Fleitas Solich: “Feiticeiro” que tirou o Flamengo da fila e garimpou um ídolo

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No dia 31 de janeiro, anualmente o Flamengo faz uma homenagem ao “Dia do Mágico” fazendo referência a ele, “El Brujo”. O paraguaio Manuel Agustín Fleitas Solich, ou simplesmente Fleitas Solich, foi responsável por instaurar uma revolução no futebol brasileiro em plena década de 1950, por isso o apelido “Feiticeiro”. Três anos após o trauma do Maracanazzo, o treinador, que venceu o Sul-Americano por seu país em final sobre o Brasil, foi fisgado pelos cartolas rubro-negros impressionados com a aplicação tática e o caráter coletivo que ele impôs na sua seleção guarani.

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O Flamengo já vinha de nove anos sem títulos e queria uma mentalidade diferente nos gramados. Fleitas Solich teve autonomia para mudar o que quisesse no elenco flamenguista. Tecnicamente não fez nada, pois achava os jogadores muito bons. A revolução veio na tática. O paraguaio lia esquemas só de ver treinos e, no jogo, era capaz de modificar o panorama do jogo simplesmente mudando a função de seus comandados à beira do campo. O que hoje é impensável, há 60 anos virava uma estratégia aos olhos de Fleitas.

Mudança no esquema tático
Numa época em que se valorizava o individualismo e os dribles, Fleitas pregou compactação dos setores ao mesmo tempo que avançava a marcação de forma a pressionar a bola dos adversários. Na armação, os jogadores trocavam no máximo dois passes e se movimentavam intensamente. Logo aquele esquema ofensivo, do jogo para frente, o 4-2-4 que não dava respiro ao oponente renderia muito sucesso na Gávea.

Primeiro veio o bicampeonato do Carioca em 1953 e 1954, em que Fleitas Solich fazia um revezamento no ataque com Zagallo, Evaristo de Macedo, Paulinho, Henrique, Dida e Babá conforme as necessidades. Na temporada seguinte, o paraguaio surpreendeu torcida e diretoria ao sacar o artilheiro Paulinho para a entrada do jovem Dida na final contra o América. De alteração arriscada, o garoto se transformou no herói ao marcar os quatro gols na vitória por 4 a 1 para erguer a terceira taça seguida no Rio.

Herança para o Brasil
O esquema adotado no Flamengo foi usado pela seleção brasileira na Copa de 1958, quando foi campeã na Suécia após golear a dona da casa por 5 a 2. Seu pupilo Zagallo marcou um dos cinco gols. Na sequência, Fleitas chegou a treinar o Real Madrid de Di Stéfano e Puszkas, bancado pelo presidente Santiago Bernabéu. O paraguaio ficou à frente dos merengues até 1961 e retornou ao futebol brasileiro, novamente à frente do Flamengo, onde conquistou o Rio-São Paulo daquele ano.

Também acumulou trabalhos por Corinthians, Fluminense, Palmeiras, o Atlético-MG e Bahia, e encerrou sua carreira exatamente no Flamengo em 1971 com 300 vitórias em 504 jogos, num aproveitamento de 69%. Apesar de ter ficado poucos jogos, Fleitas teve tempo de lançar no time principal um garoto franzino que era promessa na base e o encantou após duas apresentações: ninguém menos que Zico. Assim, o legado do Feiticeiro estava completo, isso sem contar por ajudar a revelar também Gérson, o Canhotinha de Ouro, e o volante Carlinhos Violino, entre tantos talentos que passaram pela Gávea.

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Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.