação foi desistir. Mas, depois que eu desci a rampa, fiquei mesmo de frente para o esporte, e o medo foi então, tirado de letra.

O que te fez ir para o Esqui Freestyle (Aéreo)?
Josi: Foi uma surpresa, porque eu nunca tinha ouvido falar desse esporte. O pessoal da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) contatou o Clube Pinheiros, onde eu e a Lais treinávamos ginástica artística, e nos convidaram para fazer a seletiva. Nós nos interessamos e pensamos o que tínhamos a perder. E passamos pela seletiva. Foi tudo projetado para a gente chegar lá nas Olimpíadas. Infelizmente, teve o acidente da Laís no meio do caminho, mas o que foi posto para a gente, a gente conseguiu. Superar o que é diferente.

Qual é o sentimento que você tem com esse esporte novo na sua vida?
Josi:
A gente sente a satisfação de ter cumprido o que a gente programou. O nosso esporte veio como presente para a gente e está sendo muito bom para mim porque eu estou conseguindo abrir a porta para outras pessoas também. O Esqui Freestyle Aeroils é uma oportunidade não só para atletas de ginástica artística mas de outras modalidades como trampolim acrobático e saltos ornamentais. São atletas que têm uma noção acrobática espacial muito boa e vir para esse esporte é meio caminho andado.

Você teve medo de praticar o Esqui Freestyle (Esqui Aéreo) depois do acidente de sua companheira de esportes Lais Souza?
Josi: No caso, não existiu medo no esporte que eu faço, depois do acidente da Laís. Eu faço um esporte que não tem nada a ver com o acidente que ela sofreu. Ela sofreu um acidente esquiando, totalmente fora da área de treinamento. Eu fiquei foi muito abalada. Foi um abalo emocional muito grande porque eu não consegui acreditar que a minha amiga estava naquele estado. No começo foi muito difícil para mim. Eu tinha que estar entrando em contato sempre com ela para saber como ela estava. A cada quadro que eu sabia, dava uma tristeza muito grande. Porque eu a conheço desde pequena, uma pessoa hiper e mega ativa e numa fração de segundos (que foi o tempo dela falar comigo e acontecer o acidente) colocou a vida de uma pessoa totalmente imóvel. É chocante. Você fica com aquilo na cabeça.

Quais são os próximos passos na CBDN?
Josi: A CBDN é ainda uma confederação pequena comparada a confederação de ginástica artística. Mas, estamos conseguindo alcançar outros apoios. Estamos trazendo gente nova para dar continuidade ao que a gente começou. Com a nova equipe vindo, os novos atletas vão aprender a esquiar no Chile, depois vamos fazer um camping em Park City, onde aprendemos algumas manobras mais difíceis como descer a rampa e fazer algumas acrobacias mas caindo na piscina antes de cair na neve. Depois voltamos para o Brasil, fazemos um treino em São Roque e depois, vamos para Ruka onde eles terão o primeiro contato com a neve junto com as acrobacias.

Foto: Divulgação/ CBDN



Jornalista pós-graduada em jornalismo esportivo e apaixonada pelo basquete desde os 11 anos de idade, independente do campeonato e da nacionalidade.