Lágrimas do futebol: o dia em que Petkovic me fez chorar

Não sou um cara muito emotivo, confesso. Lembro-me apenas uma ocasião em que o futebol conseguiu arrancar lágrimas dos meus olhos. E sempre que vejo aquela partida, os olhos ficam marejados como se fosse a primeira vez que eu assistia. A emoção toma conta de mim e mesmo sabendo o resultado, não consigo acreditar no que estava vendo.

27 de maio de 2001. Flamengo x Vasco. Final do campeonato carioca. O último grande time que o Flamengo teve. E o maior camisa dez da Gávea depois de Zico. Um sérvio. Com sangue brasileiro e coração rubro-negro foi o cara que me fez chorar. Este que vos escreve tinha apenas onze anos. Um garoto. E estava começando a acompanhar o Flamengo com mais afinco, despertava o interesse em frequentar o Maracanã e ficar à frente da televisão sempre que o vermelho e preto desfilava nos gramados.

O primeiro jogo da final tinha sido vencido pelo Vasco por 2 a1 e a equipe cruzmaltina podia jogar por dois resultados iguais. Flamengo saiu na frente com Edílson marcando de pênalti, mas o Vasco empatou ainda no primeiro tempo com Juninho Paulista. Aquele garotinho, revoltado, perdeu as esperanças no time e resolveu jogar video game no intervalo. O Flamengo ia para os vestiários abatido como eu. E o Vasco cheio de confiança sabendo que ainda poderia tomar mais um gol que sairia campeão.

As equipes voltam ao gramado do “Maraca” e os guerreiros flamenguistas mostram ao seu torcedor o motivo de “querer cantar ao mundo inteiro a alegria de ser rubro-negro”. O time vai pra cima e abre o jogo. Precisava se expor para conseguir os dois gols. A partida ganha em emoção e dois gênios começam a dar as caras. Lá atrás, Júlio César era uma verdadeira muralha. Nada passaria por ele. E lá na frente, aquele camisa dez sérvio provaria para mim o que é ser Flamenguista.

Uma bola levantada na área e o “capetinha” faz de cabeça. 2 a 1. O Flamengo precisava de mais um gol. O time foi pra cima, Júlio César deu conta do recado, mas a bola não entrava na meta de Hélton. Eis que começa a magia do futebol. Aos 42 minutos do segundo tempo, Edilson sai da área e recebe a bola de costas, faz o passe para Jorginho, mas recebe falta de Fabiano Eller. O juiz marca. Pet vai para a cobrança. A câmera fecha em Alessandro rezando no banco. Como ele, estávamos os 35 milhões de rubro-negros. À espera de um milagre.

Petkovic contra Hélton. Um dos melhores cobradores de falta da história do Flamengo contra um grande goleiro da história do Vasco. O goleiro arma a barreira e fica no meio do gol. A cobrança vem de muito longe e Pet não bate com força na bola. . O sérvio vem para a bola. A energia de todos nós, a força de nosso São Judas Tadeu e a qualidade de nosso Deus Zico, são transmitidas para aquele gringo-brasileiro. Cobrança perfeita. É gol. No ângulo. Hélton nada pôde fazer.

O Maracanã vem abaixo, o sérvio se joga no chão sem saber como comemorar, sem entender a imensidão daquele momento e sentindo uma das maiores emoções de sua carreira, assim como de nossas vidas. Zagallo enlouquece, os repórteres pulam à beira do gramado e a maior torcida do Brasil faz a festa. Aquele garotinho de onze anos fica estático olhando para a televisão. Lágrimas começam a escorrer de seu rosto de tamanha emoção naquele momento. Nada se compara. Nem o título de 2009. Obrigado Flamengo. Obrigado, Petkovic.

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Foto: Reprodução/Flamengo.com.br



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