Opinião: Por que não somos mais o país do futebol?

Rafael Ribeiro/CBF

No filme Moneyball, Brad Pitt interpreta o papel de Billy Beane, o gerente geral do time de baseball do Oakland Athletics. Durante reunião para debater nomes de possíveis reforços para a nova temporada, Billy solta a pérola: “aqui em cima estão os times bons, aqui em baixo os times ruins. Aí vem 15 metros de merda. E então, mais abaixo, estamos nós”.

A analogia do gerente geral do time do Oakland Athletics cabe como uma luva com o atual momento do futebol brasileiro. É triste, mas é a realidade.

O futebol apresentado pela seleção brasileira na Copa América confirma o declínio iniciado há um ano, no Mundial realizado no ex-país do futebol.

As razões para o fracasso vão muito além do que Dona Lúcia tentou explicar em sua carta ou da tragicômica virose que afetou nossos jogadores na última semana.

A média de idade da Seleção Brasileira que estava no Chile era de 26,5 anos. Jovens que nasceram entre o final da década de 1980 e início da década de 1990.

É a geração que passou sua infância durante os anos em que o Brasil começou a surfar uma onda de estabilização e consequente crescimento econômico.

Não que da noite para o dia nosso país se transformou numa Noruega, mas muita coisa mudou sim.

É difícil imaginar jogadores desta seleção numa pelada de rua, daquelas em que os gols eram feitos de bloco de tijolo, dos sem-camisa contra os com-camisa. É difícil imaginar esses jogadores numa quadra de futsal, descalços, fazendo peripécias num curto espaço de quadra. É difícil imaginar estes profissionais jogando um futebol moleque.

Por outro lado, eles se enquadram muito bem no novo futebol de base do Brasil. O futebol “society”, aquele que você precisa pagar pra jogar. Aquele que precisa de chuteira especial, chuteira colorida. Aquele que tem garotos com a camisa do Barcelona e do Manchester United. Esse é o nosso novo futebol. O futebol playboy.

Ah, mas e os outros países. Será que essa “playbolização” do futebol é exclusividade nossa?

Não, claro que não. Mas quando perdemos a essência do nosso futebol, viramos um produto enlatado. O improviso, a liberdade e a irreverência do futebol de rua está dando lugar a um futebol frio, calculista e pragmático. Típico de onde se joga numa grama que não é de verdade, com grades que te cercam como um passarinho dentro de uma gaiola.

O futebol moleque está morrendo e ninguém está vendo.

Faltam programas sociais, falta gente capacitada para ensinar futebol para nossas novas gerações. Falta fazer o brasileiro voltar a jogar futebol brasileiro.

Só então voltaremos a ser a referência do futebol mundial. Enquanto isso não acontecer, a camada de merda vai ficar cada vez mais longe de ser alcançada.

Crédito da foto: Rafael Ribeiro/CBF



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