Opinião: O São Paulo de hoje é qualquer coisa. Menos o São Paulo

César Greco/Ag. Palmeiras

O São Paulo Futebol Clube chegou a um nível, atualmente, que a única forma que encontro de explicar o que acredito estar acontecendo, é fazendo uma analogia com Michael Jackson. O Michael Jackson mudou tanto a sua aparência ao longo da vida e passou tanto tempo preocupado em preservar sua privacidade e aura de superstar, que no fim dela, já não dava para saber quem ele era e nem onde estava, já que vivia isolado em um rancho.

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No final da vida, Michael Jackson passava a impressão de ter sido uma pessoa até uma certa idade, quando “era” negro e outra, depois que “virou” branco. O São Paulo, sinto, está na mesma sintonia. Aquele São Paulo de alguns anos atrás, referência em administração e, consequentemente, de bons resultados, em tão pouco tempo de vida, comparado aos times mais tradicionais do país, ficou perdido em algum lugar.

O que vemos hoje é qualquer coisa, menos o São Paulo Futebol Clube. Por isso, o time ir mal em jogos importantes na temporada, em especial nos clássicos, é o que menos preocupa. O problema não são os clássicos ou jogos importantes: o problema está no que tornaram o São Paulo. E o pior, o que levou a isso: a arrogância.

Desde que o São Paulo decidiu se chamar de Soberano e a torcida se convenceu de que o caminho seria gritar “o campeão voltou” em qualquer vitória mais importante, as coisas começaram a ficar estranhas. Não por causa de algum evento sobrenatural, mas porque passou-se a crer, tanto entre os cartolas, quanto entre as arquibancadas, que qualquer coisa que o clube fizesse seria sucesso.

E aí o trabalho árduo e sério, de formar jogadores, tradição por ali, se tornou um CT de Cotia que dizem ser excelência no que faz, mas só serve para propaganda. Tornou-se apostas em jogadores medíocres e acomodados, que ganham como prêmio transações para as melhores equipes do mundo, sem merecimento. Tornou-se planos de marketing furados e que privilegiam certa “casta” de torcedores. Tornou-se atrasos de salário. Tornou-se uma coisa qualquer, como todo mundo.

Hoje o São Paulo está no mesmo balaio de seus semelhantes, daqui e do Brasil afora. Portanto, perder clássicos, seja de goleada ou não, mostrando poder de reação ou não, é o de menos, de verdade. A preocupação principal agora é reverter a situação antes de apelar para mais “analgésicos” e comprometer o resto de saúde que resiste. Torcedor nenhum quer se lembrar do seu clube do coração como uma lenda. Que fez coisas grandiosas, é verdade. Mas uma lenda.

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Foto: Divulgação / S.E. Palmeiras



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