Sai que é sua, Taffarel: o bordão que retratou a muralha do Brasil nas Copas!

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Para quem nasceu no fim dos anos 1980, é impossível não vir à mente a imagem de “Taffarel, Cláudio Taffarel” no gol da seleção brasileira, assim como ainda escutamos o eco proferido pelos berros de Galvão Bueno enquanto esganava Pelé na Copa do Mundo de 1994? Realmente o gaúcho de Santa Rosa foi um jogador à frente de seu tempo, moderno e seguro entre as traves e, por isso, fez tanto sucesso no exterior e foi soberano no gol da seleção dos Mundiais de 1990 a 1998.

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As boas atuações no Internacional, ainda que não tinham rendido títulos, levaram Taffarel à Olimpíada de Seul. Um dos melhores jogadores, o goleiro levou apenas um gol em três partidas, ajudando a equipe a ir às quartas de final. Na semifinal, o gaúcho cresceu à frente dos alemães e defendeu três penalidades, uma na prorrogação e duas na disputa por pênaltis após empate de 1 a 1 no tempo normal.

Entretanto Taffarel não conseguiu trazer o tão sonhado ouro ao país diante da derrota por 2 a 1 para a União Soviética. O goleiro não desanimou e, em 1989, foi brilhante na conquista da Copa América, o primeiro título do Brasil na competição em 40 anos. E Taffarel só levou um gol em sete jogos. A fama de melhor goleiro do país trilhou o caminho para a primeira Copa do Mundo.

Na Itália, em 1990, Taffarel só levou um gol nas três primeiras partidas, só que, nas oitavas de final, a Argentina de Cannigia e Maradona eliminou os brasileiros por 1 a 0 nas oitavas de final. A nova decepção, todavia, tinha prazo de validade.

Sucesso com a amarelinha
Após passar com sufoco pelas Eliminatórias, o Brasil chegou à Copa do Mundo dos Estados Unidos pressionada por um jejum de 24 anos sem levantar o troféu. A seleção de Carlos Alberto Parreira foi caminhando devagar, sem fazer alarde, eliminando um por um. Primeiro os donos da casa nas oitavas de final, depois a Holanda graças ao gol salvador de Branco, depois a Suécia na semifinal.

A decisão contra a Itália foi, talvez, o maior momento de Taffarel. Após 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, a decisão por pênaltis definiria o campeão. Taffarel fez história ao ser o primeiro e único goleiro a defender uma cobrança em um jogo final de Copa do Mundo.

O atacante Massaro sucumbiu diante do brasileiro, e perdeu sua cobrança. Foi ali que nascia o bordão “sai que é sua Taffarel!”, gritado por Galvão. O erro de Baggio logo depois só aliviou a massa de brasileiros, que via nascer um ídolo debaixo das traves pouco tempo depois da morte trágica de Ayrton Senna na Fórmula 1.

Na sequência, o goleiro que deixou o Parma para jogar no Atlético-MG fazia sua história em Minas Gerais com títulos e mais títulos. Em 1997, Taffarel brilhou na conquista da Copa América à frente da seleção, principalmente após defender pênalti contra a Argentina na semifinal.

Na Copa do Mundo da França, já quando defendia o Galatasaray, Taffarel era um dos símbolos daquele Brasil favorito ao título, com parte da geração campeã de 94 e novos talentosos jogadores, principalmente o atacante Ronaldo, o melhor jogador do mundo na época.

Taffarel brilhou novamente, principalmente nas semifinais, em outro jogaço contra a Holanda. Após empate em 1 a 1, os times disputaram a vaga na final nos pênaltis. E Taffarel defendeu duas cobranças, a de Cocu e Ronald de Boer, e a narração de Galvão continua inesquecível. Ainda que o título não tenha vindo, o goleiro foi um dos únicos que saíram com o sentimento de dever cumprido.

Até hoje, Taffarel é o único goleiro campeão mundial da história a defender um pênalti numa final de Copa do Mundo. O gaúcho é detentor do recorde em jogos de um goleiro brasileiro na história da Copa América, foram 25 partidas em 5 edições disputadas, de 1989 a 1997. De 1989 a 1998, o arqueiro representou tão brilhantemente a amarelinha em 123 partidas e jamais foi substituído nos três Mundiais que foi convocado.

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Foto: Divulgação



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.