Saída da crise da Fórmula 1 passa pela divisão mais justa do dinheiro da categoria

É um consenso entre dirigentes da Fórmula 1: a categoria precisa de mudanças para voltar a atrair a atenção do público. Corridas em circuitos distantes de onde estão os fãs, alterações que diminuíram a competitividade das equipes menores e o surgimento de campeonatos que vem crescendo em importância tem deixado aquele que é considerado o principal campeonato do esporte a motor mundial aquém das expectativas de seus admiradores.

Antes de qualquer mudança técnica no regulamento, é necessário que a direção comercial da Fórmula 1 (leia-se: Bernie Ecclestone) melhore a divisão do dinheiro entre as equipes. É impossível, atualmente, para uma equipe-cliente enfrentar com um mínimo de condições times melhor estruturados e ligados as montadoras, como a Mercedes e a Ferrari.

Além de permitir que as equipes menores possam sobreviver com mais facilidade, uma divisão mais justa no dinheiro da categoria poderia, futuramente, atrair novas equipes ao grid, dando oportunidades para mais pilotos mostrarem seu trabalho na categoria. No longo prazo, seria possível um aumento do grid, que atualmente conta com 20 carros, contando com as duas Manor Marussias, que são mais lentas em relação aos GP2.

A Fórmula 1 também precisa correr onde estão seus fãs. A atual temporada não corre na França – país do qual Ecclestone declarou não haver nenhum autódromo capaz de receber a categoria – e na Alemanha, após a desistência de Nurburgring. É possível ainda que o Grande Prêmio da Itália, realizado no tradicionalíssimo circuito de Monza, deixe o calendário nos próximos anos. Todos estes países são berços da categoria máxima.

Sem nada disso, é possível que as categorias como o FIA WEC ou a Fórmula E, que são muito bem organizadas e tem mostrado boas corridas, tomem da Fórmula 1 o posto de principal categoria do esporte a motor mundial.



Jornalista com passagens pelas revistas Racing e House Mag.