Opinião: a reação ao casamento gay comprova que o futebol é um poço entupido de preconceito

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Foto: Reprodução/Facebook

Esse artigo, provavelmente, é o mais polêmico que já escrevi, no entanto, o assunto merece destaque, debate e, principalmente, reflexão.

No último dia 26, sexta-feira, em uma decisão histórica, foi aprovada, nos Estados Unidos, a lei que aprova o casamento gay em todo o país. Não demorou muito e o assunto explodiu nas redes sociais.

O Facebook, sabiamente, “logo criou” a página Celebrate Pride (Celebre o Orgulho) dando a oportunidade a qualquer usuário da rede social a colorir sua foto do perfil manifestando seu apoio ao movimento LGBT e à sua histórica conquista.

Como sempre que “explode” algo na internet, os perfis de pessoas famosas e de marcas “espertas” se apropriaram do acontecimento e passaram a criar algum tipo de conteúdo relacionado a ele. Desde uma postagem ou, como na maioria nesse caso, trocar o avatar.

Exemplos não faltaram…

A grande maioria das marcas que se manifestou a favor, nas redes sociais, teve um buzz positivo. No caso do Yahoo, por exemplo, veja o que ocorreu após a troca do avatar e como a empresa se posicionou:

 

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Após colorir seu avatar, um usuário comentou: “deletando minha conta Yahoo”. A marca não se intimidou e respondeu: “Olá! É uma pena ver você ir, mas aqui estão as instruções de como deletar sua conta: link”.

 

Mas aí eu te pergunto…

E o mundo do futebol e o casamento gay?

Ficou calado. Caladinho!

Nenhum grande clube daqui ou de fora, nenhum atleta renomado ou midiático, pelo menos, trocou seu avatar.

Cadê o “más que un club” do Barcelona? Ou já se esqueceram que 44% dos acessos ao site do clube são oriundos do idioma inglês? Ou que possuem mais de 10 milhões de torcedores nos Estados Unidos? (Fonte: FC Barcelona. Inclusa no livro: “A bola não entra por acaso“).

Nem mesmo os clubes mais irreverentes e bem sucedidos dentro das redes sociais esboçaram ou se atreveram a se manifestar sobre o assunto.

Falta de senso de oportunidade? Falta de posicionamento? Nenhum dos dois!

Sabe o nome disso?

Preconceito!

Dos clubes e jogadores? Um pouco. Afinal, trabalhamos com marketing e sabemos que determinados assuntos não vão de acordo com nosso público-alvo. Por isso o problema é ainda mais profundo.

Do futebol? Completamente.

Trocar ou não trocar o avatar é o de menos. Mas a aprovação da lei que permite o casamento gay em todo o território americano é um marco que gerou buzz dentro das redes sociais e uma ótima oportunidade que poderia ser o início (minúsculo) na luta contra o preconceito. E nada foi feito.

Apesar de ser um dos esportes mais sociais e com mais poder de agregar, o futebol ainda é muito, muito preconceituoso.

O número de jogadores homossexuais é considerável. E a grande maioria deles não tem coragem de assumir. Não por não quererem assumir, mas, principalmente, por saberem o que sofrerão dentro dos vestiários, em campo e com as torcidas (adversárias e/ou não).

Não à toa, vira e mexe ouvimos cantos homofóbicos vindo das arquibancadas. E não só aqui no Brasil. É comum acompanharmos jogos em que a torcida “insulta” a torcida adversária, o jogador ou o juiz por palavras como gay, viado…

O caso mais comum ocorre entre corinthianos e são paulinos, com o conhecido apelido de bambis. Também ocorre bastante em jogos fora do Rio Grande do Sul contra os times de lá. Como se o fato de ser gaúcho ou não definisse escolha sexual de cada um.

A verdade, quer dizer, a infeliz verdade, é que você pode até não ver, mas o futebol é um poço entupido de preconceito.

Foto: Reprodução/Facebook



Presidente e criador do Marketing FC. Diante de duas paixões: futebol e publicidade, resolvi me especializar em marketing esportivo e essa é a principal razão pela qual criei meu próprio site.