Opinião: Dunga perdeu a chance de ficar calado

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Em tempo que o combate à intolerância é recorrente, o técnico da seleção brasileira, Dunga, perdeu uma grande oportunidade de ficar calado. Em entrevista coletiva antes do confronto entre Brasil e Paraguai pela Copa América – o jogo acontece neste sábado (21), às 18h30 -, o treinador foi questionado sobre as pressões da geração atual da seleção em comparação com a época em que Dunga jogava.

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“Nós éramos ruins com sorte. Os outros eram bons com azar (risos). Aquela seleção tinha uma cobrança de 40 anos sem ganhar uma Copa América (time de 1989), 24 anos sem ganhar a Copa do Mundo. Tudo que fazia era de ruim. Até acho que sou afrodescendente, de tanto que apanhei e gosto de apanhar. Os caras olham e batem. Mesmo quando ganha, não vai satisfazer a todos. Mas é uma alegria, um orgulho defender o nosso país”, afirmou Dunga em entrevista.

Dunga foi infeliz na declaração ao se comparar com negro. Parece que o treinador gaúcho esqueceu de tudo que os negros passaram no país, como a escravidão, e o preconceito que ainda hoje passam. Por mais que Dunga, pessoa física, tivesse tal pensamento, o treinador da seleção brasileira não tem o direito de cometer tal erro.

“Esse jogadores têm uma pressão enorme, um pouco diferente da nossa, mas muito duras. Mas aí tem perguntas em que a gente gostaria de falar e expressar. Se uma seleção que era excepcional, era boa, não ganhou, como vai colocar pressão numa que é considerada ruim? Em 24 anos, o bom tem que ganhar”, completou.

Dunga parece guardar rancor até hoje pelas críticas recebidas pelo desempenho do Brasil na Copa do Mundo de 1990, na Itália. E se expressou de maneira errada na hora de tentar falar sobre isso.

Você deveria ficar calado, Dunga.

Crédito da foto: Getty Images



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.