Lágrimas do futebol: o dia em que o Santos conquistou a América e me fez chorar

Foto: Divulgação Santos FC / Flickr

Já dizia o ex-jogador e treinador escocês, Bill Shankly, “O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais importante que isso”, com essa frase eu inicio a narrativa do dia em que o Santos Futebol Clube me fez chorar.

Diferente da grande maioria de torcedores santistas da minha geração tornei-me santista em 2003, não possuo em minha memória alguma lembrança do jogo histórico contra o Corinthians em 2002, meu pai já relatou que no dia que o Santos conquistava o Brasileiro de 2002 eu com sete anos, estava ao seu lado, porém, dormindo.

O dia que o Santos me fez chorar foi em 22/06/2011, mas essa história começou na final da Libertadores de 2003 diante do Boca, partida a qual eu estava presente no estádio, ao lado do meu pai e do marido da prima da minha mãe, Marinho, me lembro que o Marinho fez com que eu entrasse pela primeira vez ao estádio de futebol com os olhos tampados, a emoção de entrar no Morumbi em uma final de Libertadores foi grande. Com quase oito anos eu não possuía um nível de fanatismo elevado, meu pai e o Marinho já me contaram que eu cheguei a dormir em alguns momentos do jogo. Mesmo não sendo tão fanática em 2003, fiquei triste com o vice-campeonato, mas hoje com 19 anos eu entendo que aquele jogo, foi o inicio das minhas lágrimas em 2011.

A conquista da Copa do Brasil em 2010 tornou o sonho de conquistar uma Libertadores possível, o time possuía bons jogadores e jogava com alegria.
Sempre assistia o Santos na Libertadores, porém, sempre com um certo sentimento de utopia carregado dentro de mim, talvez pelo fato de 2003 eu ter visto meu time ser vice-campeão.

Com o passar dos jogos o sonho de ver meu time conquistar a América tomava forma, e foi em um jogo contra o Cerro Porteño fora de casa, onde o Santos jogou desfalcado de Neymar, Elano e Zé Love e mesmo assim conquistou a vitória por 2 a 1.

Após assistir aos jogos, ver Muricy Ramalho assumir o time no meio da competição, ver a firmação do craque Neymar em cada jogo, enfim chegou o grande dia. E eu assisti ao segundo jogo da final da Libertadores na casa de um amigo do meu pai, que estava cheia de santistas. Ao começar a transmissão eu já me emocionei com o show pirotécnico que a torcida santista preparou, o Pacaembu parecia que estava pegando fogo.

Foto: Divulgação Santos FC / Flickr
Foto: Divulgação Santos FC / Flickr

Confesso que fiquei sem reação ao ver o volante Arouca carregar a bola pelo meio campo, contar com um passe maestral de Ganso que devolveu a bola para o volante que em seguida entregou para  Neymar abrir o placar. Enquanto todos comemoravam gritando e se abraçando eu fiquei alguns segundos olhando para o telão, sem acreditar no que estava acontecendo, após me recompor –um pouco – da emoção do primeiro gol, o lateral Danilo marcou o segundo gol do Santos, antes do final do jogo, Durval foi tentar cortar o cruzamento e marcou contra. Cada segundo parecia uma eternidade. Por outro lado, cada segundo que passava indicava que o fim da espera estava próximo.

E ao apito final do arbitro Sergio Pezzotta, o Santos tornava-se Tri Campeão da América após 48 anos, um sonho que era utópico mas que se tornou realidade. No dia 22/06/2011 – coincidentemente data com os números dos jogadores que marcaram na partida, 22 (Danilo), 6 Durval e 11 Neymar – o Santos me fez chorar, como diz o hino “De minhas lágrimas e emoção”, uma final que jamais irei esquecer, enfim consegui ver Santos campeão da Libertadores ao lado do meu pai que naquele dia via o feito se realizar pela primeira vez também, visto que ele nasceu no ano do primeiro titulo da Libertadores (1962), o adversário também era o Peñarol.

 

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Nagila Luz (22) é jornalista formada pela UNITAU.