Djalma Santos: paixão de um Cristo Negro a serviço da amarelinha!

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Queria mesmo era ser piloto de avião. Mas já nos campos de várzea da Parada Inglesa, em São Paulo, todos sabiam que o destino de Djalma Santos era voar mesmo nos gramados. Nos tempos em que lateral tinha como principal função defender, ele foi um visionário. O físico privilegiado e a técnica mais do que apurada foram fatores que ajudaram nas suas subidas eficientes ao ataque.

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O paulistano despontou na Portuguesa, em 1949, treinando ao longo do dia e dividindo a carga com o trabalho de sapateiro à noite. No início, Djalma era chamado apenas de Santos e jogava de centro-médio (o volante de agora). Entretanto, com vinda de Brandãozinho para a posição, Djalma Santos passou para a posição em que se consagraria definitivamente, a lateral-direita.

Os arremessos perto da área adversária se transformavam em escanteios, pois Djalma os cobrava dentro da área com seu braço-alavanca. Além disso, tocava a bola de forma dócil, era preciso no desarme e ajudava os companheiros na linha defensiva.

Seleção brasileira
Tudo isso mostrado ainda na Lusa chegou aos olhos da comissão técnica da seleção brasileira, que convocou Djalma Santos pela primeira vez em 1952. Era o passaporte para a primeira Copa do Mundo, dois anos depois na Suíça. O jogador anotou um gol contra a Hungria, mas não conseguiu conter o ímpeto de Puskas na “Batalha de Berna” (pela pancadaria entre os jogadores) vencida pelos europeus por 4 a 2.

Quatro anos depois, Djalma voltaria a vestir a camisa do Brasil em uma Copa do Mundo, desta vez na Suécia. Reserva durante toda a competição, o paulistano disputou apenas a final já que o titular De Sordi estava contundido. Bastaram os 90 minutos daquela partida, em que o Brasil goleou os donos da casa por 5 a 2 e conquistava o primeiro título mundial, para Djalma ser eleito o melhor lateral-direito da competição.

Veio a Copa de 1962 no Chile e lá estava Djalma Santos mais uma vez. Ele foi sempre titular de uma equipe que chegou como uma das favoritas. Com o bicampeonato, o lateral-direito brasileiro foi eleito para o time dos sonhos do Mundial. No ano seguinte, o paulistano teve o privilégio de ser eleito para a seleção da Fifa ao lado de mitos como Puskas, Di Stéfano, Eusébio e Yashin para disputar um amistoso contra a seleção inglesa em Wembley.

Em 1966, Djalma disputou sua última Copa do Mundo, mas o resultado não foi nada bom: a seleção era eliminada ainda na primeira fase com derrotas para a Hungria e para Portugal de Eusébio. No total, foram 98 jogos oficiais com a camisa amarelinha e três gols marcados.

Djalma está ao lado de Pelé como os únicos a iniciarem pelo menos uma partida como titular do Brasil em quatro Copas do Mundo. Além disso, ele e o alemão Franz Beckenbauer são os únicos jogadores a serem escolhidos os melhores de suas posições em três Mundiais.

Academia
Na década de 1960, o lateral se juntou a Djalma Dias e Ademir da Guia para formar a famosa Academia de Futebol do Palmeiras, onde conquistou os títulos paulistas de 1959, 1963 e 1966, a Taça Brasil, em 1960 e 1967, e o Rio-São Paulo, em 1965. No Alviverde, disputou 491 partidas e marcou dez gols.

O fim da carreira aconteceu no Atlético-PR ao lado dos amigos Bellini e Dorval. Detalhe: a classe realmente não combinava com violência. Djalma nunca foi expulso de uma partida oficial.

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Foto: Arquivo



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.