Opinião: Sergio Romero nasceu para ser goleiro mesmo

O título desse texto parece pretensioso. De certa forma, ele é mesmo, já que eu queria que você lesse o que me dediquei tanto para produzir. Mas por outra, é uma verdade, afinal, ser goleiro não é para qualquer um. É a posição que mais sofre no futebol. A que mais tem responsabilidade e a mais criticada quando algo dá errado. Se o time sofre um gol, o zagueiro pode até ter cometido uma falha grotesca: ele vai reclamar com o goleiro.

Falo isso com propriedade, porque quando eu jogava bola na infância, eu era goleiro. Era praxe: o time sofria um gol, vinham reclamar comigo. No fim das contas, você só é elogiado quando sai do campo sem ter levado um gol sequer, o que é complicado – e ingrato, principalmente.

Por essas e outras, quando um goleiro aparece muito, é destaque, são apenas por dois motivos: ou por ter levado um frangaço, ou por ter feito várias defesas importantes. Sergio Romero, da Argentina, saboreou a segunda situação na semifinal da Copa do Mundo, ano passado, quando brilhou nas disputas de pênaltis, contra a Holanda, e levou sua seleção à final.

Mas, se formos reparar, ele já tinha feito boas atuações antes. Por que será que não apareceu para ninguém? Bom, se olharmos para as chuteiras dele, poderíamos encontrar um indício para a resposta final. Indo completamente contra a maré do futebol atual, os calçados de Romero eram todos pretos, os mais discretos possíveis.

Ele era praticamente o único, não apenas na sua seleção, como na Copa inteira, a usar chuteiras pretas. É ou não é um cara solitário, que prefere a discrição? Era, ou não era, para ser goleiro?

Acho que sim. Fato comprovado quando me foi proposta fazer uma pauta sobre os patrocinadores dele, para um especial de marketing esportivo (este, que está lendo). Encontrei pouquíssimas informações sobre isso. Aliás, encontrei pouquíssimas informações sobre ele, em si: que time joga, que time jogou, que time pode jogar…

Sequer fanpage no Facebook, com conteúdo produzido especialmente sobre ele, algo comum até com os “Famosos Quem?” por aí, ele não tem. Assim fica difícil. Mas um veículo da Argentina conseguiu flagrar, usando uma lente de aumento microscópica, que ultimamente ele andou testando umas luvas da marca inglesa Sells. Este mesmo veículo “dedurou” que, antes delas, testou luvas da Nike.

Na Copa América, também é possível ver que ele deixou um pouco a discrição de lado e está usando chuteiras pretas…e amarelas fluorescentes! Do modelo Ace 15, da Adidas. E com elas, penso eu, pretende ser mais notado. Mas do jeito que é caladão, apenas quando levantar o troféu da competição. Esse nasceu para ser goleiro mesmo.

Foto: Getty Images



Tudo o que preciso é um papel e uma caneta. Apaixonado por esportes desde 1900 e bolinha: de futebol, basquete, tênis, rugby...