Falta de qualidade afasta as mulheres dos torcedores

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Você consegue recordar de quantos bons jogos do tênis feminino você assistiu pela televisão em 2015? Agora faça o mesmo exercício em relação aos jogos masculinos e a memória ficará mais afiada. Não há como negar que existe um abismo entre os dois sexos no quesito qualidade de jogo.

Os erros não forçados e o número de duplas faltas são mais frequentes no feminino, acarretando em uma queda na troca de bolas. Este último item, dos rallys, dá uma pista do por que desses fatos negativos: a óbvia limitação física das mulheres. Não que isso seja uma crítica, mas é uma constatação e interfere bastante no nível das partidas – o cansaço gera erros.

A intensidade vista no masculino, em que os homens apresentam poucas oscilações físicas e por vezes se aguentam firme em quadra por três, quatro horas, é rara no gênero oposto. O tênis é um dos esportes em que mais se exige fisicamente do atleta, sem contar a parte mental.

Mas a questão vai além de uma questão física. Uma das melhores da história, a norte-americana Serena Williams (foto) destoa no circuito feminino porque tem a capacidade de aliar a força com a técnica, mistura em falta entre as adversárias. Volta e meia, a número 1 do mundo decide os pontos logo na devolução, até pela fragilidade dos saques que recebe e seus potentes golpes, mas ao mesmo tempo é inteligente para trocar bolas e executar golpes que só jogadoras talentosas conseguem.

A falta de qualidade dos jogos femininos afasta os torcedores, que sentem falta de craques que marcaram história na modalidade. Quem não se lembra, mais recentemente, da classe de Martna Hingis e do backhand de uma mão da belga Justine Henin, ou de uma época em que a força não fazia tanta diferença?

Atualmente, as atletas são fortes e mais resistentes – a despeito da limitação física já citada -, mas deixam a desejar tecnicamente.

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Jornalista desde 2008, é um estudioso do esporte e se orgulha por ter participado da cobertura de duas Olimpíadas: na Folha e no iG. Fecha o caderno de esportes do jornal ABCD MAIOR, que fica na Região do ABC Paulista