Brasil evoluiu desde Guga, mas situação está longe da ideal

ROME, ITALY - MAY 14: Thomaz Bellucci of Brazil in action during his Third Round match against Novak Djokovic of Serbia on Day Five of The Internazionali BNL d'Italia 2015 at the Foro Italico on May 14, 2015 in Rome, Italy. (Photo by Mike Hewitt/Getty Images)

Os especialistas dizem que demora em média cerca de 10 a 15 anos para que um grande ídolo “gere frutos” na sua modalidade. Guga deixou as quadras ainda em 2008 e seu legado pode estar longe do esperado pelos milhares de brasileiros, que descobriram o tênis graças ao catarinense que chegou a liderar o ranking da ATP. Mas é evidente a evolução que o país apresenta de lá para cá.

Não é fácil substituir um ídolo brasileiro, tal qual foi para Rubens Barrichelo suprir a ausência de Ayrton Senna. A dificuldade em substituir Guga pesou muito até aqui na carreira de Thomaz Bellucci (foto). De 2008 para cá, Bellucci ocupa o primeiro lugar no ranking brasileiro de tênis tendo conquistado sua melhor marca em 2010 quando esteve na 21° posição no ranking mundial. Foi campeão quatro vezes de torneios simples da ATP: Gstaad (2009 e 2012), Santiago (2010) e Genebra (2015), mas por causa dos frequentes resultados ruins de Grand Slam, não consegue entrar nas graças da torcida brasileira que subestima sua qualidade.

O ano de 2015 trouxe até agora boas notícias para o tênis brasileiro, entre eles João Olavo Souza, mais conhecido como Feijão. No início do ano pelo ATP 250 de Doha, no Catar, venceu sua primeira partida em piso duro da carreira em nível ATP contra Malek Jaziri, então 74° no ranking mundial, com parciais de 3-6, 6-4 e 6-3. Fez sua melhor campanha da carreira no ATP 250 do Brasil Open, tendo sido eliminado apenas na semifinal para o italiano Luca Vanni, com parciais de 4-6, 7-6 (7-5) e 4-6. Ele chegou também a ser o tenista número um do país, quando fez parte da equipe que foi à Argentina jogar a Copa Davis em março. Por seu estilo aguerrido e voluntarioso, muito diferente de Bellucci, chamou a atenção de muitos torcedores brasileiros que já o apontavam como futuro do tênis no país.

Mas o futuro não passará pelas mãos de um tenista de 27 anos, mas pode ser encaminhado para uma jovem promessa que também se destacou em 2015 e que já declarou não se preocupar com a pressão que todo jovem sofre em se tornar “o novo Guga”. Orlando Luz, mais conhecido como Orlandinho, têm tido marcas expressivas desde o ano passado e em abril desse ano fez história ao ser o tenista mais jovem a conseguir vencer uma partida em ATP Challenger, chegando na semifinal de Santos e nas quartas de final em São Paulo, com 17 anos, um a menos que Guga em 1994, que detinha a marca anterior.

Na categoria juvenil, chegou a liderar o ranking mundial, antes de migrar para os profissionais, fazendo história mais uma vez.

Já no Pan Americano de Toronto, Orlandinho venceu na estreia o hondurenho Alejandro Obano, de 23 anos, atualmente fora do ranking mundial dos profissionais por 2 sets a 0 com um duplo 6-1 em uma hora e quinze minutos de jogo. Mesmo tendo acabado apenas em 17° na qualificação geral do Pan-americano, Orlandinho já enche de esperanças o futuro do tênis brasileiro.

Outro fator que impulsiona o tênis brasileiro são os torneios disputados aqui, que conta com o Brasil Open, válido pelo circuito ATP Tour 250 e o Rio Open, como parte do calendário ATP Tour 500. Os torneios brasileiros existem anualmente desde 2001 e eram até 2011 disputados na Costa do Sauipe. Mas a visibilidade só tem aumentado com a participação de tenistas bem ranqueados na ATP, como o tri campeão do circuito Nicolás Almagro, Pablo Cuevas e Rafael Nadal, bicampeão em solo brasileiro, quando ainda era o melhor do mundo em 2013.

O Brasil sempre foi o país do futuro. O efeito Guga ainda pode ser alcançado e muito se tem feito para isso. O próprio atleta tem diversos projetos espalhados pelo Brasil que levam o seu nome. O tênis deixa de ser cada vez mais um esporte para quem faz parte da classe alta no país e tem chegado as classes menos favorecidas com inclusão social cada vez mais ampla. Isso significa que o alcance para novos talentos se torna maior.

Os jogos Pan-Americanos de 2007 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, impulsionam o país na mobilização para melhor qualificação no tênis profissional. O legado do Pan não atingiu excelência e após as olimpíadas, o país terá uma nova chance de se preparar para o futuro da melhor maneira possível.

O Brasil sempre teve boa matéria prima, mas que não conseguia evoluir por falta de incentivo ao esporte. Hoje o cenário tem a chance de mudar de patamar. Mesmo sem ter uma grande estrela desde Nicolas Kiefer, a Alemanha tem 4 tenistas no ranking ATP 100. Não é uma potência mundial, mas figurar mais atletas no top 100, é uma realidade que pode ser alcançada também pelos brasileiros.

Crédito da foto: Getty Images



Estudante de jornalismo da faculdade FAPCOM, não gostava de assistir futebol até os 12 anos de idade. Mas me apaixonei perdidamente após assistir (meu primeiro jogo europeu) uma partida entre Barcelona x Sevilla em 2003. Sou daqueles que acreditam que o futebol não é apenas esporte, mas acima de tudo é paixão, religião, cultura, história e arte. Apoio o 4-3-3.