Glória alviverde – o esquadrão campeão do mundo

Crédito da foto: Divulgação Palmeiras

Em 22 de julho de 1951, o Palmeiras levantava, pela primeira vez no mundo, a Taça Rio, sagrando-se campeão mundial. Reconhecido pela primeira vez em 2006, e reforçado pela FIFA em 2014, o torcedor alviverde, mesmo aquele que não viu e viveu o título (afinal, poucos continuam vivos), suspira ao lembrar da belíssima história.

Motivado pela Copa do Mundo no Brasil em 1950, a CBD decidiu o organizar o Torneio Internacional de Clubes Campeões, e foi apoiado pela FIFA e teve como um dos organizadores o secretário da entidade máxima do futebol na época, Ottorino Barassi. Foram chamados os times mais vitoriosos da época, sendo eles a Juventus-ITA, Sporting Club-POR, Estrela Vermelha-IUS, Áustria Viena-AUS, Nice-FRA, Nacional-URU e representando o Brasil, Palmeiras e Vasco da Gama. A primeira fase do torneio foi dividida em dois grupos, sendo os classificados para a próxima fase Vasco e o Áustria Viena, pelo grupo do Rio de Janeiro, e Palmeiras e Juventus, pelo grupo de São Paulo. O Palmeiras teve dificuldade para bater o Vasco nas semis, tendo uma vitória e um empate, e a Juve passou fácil pelo Viena com duas boas vitórias. Na final, o Palmeiras venceu a Juventus pelo apertado placar de 1 a 0 em São Paulo e segurou o empate por 2 a 2 no segundo jogo, no Rio, tornando-se campeão do mundo. A partida no Maracanã tinha um público de incríveis 100.093 pessoas, e o gol do título foi marcado por Liminha.

Aos palmeirenses, o coração apaixonado fica apertado ao lembrar-se do esquadrão composto pelo símbolo Oberdan Cattani no gol, substituído nas semis por Fabio Crippa; os polivalentes Salvador e Juvenal; os consistentes e raçudos Tulio, Luís Villa e Dema e uma frente traiçoeira que tinha Liminha, Rodrigues, Ponce de León, Liminha e o craque incontestável da equipe, Jair Rosa Pinto. O técnico do esquadrão era Ventura Cambon.

Aliás, Jair Rosa Pinto também craque da Seleção Brasileira. O ponta-esquerda genial está no posto de uma das lendas do futebol, e tem status de eterno ídolo da equipe de Palestra Itália. O título mundial de 1951 foi a redenção para Jair, que tinha como mais frustação na carreira a derrota na Copa de 50: “Isso eu vou levar para a cova, mas, lá em cima, perguntarei para Deus por que perdemos o título mais ganho de todas as copas, desde 1930”.

A  equipe do Palmeiras também tinha dois craques no ataque que poderiam dar inveja a todos os grandes homens de frente que jogaram pelo clube nas décadas posteriores: Liminha e Rodrigues. Rodrigues esse que marcou um dos gols no segundo jogo da final do torneio apelidado como Copa Rio de 1951. Liminha era um jogador com rara habilidade e de velocidade ímpar, causando sempre tumulto nas defesas adversárias.

Dema fez história como um dos grandes defensores da história alviverde e outros grandes jogadores acabaram sendo grandes suplentes no elenco, como Waldemar Fiúme e Canhotinho. Na campanha do campeonato mundial, a equipe marcou 10 gols e sofreu 8.

O reconhecimento deste título não representa apenas uma agregação de valor ao Palmeiras. Não representa um espaço ocupado a mais na vasta pratileira de títulos do clube. Podemos dizer que o futebol foi começar a ser realmente profissional no final dos anos 90. Nas décadas de 40, 50, 60, há um obscurantismo sobre a realidade dos fatos devido à desorganização e a precariedade de informação na época. Podemos dizer que o que têm acontecido neste século XXI é um ajuste de contas para com o passado. Passar a limpo o que realmente aconteceu e dar o seu devido valor. Este torneio talvez tenha sido o maior exemplo disso. Resgatar a honra dos atletas que deixaram seu suor em campo e defenderam a camisa alviverde com amor e fibra. Colocar este título em seu patamar de merecimento é reconhecer a gloriosidade desse plantel, sua marca na história, e eternizar a dívida que o futebol tem para com eles.

(Na foto, em pé, da esquerda para a direita: Salvador, Dema, Túlio, Juvenal, Fábio Crippa e Luiz Villa. Agachados: Liminha, Ponce de León, Richard, Jair Rosa Pinto e Rodrigues.)

Crédito da foto: Divulgação Palmeiras.



Estudante de Jornalismo na Universidade São Judas Tadeu. Amante do futebol, apaixonado por futebol americano e interessado pela antropologia esportiva.