Flávio Caça-Rato comemora aniversário mas continua sem clube; veja a trajetória do jogador

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A figura do futebol brasileiro completa 29 anos nesta segunda-feira: Flávio Caça-Rato. Querido pela torcida do Santa Cruz, jogador defendeu o Remo em 2015, mas acabou rescindindo com o clube três meses depois de ser recepcionado como ídolo na chegada ao clube paraense.

Flávio Augusto do Nascimento, é, além de uma figura folclórica do futebol brasileiro, um guerreiro que superou as dificuldades que a vida lhe impôs. Quando tinha oito anos de idade, o seu próprio pai, quase lhe tirou a vida. O pai era alcoólatra. A mãe, ele e os irmãos sofriam com os ataques de fúria dentro de casa.

Um dia seu pai espancou sua irmã Fabiana, Flávio reagiu e foi defender a sua irmã. O pai foi até o quarto, pegou um lençol, passou no pescoço de Flávio, e tentou enforcar o menino. Se não fosse o tio de Caça Rato para chegar e evitar a tragédia, o mito não estaria hoje completando 29 anos.

Em 2010, Caça Rato passou por um segundo susto. Após uma confusão em uma festa em uma periferia do Recife, Caça Rato foi baleado com dois tiros. O primeiro tiro pegou na perna. O segundo atingiu as costas, próximo ao pescoço. Se a bala tivesse ido três centímetros acima, hoje ele estaria tetraplégico. Um pouco mais para cima, Caça Rato teria morrido. Os ferimentos o deixaram cerca de dois meses no hospital. Com dificuldades até para falar. Mas o guerreiro Caça, mais uma vez superou e “nasceu outra vez”.

Três anos depois do susto, Caça Rato viveu o seu melhor ano como jogador de futebol. Era o ano para ele. Fez gol na final do campeonato pernambucano, onde o Santa se sagrava campeão contra o rival Sport. Fez o gol do acesso contra o Betim, e colocava o Santa Cruz na série B. Se não bastasse, faria o gol do título na final da série C daquele ano. O Santa Cruz chegava a série B como campeão, e Caça Rato encerrava 2013 de maneira brilhante.

Em 2014 não foi um bom ano, nem para Caça Rato, nem para o Santa Cruz. Não conquistou títulos, e o Santa fez uma campanha razoável no brasileirão série B. No dia 18/12/14, Caça teve seu contrato rescindido pela diretoria e não fazia mais partes dos planos do Santa Cruz para 2015.

No dia 7 de janeiro desse ano, a torcida do Remo foi em peso ao aeroporto receber o jogador, a grande contratação do clube para a temporada. Mas Caça não certo. Três meses depois, com salários atrasados, o jogador deixou o clube. Ironia do destino, meses depois o Remo conquistaria o campeonato paraense, e o vice campeonato na copa Verde.
Desde que ficou sem clube, o jogador procura emprego. O atacante quer R$ 40 mil/mês pra voltar a jogar futebol, “Se alguém quiser me contratar entre em contato comigo”.

Mesmo desempregado, Caça Rato não é esquecido. É uma figura do nosso futebol. Precisamos de mais jogadores como ele.
O futebol está cada vez mais chato, e Caça Rato é uma pessoa que foge do padrão. Sempre com entrevistas extrovertidas, sempre esbanjando alegria, simpatia e ousadia, é o retrato do povo brasileiro. Que venceu muitas batalhas e dificuldades na vida, sem nunca deixar se abater, sempre mantendo o sorriso no rosto.

Foto: Reprodução/Instagram



Estudante de jornalismo na Universidade Federal da Paraíba, natural de Vicência-PE