Zico questiona Dunga e Gilmar Rinaldi nas convocações: “Seleção não é balcão de negócios”

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Durante polêmica entrevista coletiva na última sexta-feira, o técnico Dunga ironizou bons jogadores brasileiros que não conseguiram levantar o troféu da Copa do Mundo. Zico, que passou em branco nas edições de 78, 82 e 86, foi um dos possíveis alvos. O ex-camisa 10 do Flamengo e da seleção brasileira não digeriu bem as palavras do atual comandante, questionou os critérios de Dunga nas convocações e não poupou nem Gilmar Rinaldi, coordenador-geral de seleções da CBF.

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“Não faço comparação, justamente porque cada época é uma época. Perdi Copas, mas com jogadores que mereciam estar na seleção brasileira. Para estar numa seleção, é preciso ter títulos, números significativos, prêmios individuais, nem que seja de melhor jogador do bairro. Hoje é muito fácil ir para a seleção. Qualquer um vai. O cara faz três bons jogos, se torna conhecido, é vendido a peso de ouro. Temos que estar atentos a isso. Seleção não é um balcão de negócios. Mas temos lá um empresário do futebol (Gilmar) comandando… Ou ele já não é mais empresário? Quando saiu do Flamengo, ele levou os três melhores: Adriano, Juan e Reinaldo. Então, vamos ver se quando sair da seleção, ele vai voltar a ser empresário?”, alfinetou Zico, em entrevista ao blog “Extracampo”, da jornalista Marluci Martins.

Para o ex-meia, Dunga tentou desviar o foco para as gerações passadas e assim encobrir os maus resultados da seleção em competições oficiais.

“Ficar falando de passado não dá. Tem que ver o que fazer para melhorar. Não adianta ficar atacando os outros. Se bem que não me sinto atacado porque sou vitorioso na minha carreira. Antes da Copa América, estavam falando que o Brasil ganhou não sei quantos amistosos. Amistoso não serve para nada. Tentaram recuperar a credibilidade em cima de números de amistosos, quando nos últimos seis jogos oficiais a seleção perdeu três, venceu dois e empatou um. Isso é que vale”, afirmou.

Zico, que recentemente manifestou o desejo em se candidatar à presidência da Fifa, não enxergou mudanças no futebol brasileiro após o vexame contra a Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo de 2014.

“Continua a mesma coisa”, encerrou.

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Rafael Alaby é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), com passagens pela Chefia de Reportagem de Esportes, da TV Bandeirantes, em São Paulo e site KiGOL. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU)