Técnica que treinou 32 anos o Santo André lamenta: “Falta estrutura de trabalho na seleção”

Crédito da foto: Divulgação/LBF

A ex-técnica Lais Elena, que virou ícone do basquete brasileiro, ao ficar 32 anos treinando o mesmo time (totalizando 51 como jogadora e treinadora), o Santo André, já recusou no meio do caminho convites à seleção brasileira feminina por conta do amor à cidade do ABC Paulista, e talvez por não enxergar muita perspectiva na estrutura da modalidade no Brasil. Atualmente, vê o esporte em um caminho não muito otimista para a Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

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Em entrevista ao programa Lente Esportiva Entrevista, do canal por assinatura NET Cidade, na quinta-feira (25), ela foi questionada sobre técnicos estrangeiros, se eles poderiam dar um salto no basquete nacional. “No basquete, não há a necessidade (de trazer estrangeiros). Temos alguns técnicos por aqui bastante competentes para fazer um bom trabalho. No basquete, o que está faltando é um pouco mais de estrutura de trabalho na seleção para que realmente as jogadoras possam desenvolver tudo em um treinamento”, lamentou, elogiando na sequência o trabalho de Luiz Zanon à frente da seleção.

Ainda no assunto infraestrutura, Lais criticou fortemente a preparação brasileira para o Mundial Sub-19, que será disputado em julho, na Rússia. “Sabe quantos dias a seleção vai treinar para disputar essa competição? Oito. Isso é um absurdo, essa é a estrutura. Como uma seleção pode treinar em oito dias?”, disparou ela, que não concorda como o modo a base vem sendo tratada para disputas de alto nível. O tempo considerado ideal para uma seleção com maiores condições se preparar é de um mês, em média.

O dinamarquês Morten Soubak, que levou o handebol feminino do Brasil ao título mundial no fim de 2013, é um exemplo de técnico estrangeiro que funcionou. “A gente não pode esquecer que o Brasil é o único país da América do Sul que pratica o handebol de alto nível. Ele trouxe a experiência dele da Europa, onde o handebol é mais desenvolvido, então normalmente ele vai ter mais conhecimento. Ele trouxe isso e conseguiu incorporar aqui”, explicou.

Lais também projetou o futuro do país na modalidade. “A seleção brasileira está em um momento de transição. As jogadoras mais experientes estão muito veteranas, e as jogadoras mais jovens, são muito jovens”, disse a ex-comandante, de 72 anos, sobre o atual cenário em terras brasileiras. “Por isso não vejo uma grande campanha na Olimpíada”, complementou, sem dizer em que posição a seleção poderá alcançar no próximo ano.

Crédito da foto: Divulgação/LBF

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Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade. Foi repórter colaborador e hoje é líder da comunidade de colaboradores juniores, plenos e seniores no site Torcedores.com.