Lágrimas do futebol: o dia em que o São Paulo foi tricampeão da Libertadores

Sem dúvidas, para todo e qualquer São Paulino, a conquista do tricampeonato da libertadores em 2005, em cima do Atlético-PR, por 4 a 0, é algo inesquecível. Seja ela da forma em que foi vista. Pela TV, rádio, internet. Mas ao vivo, ao lado dos 76.999 tricolores presentes foi digno de lágrimas que jamais serão esquecidas.

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Era época de decisão, e eu, com meus míseros 9 anos, ainda não sabia de fato o que aquilo representava. Estava com meus amigos, jogando bola na quadra, e falava da possibilidade de ir ao grande jogo, no gigante Morumbi. Todos zombavam, diziam que eu não iria e que eu estava mentindo.

Meu tio, um paulista que se mudou para Brasília, junto a meu primo e meu irmão, foram os grandes responsáveis por eu me tornar São Paulino. Sempre que possível, viajavam e viajam de volta à terra natal para me levar ao estádio e prestigiar o nosso São Paulo. Em 2005, a venda de ingressos para a grande final já havia começado e todos eles foram esgotados rapidamente. Só sobraram aqueles que eram dos cambistas. Sem mais nem menos, meu tio avisou-me que estava rumando à São Paulo e que iriamos, de qualquer forma, ver o tricolor naquele 14 de julho de 2005.

Sem delongas, ele viajou de Brasília à São Paulo de carro, e foi direto ao Estádio do Tricolor. Lá encontrou diversos cambistas, que cobravam o “olho da cara”. “É decisão”, diziam, justificando o alto preço. Na cara e na coragem, comprou os ingressos, para arquibancada amarela. Uso o jargão pois os bilhetes poderiam facilmente serem falsificados, e todo o dinheiro gasto, que nas palavras de meu tio, eram imensuráveis perto do marco histórico que poderíamos acompanhar naquela noite, poderia ter ido por água abaixo.

Subimos a rampa, após encontra-lo junto a meu primo no portão de entrada, e rezamos, de todas formas, para que aparecesse um sinal verde após a inserção do bilhete. Deu certo! Entramos, muito cedo, logo após os portões se abrirem, horas antes do início da partida – queríamos pegar um lugar legal, já que a arquibancada que ficamos era localizada atrás do gol. Acompanhamos assim, a chegada dos atletas, pelo antigo telão que o estádio tinha, que ficava do nosso lado.

Pensamos na possibilidade até de pular as grades e ir para arquibancada que nos deixava no meio do campo, mas preferimos fica ali mesmo. E que decisão foi essa. Nunca antes tão bem acertada como aquela. Sem nem perceber, pela adrenalina do momento, o jogo havia começado. Não demorou muito para o São Paulo ir ao ataque, e abrir um marcador, aos 16 minutos de jogo, no lado do gol que estávamos, depois de uma cabeçada de Amoroso. Que alegria. Eu jamais tinha visto aquele estádio tão cheio, e tão pulsativo. Tudo tremia com os pulos da torcida festejando a abertura do placar.

Após um momento de felicidade, o Atlético Paranaense, conseguiu um pênalti a seu favor, e as unhas, a partir dali, não existiram mais. Era uma vaia tremenda, muita fumaça dos sinalizadores, com um misto de superstição. Acreditávamos na defesa de Rogério Ceni, o maior ídolo em campo. Depois do apito do árbitro, a bola, delicadamente, foi para o lado em que nosso goleiro pulou, e saiu. Na hora, o Morumbi foi abaixo. Parecia o primeiro gol, só que ainda mais forte. A felicidade era tamanha, que lembro-me bem de abraçar 4 caras que jamais havia visto na minha vida, como se fosse meu pai após um longo tempo sem o ver, e gritar, com toda a voz que ainda me restava: Put* que o pariu, é o melhor goleiro do Brasil, Rogério! Vale ressaltar aqui, que somente no dia seguinte, ficamos sabendo que a bola bateu na trave, e que não foi o Mito que a defendeu. Mas o que vale é o momento impagável, como disse meu tio, na tarde daquele dia.

No segundo tempo, ainda inseguro com o resultado, apesar de garantir o título para o São Paulo, a torcida vibrava com cada rasgada do Fabão e Lugano, além das defesas de Rogério. Depois do segundo gol tricolor, aos sete minutos, numa cabeçada de Fabão, que chorou na comemoração, o clima começou a ser de festa, alegria e emoção, por ver ao vivo, o São Paulo se tornar, na época, o clube brasileiro que mais vezes levantou a taça. Complementado a partida, Luisão e Diego Tardelli, ainda uma jovem promessa da base do São Paulo marcaram os gols que sacramentaram a goleada e o título para o tricolor.

Após ver Rogério Ceni levantar a taça e todos torcedores ainda presentes, lágrimas caiam do meu rosto, de felicidade e emoção, junto a um jovem, que sozinho, foi ao Morumbi, na cara e na coragem, assim como meu tio, após conseguir um ingresso dos cambistas. A emoção era de selar ali um laço para sempre com o clube. Um momento que jamais esqueceria na minha vida. No corredor da saída, entoávamos o hino do São Paulo, como se não houvesse amanhã, e como se fossemos uma só voz no Brasil inteiro. E sim, naquele dia, o São Paulo subiu seu patamar.

Ao chegar em casa, os amigos, que zombavam-me por não acreditar que eu iria no jogo, haviam comprovado que estava lá, ao ligar para minha mãe e ela confirmar. No dia seguinte, relembrei toda essa história à eles, que também caíram na emoção e me vangloriaram, por ter presenciado um dos maiores momentos das história do São Paulo Futebol Clube.

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Crédito da imagem: Divulgação/Site Oficial
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Jornalista em formação no Mackenzie, estagiário do Torcedores.com e fotógrafo. Fanático por basquete, tênis, surf, futebol e futebol americano.