Chile aposta em ritmo intenso para encurralar a Argentina e levar a Copa América

Getty Images

Neste sábado, a seleção chilena fará provavelmente o jogo mais importante de sua história no futebol desde a decisão da Copa do Mundo de 1962 contra o Brasil. Para conquistar pela primeira vez a Copa América, terá que derrubar um tabu de quase 100 anos, o de nunca ter batido a Argentina, rival no Estádio Nacional de Santiago, na história da maior competição sul-americana entre seleções, disputada desde 1916.

LEIA MAIS:
Teve “dedada” e errata da Globo; Relembre fatos “bizarros” da Copa América

Nas 24 partidas realizadas até hoje entre Chile e Argentina, a ‘Albiceleste’ venceu 19 e ainda houve cinco empates. Entretanto essa geração do futebol chileno é considerada pela maioria dos especialistas a mais promissora da história, mais até do que a era de Marcelo Salas e Iván Zamorano, nos anos 1990.

Com o comando de Jorge Sampaoli, o time chileno já deu sinais de sua força no ano passado na Copa do Mundo do Brasil, em que foi eliminada pelos anfitriões somente na decisão por pênaltis das oitavas de final. Na prorrogação, os chilenos ainda tiveram a chance no último momento com uma bola no travessão. Isso sem contar a bela campanha na primeira fase, em que despacharam a então campeã mundial Espanha.

Pode-se dizer que Sampaoli é discípulo da escola de Marcelo Bielsa. Gosta de um futebol ofensivo sem limites com um toque de bola objetivo e um ritmo incansável desde o começo das partidas. Foi assim que os anfitriões jogaram desde a primeira partida nesta Copa América, de forma agressiva um estilo clássico 4-4-2, mas controlando os espaços no meio-campo e a posse de bola.

Primeira fase
Na estreia, o Chile derrotou o Equador por 2 a 0 com gols de Arturo Vidal, o “termômetro” da equipe no meio, e do reservas Eduardo Vargas, ex-Grêmio. Na sequência, o ataque de Sampaoli funcionou muito bem, porém o goleiro Bravo não estava numa noite feliz e permitiu o empate em 3 a 3. Na rodada final, o Chile apresentou a melhor atuação até aqui ao bater a surpreendente Bolívia por 5 a 0 em mais um show de Valdivia nos passes e Alexis Sánchez finalmente desencantando.

Mata-mata
Nas quartas de final, o ataque chileno bombardeou a retranca uruguaia, porém o gol teimava em não sair. Sem Cavani, que foi expulso ao revidar provocação de Jara, a Celeste se fechou ainda mais tentando sair no contragolpe. Quando a torcida já esperava que a partida fosse decidida nos pênaltis, coube ao lateral Isla fazer o gol salvador a pouco menos de 10 minutos para o fim.

Contra o Peru de Paolo Guerrero, os chilenos puderam ter um jogador a mais desde os 19 minutos do primeiro tempo. Ainda assim, o time de Sampaoli quase se complicou no tempo normal, mas Vargas decidiu a partidas com dois gols, incluindo um “chutaço” que definiu o marcador a favor dos donos da casa.

Tática para a decisão
Para a partida desde sábado, às 17h (horário de Brasília), Sampaoli deverá manter a base da equipe na competição, com Bravo no gol, Isla e Albornóz nas laterais e a Gary Medel caberá a missão impossível de parar Lionel Messi. Na armação, Vidal e Valdivia deverão começar as jogadas de ataque para Sánchez e Vargas tentarem empurrar para o gol.

Será muito bonito ver duas seleções jogando um futebol ofensivo, e ao Chile, a intensidade desde o início deve casar com a eficiência em tomar o espaço dos meias argentinos antes de fazer a bola chegar em Messi, Aguero e Dí Maria. Vale lembrar que, antes dessa final, os chilenos acertaram mais de 90% dos passes ao longo da competição, então ter a posse de bola será ótimo para incomodar o padrão de Tatá Martinez.

Curtiu a matéria? Siga o autor no Twitter: @fontes_matheus.
Facebook: Matheus Martins Fontes.

Foto: Getty Images



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.