Daniel Alves: perseverante, paciente e merecedor de todo o respeito na seleção

Bola de Ouro
Crédito da foto: Getty Images

Daniel Alves pode dizer tudo, menos que não teve (e tem) sorte na vida. O baiano de Juazeiro, para começar, sequer poderia vislumbrar, na juventude, que poderia se tornar um dos jogadores brasileiros mais bem sucedidos no futebol mundial, principalmente o espanhol.

Muito pobre, trabalhou na roça com a sua família até a adolescência, onde plantava cebola, tomate e melão. Apenas aos 15 anos de idade é que o Daniel Alves de hoje, titular da seleção na Copa do Mundo de 2014 e na última Copa América, multicampeão pelo Barcelona, começou a se materializar.

Foi com essa idade que o menino franzino foi para o Bahia, onde começou sua carreira. Em 2001, com 18 anos, fez sua primeira partida oficial pelo Tricolor da Boa Terra e, logo de cara, passou de terceiro reserva, para titular absoluto do time. Menos de um ano depois, no início do segundo semestre de 2002, foi negociado com o Sevilla.

No time espanhol, começou a forjar o homem que se tornou e o lateral “perfeito”, digamos assim, ou seja, aquele que ataca com e defende com a mesma eficiência. Tais qualidades, aliás, o levaram a ser o titular da primeira seleção brasileira que fez parte em sua carreira: a sub-20. Em 2003, Daniel Alves e companhia levaram o país ao título do mundial da categoria, batendo a Espanha, que àquela altura, já era sua morada, na final.

O fato abriu ainda mais as portas para ele, que, confiante, passou a ter atuações ainda mais consistentes pelo Sevilla e a chamar a atenção de gigantes europeus. A seleção principal, contudo, dava chance para outros. Na Copa de 2006, Cafu foi o titular, em seu último mundial. Cicinho, que vinha voando baixo no São Paulo, foi o escolhido para a reserva. Mas Daniel soube esperar.

Após o fiasco na Alemanha, todo o comando na seleção foi reformulado e Dunga assumiu. Logo de saída, o lateral-direito foi convocado para um amistoso contra o Kuwait, em outubro de 2006. Poucos meses depois, em 2007, levantava o troféu da Copa América, ao ser titular do time que triturou a Argentina na final, por 3 a 0.

Dali para frente, ao contrário do que deveria mandar o figurino, o jogador voltou a ser reserva. Maicon, outro lateral-direito que marcou história na seleção, foi o preferido de Dunga e a toada se manteve até o fim da passagem do treinador, mesmo com Daniel Alves tendo papel importante na Copa das Confederações de 2009, torneio preparatório para a Copa do Mundo de 2010, onde o Brasil, mais uma vez, fracassou.

Foi apenas depois dessa decepção e com a chegada de Mano Menezes, que Daniel Alves recebeu a titularidade que lhe era devida há anos. Já nos primeiros amisostos preparatórios para a Copa de 2014, no Brasil, o jogador mostrou que iam pelejar para tirá-lo dos onze iniciais.

E assim foi até o fatídico 7 a 1, no Mineirão, há quase um ano atrás. Apesar do desastre naquele dia, Daniel Alves pode ser considerado um dos poucos que jogou bem na pífia campanha da equipe. Tanto é que, um ano depois, ele foi um dos poucos remanescentes no time que, de novo, falhou em uma competição oficial, na Copa América deste ano, no Chile.

Por mais que não tenha conseguido ganhar uma Copa pelo Brasil e que, dificilmente, pela fase atual pela qual passamos, vá conseguir, Daniel Alves merece um lugar de destaque nos anais da história da amarelinha e respeito integral, pelos serviços prestados.

Pode-se dizer qualquer coisa de Daniel Alves. Menos que ele não teve competência na vida.

Trajetória, em ordem cronológica

Nasceu em Juazeiro, na Bahia, em 1983;
Na infância, trabalhava na roça com sua família, plantando cebola, tomate e melão;
Foi revelado pelo Bahia, onde jogou pela primeira vez, nos profissionais, em 2001, no Brasileirão;
Já no ano seguinte, 2002, foi vendido para o Sevilla;
Em 2003, foi o titular da seleção brasileira sub-20, que ganhou da Espanha na final;
Estreou pela seleção principal em 2006, em um amistoso contra o Kuwait;
Em 2007 foi o titular do Brasil na Copa América, onde o país saiu campeão, após golear a Argentina na final;
Em 2008 foi para o Barcelona e passou a servir a seleção brasileira principal;
Em 2009 brilhou na Copa das Confederações, ao ser titular do time e marcar gols importantes, como o de falta, contra a África do Sul, na semifinal;
Em 2010 disputou sua primeira Copa do Mundo, na África do Sul. Ele, contudo, não passou da reserva. Maicon foi o titular;
Depois da Copa, quando Mano Menezes assumiu o comando técnico da seleção, Daniel Alves ganhou mais força e virou o titular, deixando Maicon para trás;
Ao longo da caminhada, porém, Mano saiu e Felipão voltou, para conduzir o país na Copa das Confederações e Copa do Mundo;
Em ambas Daniel Alves foi o titular absoluto, tendo conquistado o bicampeonato da primeira, em 2013;
Depois dos 7 a 1 aplicados pela Alemanha, a seleção mudou de comando e mais uma vez Dunga o assumiu;
Inicialmente, Daniel Alves foi preterido por Danilo, hoje no Real Madrid, e Fabinho, do Monaco;
Porém, a contusão do primeiro, durante preparação para a Copa América, abriu espaço para ele novamente e ele foi o titular do time e um dos poucos que jogaram bem na trágica participação da seleção, no Chile.

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