Opinião: Que merda hein, Dunga?

Não quis acreditar ao ouvir as palavras de Dunga na coletiva de ontem quando relacionou o gosto de apanhar com o fato de ser afrodescendente. Preferi achar que alguém havia tirado seu discurso de contexto, que não era bem assim. Procurei ouvir repetidas vezes, assistir com calma, retroceder e tentar novamente. 

Não teve jeito. Foi uma bobagem e tanto. Que merda hein, Dunga?

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E quem escreve isso é alguém que admira o trabalho do capitão do tetra desde os tempos de Internacional. Foi um choque tanto quanto aquele pênalti batido contra a Itália que depois se transformou em alegria, só que dessa fez sem o mesmo final feliz.

Tantas vezes contestado e em grande parte delas injustiçado, Dunga ofereceu um prato cheio pros críticos e opositores de plantão.

Não há defesa pra o que foi dito, talvez um pedido de desculpas deixe as coisas menos agitadas logo adiante. Obviamente o técnico da seleção não quis denegrir ou ofender, mas o uso da analogia foi completamente infeliz.

Talvez muitos se tornem um pouco mais reticentes quanto ao trabalho do técnico ou o vejam como alguém menos humano. Talvez esqueçam das tantas instituições que Dunga ajuda há anos e dos trabalhos sociais que realiza sem pedir flashes ou primeiras páginas. Prefiro achar lamentável a declaração do eterno ídolo de cabelos espetados e seguir acreditando no capitão.

Um pedido de desculpas, um sincero desabafo e bola pra frente. Que merda, Dunga. Só resta abaixar a cabeça, ouvir as críticas, concordar com quase todas e seguir trabalhando. Uma péssima frase. Mas bola ao centro e vamos reiniciar a partida novamente.

 

Crédito da imagem: Divulgação Site CBF



Futebol e corneta sem esculhambar paixões.