Lágrimas do futebol: o dia em que o rebaixamento do Palmeiras me fez chorar

Reprodução/TV Record

O dia era 17 de novembro de 2002 Um domingo ensolarado e de muito calor na cidade de Dois Córregos, interior de São Paulo.

Era dia de Vitória e Palmeiras, com o Verdão jogando, também, contra o rebaixamento.

Após perder quase toda a manhã dormindo, acordei perto a hora do almoço e meu primeiro pensamento do dia: hoje é dia de Verdão, hoje temos que ganhar.

Perto do horário do do jogo, alguns amigos, torcedores de rivais como Santos e São Paulo foram até minha casa, para assistir o jogo ao meu lado e me dar aquela força moral.

A esperança estava reforça e a confiança em alta, afinal me diziam que time grande não caia.

Mas, segundo descrição do jornal “Folha de São Paulo”, o que aconteceu foi o seguinte:

A partida começou em ritmo eletrizante. Em cinco minutos, dois gols. O primeiro foi do Vitória, aos 3 minutos. Aristzábal cruzou da direita, Allan Dellon apareceu entre os zagueiros palmeirenses e cabeceou para o chão, sem chances para o goleiro Sérgio.

Dois minutos depois o Palmeiras empatou. Arce cobrou falta da direita, a zaga do Vitória falhou e a bola sobrou livre para Flávio, que só tocou na saída de Jean. Aos 14 minutos os paulistas quase viraram. Arce, em nova cobrança de infração, desta vez na entrada da área, colocou a bola rente à trave esquerda do goleiro baiano.

O jogo seguiu movimentado e logo a seguir, depois de levantamento da esquerda, a zaga palmeirense voltou a falhar no alto e Elói quase marcou de cabeça. A bola passou por toda a área, Sérgio não cortou e o zagueiro do Vitória cabeceou para fora.

Mas aos 27 minutos o Vitória voltou a ficar à frente do placar. Zé Roberto fez grande jogada individual, passou por Alexandre, depois por Arce e foi derrubado por Paulo Assunção dentro da área. Aristzábal cobrou bem o pênalti, no canto direito de Sérgio, que pulou para o lado oposto.

No início do segundo tempo, Leonardo Moura foi derrubado na linha da área, mas o juiz Wilson de Souza Mendonça marcou a infração fora. Na cobrança da falta, Arce ajeitou mal para Nenê, mas ainda assim o atacante conseguiu pegar bem na bola e empatou.

Aos 30 minutos, o zagueiro Alexandre, que já tinha falhado no 1 a 1 com o Flamengo, voltou a errar. Depois de cruzamento da direita, o defensor cabeceou nos pés de Zé Roberto, que não desperdiçou e fez 3 a 2. Cinco minutos depois, Aristzábal chutou forte, Sérgio ainda fez milagre ao espalmar, mas André pegou o rebote e marcou.

A dois minutos do fim, o goleiro Jean saiu mal e derrobou o zagueiro palmeirense César na área. O juiz acertou e marcou pênalti. Arce cobrou bem, marcou, mas o destino já estava escrito. O Palmeiras está na segunda divisão.”

A derrota culminou com o primeiro rebaixamento do Verdão. Após a partida, fiquei imóvel durante algum tempo, afinal não conseguia acreditar que algo tao surreal acontecerá.

No entanto, meu amor pelo Palmeiras continuou intacto e, como um bom torcedor, acompanhei todos os jogos da segunda divisão no ano seguinte.

Aos meus 19 anos, essa já não era a primeira vez que o futebol e o Palmeiras faziam com que lagrimas escorressem pelo meu rosto, mas sem dúvidas foi uma das mais dolorosas.

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Foto: Reprodução/TV Record



Jornalista formado em 2012, atuando na área desde 2010, com experiência em impresso e TV. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte em 2014. Apaixonado por futebol, sempre procurando novas formas de divulgar o esporte.