Brabham BT 49, um carro nascido para ser campeão

Hector Rebaque of Mexico drives the #6 Parmalat Racing TeamBrabham BT49C Ford Cosworth DFV 3.0 V8 during the United States Grand Prix West on 15th March 1981 at the Long Beach street circuit in Long Beach, California, United States. (Photo by Don Morley/Getty Images)

O Brabham BT49 foi um projeto que nasceu para substituir o problemático BT48 que conseguiu poucos resultados. O carro conseguiu reerguer um time e fazer um brasileiro ser campeão mundial.

LEIA MAIS
Renault de Alonso me marcou por visual e títulos na F1

Falar de carros inesquecíveis na Fórmula 1 é fácil. Eu, por exemplo, acompanho a categoria há muito tempo e poderia escolher um monte deles, mas tem um monoposto que toca mais fundo no meu coração, pois a bordo dele comecei a acompanhar a categoria e ainda vi o primeiro título mundial de Nelson Piquet. Estou falando do Brabham BT49, que começou sua jornada nas competições em 1979 e competiu regularmente até 1982.

O começo

O time na temporada de 1979 tinha nos carros BT48, numerais 5 e 6 uma dupla de pilotos que hoje em dia seria considerada forte, mas que na época mostrava um certo desequilíbrio, se pensarmos no começo daquele campeonato. Niki Lauda e Nelson Piquet. Um era bicampeão mundial e o outro estava começando a trilhar seu caminho na categoria. Acontece que o brasileiro, apesar de não ter somado tantos pontos ao longo do ano, deu canseira no austríaco.

No entanto, o pouco competitivo motor Alfa-Romeo deixou os dois muitas vezes na mão tanto que ao longo daquele certame, a dupla somou apenas sete pontos (4 com Lauda e 3 com Piquet). Para “piorar”, a marca italiana decidiu em comum acordo com Bernie Ecclestone romper a parceria iniciada em 1976 e seguir seu caminho como time próprio, tanto que já tinha alinhado um carro em algumas corridas no fim daquele ano. Além disso, ao chegar em Montreal, Lauda comunicou à Bernie que ia pendurar o capacete por ter perdido a vontade de correr.

Um projeto de férias

Sempre se diz que no meio de tanta coisa ruim, há que se enxergar o lado bom e para esta prova, a Brabham levou ao Canadá um carro novo, desenhado por Gordon Murray e que já contava com o motor Ford-Cosworth, padrão de quase todas as equipes naquela época.

O modelo BT49 foi, segundo o projetista sul-africano, desenhado e construído como se fosse “tirar férias”. O moncoque de alumínio, tinha as laterais baixas e usava muito bem o efeito solo. E de cara, ele já se mostrou um salto de qualidade. Embora não pontuasse nas provas finais de 79, levou Nelson Piquet a melhores posições de largada e inclusive, dividiu a primeira fila com Alan Jones (Williams) na corrida de encerramento do campeonato. O GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen.

Primeiras vitórias

Com os testes visando o ano de 1980, o carro começou a mostrar seu potencial e conseguiu de cara, um segundo lugar na Argentina. A volta da Brabham às vitórias não demorou muito. Um final de semana perfeito em Long Beach deu a Nelson Piquet sua primeira pole e triunfo na F1. No mesmo ano, ele conseguiria mais duas vitórias, na Holanda e na Itália e ainda faria mais uma pole, no Canadá, mas não conseguiu impedir a conquista de Alan Jones. No entanto, o status da Brabham tinha mudado da água para o vinho. De time de desempenho sofrível em 79 para candidata a vitórias e títulos em 80.

Para 1981, a aposta do time era a manutenção do modelo em uma terceira versão que apostava numa suspensão hidropneumática como alternativa à proibição do uso de saias móveis no carro. O funcionamento dela se dava da seguinte forma, o carro quando em competição andava abaixo do limite regulamentar de 6cm em relação ao solo, mas quando parado, um botão era acionado e recolocava o veículo na medida regulamentar.

O primeiro título

Com esse carro, o time venceu três corridas (Argentina, San Marino e Alemanha) e chegou à prova final daquele ano, em Las Vegas um ponto atrás do então líder daquele ano, Carlos Reutemann (Williams) e bastaria ao brasileiro chegar na frente do argentino para ficar com a taça, por conta do maior número de vitórias dele no ano. Jacques Lafitte (Ligier) que tinha 43, era o terceiro e mais distante candidato.

Um circuito foi montado na garagem do Hotel Caesar Palace e Na classificação, Reutemann era o pole e Piquet sairia em quarto. Nesta configuração, o argentino ficaria com a taça, mas aquela tarde de sábado, 17 de outubro de 1981 não seria das mais felizes ao portenho.

Na largada, Jones (que faria sua última prova na F1 até pelo menos, 1985) pulou na ponta e não desgrudou mais da primeira posição nas demais 75 voltas. O carro do argentino não tinha um bom desempenho e ainda foi ultrapassado por Piquet. O brasileiro só teve que levar sua Brabham ao quinto lugar final e com isso ficar com o título pela diferença de um ponto (50 a 49).

O carro ainda fez algumas provas em 1982, quando o time tinha um carro com Piquet, o modelo BT50 já com o motor BMW turbo e a versão D do BT49, que ainda conseguiu uma última vitória com o italiano Riccardo Patrese, no maluco GP de Mônaco. O BT49 fez sua última corrida em Montreal, no Canadá, chegando em segundo lugar, atrás apenas do BT50, de Nelson Piquet.

Carro: Brabham BT49
Projetista: Gordon Murray
Motor: Cosworth V8 de 3 Litros
Pilotos: Nelson Piquet (BRA), Ricardo Zunino(ARG), Hector Rebaque(MEX) e Riccardo Patrese(ITA)
Corridas: 36
Vitórias: 7 (Piquet 6, Patrese 1)
Poles: 6 (Piquet)
Voltas Mais Rápidas: 5 (Piquet 4, Patrese 1)
Pontos: 135 (Piquet 104, Patrese 19, Rebaque 12)
Campeão Mundial de Pilotos em 1981 (Nelson Piquet)

Foto: Getty Images