Lágrimas do futebol: o dia em que a Copa do Mundo de 1998 me fez chorar

Crédito da foto: Getty Images/Arquivo

Sempre fui fã de futebol. É de nascimento, não tem jeito. Quando criança, claro, a gente tem uma noção mais inocente das coisas e vemos otimismo em tudo. Temos esperança da paz mundial, acreditamos nos políticos e, principalmente em esporte, queremos que nosso time ganhe todos os títulos. Não sabemos se o time é bom ou ruim, como criança, quero vencer. Na seleção brasileira de 1998, com apenas sete anos de vida, era assim. Pensava que o Brasil era invencível e que NUNCA perderia um jogo. 

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Acompanhei muitos jogos que passava em televisão aberta daquele Mundial e fazia em folhas de sulfite os placares de cada partida, inclusive com a escrita francesa, que ficava nos geradores de caracteres (conhecidos como GC) oficiais da Fifa na transmissão mundial pela TV. Me lembro, vagamente, que compramos um fogão para a casa e minha já falecida avó estava instalando ele durante um duelo que estava sendo mostrado. Infelizmente não me lembro qual jogo era. Sou péssimo com detalhes de algo que aconteceu há bastante tempo.

Daquela Copa lembro que a população brasileira era muito, mas muito mais empolgada com o país do que hoje. Minha rua esteve quase toda ela pintada no asfalto com dizeres de “vamos ser penta”, “rumo ao pentacampeonato”, além de desenhos da taça mais cobiçada do futebol e charges de destaques daquela seleção, como Ronaldo Rivaldo e cia. Eu tinha minicraques da Coca-Cola, como Dodô (que nem foi convocado no fim das contas) e Rivaldo, e brincava com eles como se fosse personagens.

Na final o otimismo era muito grande com a decisão diante da França. Confesso que nem tinha ideia de quem era Barthez, Zidane, Deschamps, Thuram, Blanc, Henry e etc, não os conhecia. Só sabia que tínhamos de vencer aquele jogo para ter o prazer de comemorar um título de Copa do Mundo. Com três anos de idade em 1994, não sei se comemorei quando ganhou da Itália, impossível lembrar disso. Com sete de idade, aí eu já era “maiorzinho” e podia até conversar de futebol com meu tio e minha avó.

Mas naquele dia o Brasil teve uma atuação bem diferente do que nos outros jogos. Jogou mal e quando vi o primeiro gol de Zizou, aos 27 minutos do primeiro tempo, desacreditei. “Putz, gol deles”. Galvão Bueno narrou: “Olha o que aconteceu, olha o que aconteceu”, e havia alertado o nervosismo de Roberto Carlos no lance do escanteio que originou aquele tento. Se imaginava que o pior iria acontecer. Segui otimista: “Vamos virar, vai que dá”, e quase na virada para o intervalo, novamente Zinedine Zidane, e de cabeça fez o 2 a 0. Estava baqueado, pensei: “Por que hoje estamos perdendo?”

Mesmo assim meu espírito de infância mantinha a esperança de que poderia haver um 3 a 2 no segundo tempo. Mas a seleção não conseguia abrir espaços, e quando tinha oportunidade, ou Barthez defendia, ou a bola ia na trave, como em um lance de Denilson, já quase no fim. Acreditava até quase os 40 do segundo tempo. minha inocência permitia pensar que dá para fazer o gol aos 40, de repente aos 42 empatar e aos 45 virar o placar. Naquele dia era impossível acontecer, pela atuação do Brasil.

Petit “fechou o caixão” da seleção de Zagallo. Ao apito final do árbitro, foi aí que não me contive, comecei a chorar no outro quarto, sozinho, olhando para a janela e falando mais ou menos assim: “Por que perdemos? Somos invencíveis, ganhamos de todos e perdemos justamente hoje, na final? E agora? Terei de esperar quatro anos”. Minha avó nem se importou com isso e falava para mim: “Chorar com jogo?”, enquanto meu tio meio que me confortava e dizia que tinha mais Copa em 2002, de que teríamos outra chance de título, que se concretizou no Japão e Coreia do Sul.

O choro era grande, aquelas lágrimas de soluçar. A gente aprende com a maturidade. Se eu tivesse sete anos de idade em 2014, nos 7 a 1 da Alemanha, teria feito o mesmo que em 1998. Mas acho que pegaria trauma, largaria o futebol vendo um resultado desse e teria sido fã de outras coisas.

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Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade. Atualmente como repórter colaborador no site Torcedores.com.