Opinião: Confira seis calouros selecionados no Draft da NBA que vale a pena ficar de olho

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A temporada 2014/15 da NBA já ficou para trás. Duas semanas após o título do Golden State Warriors, as equipes já se movimentam pensando no próximo certame. Na última quinta-feira (25), as equipes selecionaram calouros via Draft, e as negociações para reforçar o plantel já começaram. Na próxima semana, têm início as Ligas de Verão, primeira chance de observar os novos jogadores – e de assinar com aqueles que não foram escolhidos. O Torcedores traz uma lista com seis nomes draftados para a próxima temporada que estarão no centro das atenções para a mídia e os torcedores das franquias pela qual vestirão a camisa.

Karl-Anthony Towns (Minnesota Timberwolves)

Ser a primeira escolha do Draft da NBA já traz a certeza de que o calouro nomeado será o centro das atenções. Com Towns não será diferente. Escolhido pelos Timberwolves de cara, o pivô da universidade de Kentucky é visto como peça chave no processo de reconstrução da franquia de Minneapolis, que teve a pior campanha na última temporada regular.

Para isso, ele terá a companhia de outras duas primeiras escolhas, Anthony Bennet e Andrew Wiggins – selecionados pelo Cleveland Cavaliers e envolvidos na troca por Kevin Love. Se Bennet deixou a desejar, Wiggins mostrou potencial e pode trazer bons frutos para o Minnesota na próxima temporada, combinando seu arsenal com o de Towns. Bom para os Wolves e para o novo pivô da franquia, que estará bem acompanhado na missão de reerguer o time – e, por que não, ficar com o prêmio de calouro do ano.

Karl-Anthony Towns tem características que o condicionam a ser um dos grandes centers da NBA. Seu desempenho na defesa impressiona, tanto na mobilidade para conter os adversários como na capacidade de apanhar rebotes. Ofensivamente, o jogador de apenas 19 anos mostra bom aproveitamento nos chutes de média e longa distância, deixando a desejar apenas nas jogadas de costas para a cesta (grande diferencial apontado nas comparações com Jahlil Okafor). Para evoluir ainda mais e mostrar que foi a escolha certa, Towns terá como mentor Kevin Garnett, quinta escolha dos Wolves no Draft de 1995 e que teve nove temporadas pela franquia com mais de 20 pontos de média.

Médias NCAA 2014/15: 21.1min, 10.3pts, 6.7 reb, 2.3blk. Líder de Kentucky em rebotes apanhados, 261, e tocos, com 88. Seu aproveitamento na linha do lance livre (81.3%) também merece destaque.

Kristaps Porzingis (New York Knicks)

A vida do letão Kristaps Porzingis em Nova York tem tudo para não ser fácil. Ao ser anunciado como a quarta escolha do draft pelos Knicks, o antigo ala-pivô do Sevilla (ESP) foi “premiado” com uma chuva de vaias vindas de sua própria torcida, no Barclays Center. Quem também demonstrou insatisfação foi o astro maior da franquia, Carmelo Anthony, que se disse frustrado com a escolha. Atacado por todos os lados, Porzingis tem, ao menos, um ponto de respeito em que se apoiar: ninguém menos que o onze vezes campeão Phil Jackson.

O “Mestre Zen” tem a convicção de que seu novo jogador é um projeto a ser lapidado, e que pode brilhar no futuro. O potencial atlético permite boa mobilidade ao letão de 2,16m, que apresente ainda bom arremesso de longa distância. A lista de fundamentos a serem desenvolvidos, porém, pode sugerir que a escolha foi prematura. A agressividade, o trabalho defensivo e o jogo de costas para a cesta certamente precisarão ser melhor trabalhados. Isso sem falar no ganho de força, vital para que KP entre na disputa com os grandalhões dentro do garrafão.

A grande preocupação é se Porzingis poderá contribuir imediatamente para uma franquia que necessite de resultado imediato. Alguns General Managers se convenceram do potencial do jovem jogador. Resta saber se a torcida nova-iorquina terá paciência para confirmar a condição de estrela do calouro.

Médias Liga ACB 2014/2015: 10.7pts, 4.8reb e 21.7min. FG 47.1%, FT 77.4%. 

D’Angelo Russell (Los Angeles Lakers)

Outro jogador que tem a missão de apresentar resultado imediato para uma torcida exigente é o armador D’Angelo Russell. Ele foi o escolhido pelo Los Angeles Lakers que, após dois campeonatos ruins, pretende construir uma equipe forte para aquela que pode ser a temporada derradeira de Kobe Bryant na NBA.

Dizer que Russell era unanimidade é exagero, visto que a franquia necessita reforçar o garrafão. Porém, com bons nomes disponíveis no mercado de agentes livres, o atleta de 19 anos foi uma escolha acertada e pode contribuir rapidamente para o jogo da equipe. Byron Scott, head-coach dos Lakers, se mostrou impressionado com a capacidade de comandar os jogadores dentro de quadra demonstrada pelo novo camisa 1. Sua contribuição com assistências e arremessos de três pontos também são vistas como pontos fortes.

Em Los Angeles, Russel irá formar com os jovens Randle e Clarkson o pilar da renovação angelina. No início, seus minutos deverão ser divididos com o segundanista Jordan Clarkson, que teve um excelente fim de temporada. Boas movimentações no mercado serão essenciais para uma adaptação ainda melhor de D’Angelo Russel como um Laker. Fora a experiência de Kobe, nos seus últimos atos no Staples Center.

Médias NCAA 2014/15: 19.3pts, 5.7reb e aproveitamento de 41.1% nas bolas de três pontos. Vencedor do Jerry West Award.

Frank Kaminsky (Charlotte Hornets)

Finalista do Final Four da NCAA com Wisconsin, Frank Kaminsky chega à Charlotte em um momento que a equipe se remodela em busca de voos maiores. As chegadas de Nicolas Batum, Jeremy Lamb e Spencer Hawes podem colocar os Hornets em outro patamar, e o calouro tem tudo para já contribuir de imediato na função de ala-pivô.

Na posição em que joga, o atleta apresente diferenciais interessantes como um bom chute do perímetro e uma eficiente distribuição de passes. Dentro do garrafão, o trabalho com os pés é notável, assim como as jogadas de post. A presença de Al Jefferson no plantel pode contribuir ainda mais para seu jogo ofensivo e ser crucial no estilo defensivo do atleta, uma das preocupações. É notável que Kaminsky precisará, além de força, adaptar sua defensiva para conter alas rápidos.

Médias NCAA 2014/15: 18.8pts, 8.2reb e 2.6ast.

Jahlil Okafor (Philadelphia 76ers)

Cotado para ser primeira ou segunda escolha do Draft 2015, Jahlil Okafor acabou ficando para o Philadelphia 76ers, dono do terceiro pick na noite de seleção. Fato que não diminui em nada o talento do pivô, considerado um dos melhores jogadores de costas para a cesta a ingressar na liga nos últimos anos.

As habilidades ofensivas de Jahlil foram destacadas como seu grande diferencial para Karl-Anthony Towns. Um refinado repertório nas jogadas de post offense, habilidade para atacar e físico ideal para enfrentar os adversários – aos 19 anos, Okafor tem 2,08 metros e 125 quilos – fazem parte da carta de apresentação do calouro de Duke. Para se tornar completo e ser confirmado como um dos melhores, ele terá que trabalhar sua parte defensiva, bem como aprimorar seu aproveitamento na linha de lance livre.

A presença de outros dois pivôs jovens, Nerlens Noel e Joel Embiid – o último, em boas condições – pode encobrir as deficiências de Okafor. Saudável, o trio dividirá minutos em quadra dentro do garrafão. Resta saber se o restante do plantel dará suporte para que os 76ers façam uma boa temporada regular.

Médias NCAA 2014/15: 17.3pts, 8.5reb, 1.4blk, FT 51%.

 Emmanuel Mundiay (Denver Nuggets)

Mudiay é mais um talento draftado que chega com a responsabilidade de contribuir imediatamente para a recuperação de uma equipe. O Denver Nuggets, time que o selecionou na sétima escolha, caiu de uma pós-temporada em 2013/14 para o top-10 do Draft 2015.

Congolês erradicado nos Estados Unidos, Emmanuel Mudiay foi considerado um dos grandes armadores de sua geração no high school. Após receber uma bolsa de SMU para jogar na NCAA, ele declinou do acordo e foi jogar no basquete profissional da China, e agora retorna para jogar na principal liga de basquete do mundo. A aventura asiática rendeu, além de um bom contrato, uma lesão no tornozelo que coloca em dúvida sua capacidade física. Saudável, o calouro se destaca pelo porte atlético e pela facilidade que tem para pontuar.

A chegada de Mudiay levantou especulações em torno da permanência de Ty Lawson. Caso o Denver opte por se desfazer de um de seus principais atletas, deixará claro que tem plena convicção na decisão tomada na noite do draft. Resta saber se o tornozelo do armador permitirá que ele mostra a que veio na NBA.

Médias Guangdong Tigers 2014/2015: 12jogos, 18pts, 6.3reb, 5.9ast.

Foto: Reprodução/Facebook



Jornalista graduado pela Universidade Federal de Viçosa. Tem no esporte uma "paixão não correspondida", já que a habilidade trai na hora de praticar. Se jogar não é o forte, por que não falar sobre?