Diego e Robinho formaram uma dupla memorável no Santos

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Quando o saudoso Zito atuava como coordenador das categorias de base em princípios dos anos 2000, notou logo a habilidade de dois jogadores. Os dois haviam sido integrados ao quadro de juniores do Santos em 1996: Diego e Robinho.

Em 1999, com 15 anos de idade, Robinho despertou a atenção de Pelé, que declarou à época: “O Robinho é um jogador que tem uma habilidade tremenda, inteligência, raciocínio rápido…”. Mas foi Diego quem chamou a atenção primeiramente, alçando a titularidade do time que defendeu a copa São Paulo em 2002.

A campanha da primeira fase da equipe santista nesse campeonato foi impecável, três jogos e três vitórias, incluindo uma goleada de 5 a 0 sobre o Bahia e outra de 4 a 0 sobre o Paulistano. Na segunda fase, a promissora equipe caiu diante do Flamengo ao ser derrotada na cobrança de pênaltis, após empate sem gols.

Celso Roth havia observado as jovens promessas e se interessou em projetar Diego à equipe principal. Robinho que havia sido reserva de William na Copa SP e era reserva da equipe sub-20, precisou do apoio de outro ídolo da história, o Zito, coordenador das categorias de base que foi insistente quanto à integração.

Em 2002 foi disputada a última edição do Torneio Rio-SP, os chamados quatro grandes clubes paulistas não disputaram o Campeonato Paulista, cuja campeão disputaria, com os três melhores paulistas no Torneio Rio-SP, o Supercampeonato Paulista. Robinho estreou pelo Santos no Torneio Rio-SP em 24/03/2002, contra o Guarani, diante de 1.099 pagantes. Diego havia estreado em 20/01/2002, contra o América-RJ. A campanha não foi boa, o Santos amargou o meio da tabela e não participou do Campeonato Paulista.

Com foco no Campeonato Brasileiro, o técnico Emerson Leão decidiu investir nos garotos. Naquele ano o campeonato adotou a seguinte fórmula: 26 clubes jogavam em turno único e os oito melhores se classificavam para a segunda fase em jogos eliminatórios de ida e volta. Após uma campanha irregular, com 11 vitórias, seis empates e oito derrotas, o Santos foi favorecido por uma combinação de resultados tida como improvável e se classificou em último lugar na primeira fase, a oitava posição. O Cruzeiro, que seria o campeão brasileiro do ano seguinte, obteve a mesma pontuação do Santos, mas foi superado no saldo de gols.

À época, a “sorte” santista seria colocada à prova diante do São Paulo, que havia liderado a primeira fase, com 13 pontos de vantagem sobre o oitavo colocado, o Santos. O São Paulo havia sido campeão do Supercampeonato Paulista e era o franco favorito. A campanha da fase final foi inesquecível para a dupla, com show de Diego, com atuação destacada sobre o São Paulo, e Robinho, com atuação de gala sobre o Corinthians. Robinho marcou gols contra os três adversários da fase final, na vitória do Santos por 3×1 na Vila Belmiro, na vitória de 3×0 sobre o Grêmio na Vila Belmiro e na vitória sobre o Corinthians por 3×2 no Morumbi.

Esse desempenho fantástico e o título alçaram os jovens heróis santistas à disputa da Copa Libertadores da América em 2003. Goleadas diante do América de Cali (5×1) e 12 de Outubro (4×1) chamaram a atenção da América para as jovens joias santistas. O Santos chegou à final, mas sucumbiu diante do maduro Boca Jrs, com grande atuação do inspirado Delgado e destaque do jovem Tevez, com 19 anos. No Brasileiro de 2003, o Santos teve um início irregular e não conseguiu alcançar o imbatível Cruzeiro, vencedor da “tríplice coroa” naquele ano, mas a boa campanha levou a dupla novamente à disputa da Copa Libertadores. Após campanha invicta na primeira fase e passagem nos pênaltis pela LDU, o Santos foi derrotado pelo Once Caldas, nas quartas de final.

A parceria de destaque no Santos chegaria ao fim diante do Internacional de Porto Alegre, em vitória por 3×0 na Vila Belmiro pelo Campeonato Brasileiro de 2004, Diego se transferia para o Porto. A dupla também atuaria pela seleção brasileira, sem, contudo, alcançar o mesmo destaque que obtiveram no Santos. Ainda que Diego tenha participado do início da campanha do Campeonato Brasileiro de 2004, a dupla conquistou lugar cativo na memória dos torcedores, e não apenas os santistas, pelo desempenho nos jogos finais do Campeonato Brasileiro de 2002.

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