Em entrevista exclusiva, Marcel Stürmer fala sobre a carreira e o ouro no Pan de Toronto

Arquivo pessoal

Com o título no Pan-Americano de Toronto, o patinador foi o primeiro brasileiro a conquistar quatro ouros na história dos jogos. Marcel Stürmer falou com exclusividade para o Torcedores.com.

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Foi um mix de belas canções dos Beatles que embalou o quarto ouro de Marcel Stürmer (Patins RYE/Gov.Lajeado/ULBRA) na história dos jogos Pan-Americanos. A conquista no Pan de Toronto colocou o patinador na posição de recordista brasileiro de medalhas de ouro na competição (Guadalajara-2011, Rio-2007 e Santo Domingo-2003), posto que ele divide com o velejador Ricardo Winicki (que conquistou o tetra no Pan dias depois).

Aos 30 anos – recém-completados -, Stürmer conversou com exclusividade com o Torcedores.com, e falou, por exemplo, da emoção de ter sido recebido com carreata em sua cidade natal. Confira:

Fernanda de Lima – O que passava pela sua cabeça momentos antes da prova que lhe tornaria o primeiro brasileiro a conquistar quatro medalhas de ouro em Pans?

Marcel Stürmer – Por um momento eu fiz o que não devo fazer: conectar com o emocional. Pensava principalmente no recorde ao invés de manter meu pensamento na prova e nos movimentos. Me dei conta disso e logo passei a me concentrar melhor e achar o foco para a apresentação.

FL – Aos 30 anos, você acredita que chegou ao auge da sua carreira?

MS – Eu acho que bons atletas têm vários auges na carreira e acredito que esse é, sim, um dos meus.

FL – A que se deve o seu sucesso na patinação?

MS – Treinamento. Eu peguei o que tinha de talento e busquei fazer o melhor possível com isso. Eu sempre fui. Eu sempre encarei. Treinava sozinho sábados e domingos em Lajeado enquanto meus colegas estavam no shopping. Com 11 anos, viajei com desconhecidos para passar 1 mês em treinamentos nos Estados Unidos. Não falava inglês e chorava muito de saudades e cansaço, mas eu fiquei até o fim.

FL – Campeão mundial e tetracampeão Pan-Americano. Como melhor patinador do mundo, não ter uma medalha olímpica incomoda?

MS – Venci os Jogos Mundiais em 2013 e naquele momento me dei conta da real chance que eu teria em uma Olimpíada. Não tem como não pensar e imaginar como seria.

FL – A aposentadoria é algo que já passa pela sua cabeça?

MS – Passa há muito tempo, mas eu vou deixar bem claro quando o momento chegar.

FL – Você pensa em seguir na patinação de alguma maneira? Lutando, quem sabe, para que a modalidade se torne olímpica?

MS – Acho que essa pode ser, sim, uma luta. Mas como a “parada” é muito política eu sei que posso fazer muito mais pelo meu esporte de outras maneiras.

FL – Como você enxerga o futuro da patinação artística no Brasil? O que é possível fazer para impulsionar o esporte por aqui?

MS – Investimento e apoio desde a base. Estou junto da Prefeitura de Lajeado tramitando em Brasília um projeto para atender gratuitamente jovens talentos na cidade. É um começo.

FL – Como foi a emoção de retornar a Lajeado (RS) como tetracampeão?

MS – Imensa. A cidade tem muito carinho e respeito por mim e eu por eles. Sou filho de Lajeado e eles conhecem minha história desde o início.

 

CRÉDITO DA FOTO: Arquivo pessoal



Jornalista | Escritora Há 10 anos dedicando-se ao meio esportivo, com enfoque em mídias sociais e produções audiovisuais. Autora do site Guia dos Esportes - Conhecendo o mundo através do esporte, especialista de conteúdo da Seconds Entretenimento Esportivo, colunista dos sites Autoracing (F1), repórter e colunista do Portal Rackets (tênis).