Ayrton Senna: O maior piloto de todos os tempos

Ayrton Senna da Silva, brasileiro, conhecido mundialmente e com um legado substancial. Considerado por muitos fãs, especialistas do esporte e pesquisas como o maior piloto que o automobilismo já teve.

Ayrton Senna foi tricampeão mundial de Fórmula 1, com 41 vitórias, 80 pódios e 65 pole positions. Neste último quesito, fica atrás apenas de Michael Schumacher com 3 a menos, porém, com quase metade dos GPs disputados. Quanto aos títulos, sua morte precoce interrompeu uma brilhante carreira que poderia ter tido vários outros.

Senna foi um gênio do esporte, daqueles que nunca são igualados. E não me refiro a estatísticas, porque não é nelas que se baseia a emoção. O que também não tira o peso de seus números, que são fantásticos, considerando o período de tempo pelo qual correu. Mas, além disso, a paixão que tinha por correr e por vencer, a disciplina e a determinação de se esforçar até às últimas consequências por aquilo que amava – é aí que está sua força. Milhões de pessoas ao redor do mundo compartilham de tal sentimento, mesmo 21 anos após sua morte.

O legado de Ayrton é gigantesco e ultrapassou até mesmo as barreiras da Fórmula 1, pois mesmo entre pessoas que não são fãs de automobilismo, podemos encontrar fãs de Senna. Entre vários pilotos, Ayrton também é um consenso: de grandes do passado, temos declarações de que ele foi o melhor e, de grandes da atualidade, temos admiração, respeito e inspiração.

Ayrton também tinha seus defeitos, como qualquer ser humano e é equivocado pensar que seus fãs o consideram perfeito. Se por um lado a relação dele com a imprensa no Brasil era ótima, no exterior isso não era bem verdade. Jackie Stewart, renomado tri campeão, fez questão de ressaltar como a agressividade de Senna era perigosa na pista ao entrevistá-lo, como se este fosse um lunático. A resposta de Senna entrou para a história: “(…) Nós estamos competindo, competindo para vencer. (…) Se você deixa de brigar pelo espaço, você não é mais um piloto de corridas”.

Se Jackie não aprovava a agressividade de Senna, outra lenda o reverenciava: ninguém menos que o também tri campeão Niki Lauda. O mítico piloto que sobreviveu às chamas declarou sobre Senna: “ele foi o melhor que já existiu”. Em 1992, outro episódio entre Lauda e o tri campeão brasileiro ocorreu, mas menos conhecido: ele teria sido enviado pela Ferrari para persuadir Senna a assinar com a Scuderia em ’93 – o que acabou não acontecendo.

Outra possível contratação que acabou nunca se realizando, foi quando um outro tri campeão estava estudando montar sua própria equipe de Formula 1. A equipe nunca saiu do papel, é verdade, mas esse fato tem relevância pelo fato de o tal tri campeão ser outro brasileiro chamado Nelson Piquet. Ao ser questionado pela dupla de pilotos que montaria, Nelsão respondeu “um deles tem que ser o Senna”. Piquet não negava que nunca tivera boa relação com Ayrton, contudo, pragmático como era, deu essa resposta, em um raríssimo atestado de respeito.

Quando criança, lembro-me que meu pai ligava a TV aos domingos para ver as corridas e eu, sentava no chão da sala e ficava olhando para a tela, impressionada com tudo aquilo que eu não entendia direito, mas sabendo que, um dia, eu passaria a entender. Os principais motivos pelo meu encantamento pela Fórmula 1 eram aqueles carros, aquelas disputas e, principalmente, Ayrton Senna. Eu gostava de vê-lo correr e, quando vencia, era uma alegria imensa lá em casa.

Dizem que memórias fortes, importantes ou impactantes são as que guardamos melhor e, de fato, eu me lembro muito bem do dia 01 de maio de 1994 (assim como muita gente também se lembra). A morte do Ayrton me marcou muito, e fiquei tão triste que simplesmente parei de assistir às corridas. E não era tanto por patriotismo quanto por lembrar que, meu ídolo Ayrton Senna não estava mais lá. Aos poucos, voltei a assistir à Fórmula 1, de maneira esporádica em 2006 e 2007, passando a acompanhar absolutamente tudo em 2008. Caminho sem volta, pois me reapaixonei pelo esporte e, hoje, ele é parte da minha vida. E foi através de Senna, que tudo começou, que eu passei a me interessar por um esporte visto como “masculino” (apesar de essa visão já ter mudado bastante nos últimos anos) e aprendi muito sobre valores importantes como garra e determinação.

Se ele foi o maior, isso depende do ângulo pelo qual se olha e das preferências que se tem. Embora seus número tenham sido batidos, assim como nos caso de Graham Hill e Gilles Villeneuve, seu legado vai além de estatísticas. Seus feitos foram absolutamente impressionantes, sua determinação gigantesca, seu estilo inconfundível, sua busca incansável e sua paixão sem igual e isso tudo faz com que, para mim, ele seja sim, o melhor e maior piloto de todos os tempos.

Imagem: Divulgação



Autora do blog sobre automobilismo Racing Journal: https://racingjournal.wordpress.com/