Lágrimas do futebol: o dia em que o Santos de Diego e Robinho me fez chorar

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É senso comum que um pai deve, de qualquer forma, repassar a paixão por um clube para seus filhos. A minha história com o futebol começa assim. Meu pai, palmeirense, vestia todos os fins de semana seus dois filhos de verde e branco até que um mais rebelde, no caso eu, decidisse ser do contra.

Até os seis, sete anos fui palmeirense. Vi aquela grande equipe vencer o Brasileirão duas vezes e quebrar um jejum de anos. Mas um certo time todo branco, conhecido mundialmente por ter tido um Rei com a camisa 10, mexeu comigo.

Nascido em 1988, obviamente só assisti Pelé na TV, mas vi Giovani e companhia serem roubados em pleno Pacaembu em 1995 e decidi. Aquele time, que também vivia jejum de títulos, seria o MEU time.

A decisão de contar para o meu pai que não vestiria mais o verde e branco foi talvez uma das mais difíceis para um garoto no auge dos seus sete anos, mas o amor de pai para filho, aquele que eu ainda vou descobrir do que se trata, fez com que nada mudasse na nossa relação. Daí pulamos para 2002.

O Santos não levantava nenhuma taça relevante desde 1984 e as decepções só aumentavam, as derrotas para o Corinthians em 1998 e 2001 foram as mais doídas, mas nada disso abalava o meu amor pelo time.

Alguma coisa me dizia que 2002 era o ano do fim das brincadeiras, talvez porque o time tinha sido construído praticamente do nada, com jogadores desconhecidos e dois moleques da base que representavam tudo aquilo que o santista mais gosta.

Acompanhei ainda mais de perto a reta final e vi o Santos perder para Ponte Preta e São Caetano das arquibancadas da Vila Belmiro e Anacleto Campanella, respectivamente, e comemorei muito quando o locutor do estádio anunciou a improvável vitória do Gama sobre o Coritiba. O Santos estava no mata-mata.

Assisti pela TV as vitórias sobre São Paulo e Grêmio e combinei com meu pai que iríamos aos dois jogos da final contra o Corinthians no Morumbi. No primeiro deles, vitória tranquila e a certeza de que o título viria na semana seguinte.

O dia 15 de dezembro de 2002 enfim chegou e partimos para o estádio do Morumbi eu, meu pai, meu irmão e meu avô, todos palmeirenses e só eu santista. A alegria deles seria ver o filho rebelde feliz. E foi o que aconteceu.

Claro que não podia faltar a tensão característica de toda final. A lesão de Diego foi amenizada com as eternas pedaladas de Robinho, mas a virada corintiana fez o desespero tomar conta. Deivid e Anderson marcaram e viraram o placar. Mais uma vez choraria uma derrota para o Corinthians? O Santos continuaria na fila por mais quantos anos? Eu seria ‘zoado’ pelos meus amigos por mais quanto tempo?

Elano e Léo acabaram com todas essas dúvidas ao virarem de novo a partida. 3 a 2 para o meu Santos. Havia chegado a hora de chorar de alegria. Abraçado ao meu pai, que anos atrás me levou para comprar a primeira camisa alvinegra, chorei ao ver os Meninos da Vila recolocarem o Santos no lugar mais alto.

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Editor senior do Torcedores.com, o jornalista formou-se na Universidade Metodista em 2009 e passou pelas redações do Diário do Grande ABC, Agora SP, UOL e Fox Sports, onde fez a cobertura da Copa do Mundo de 2014. Está no Torcedores desde outubro de 2014.