Lágrimas do futebol: o dia em que o Real Madrid me fez chorar

Real Madrid
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Desde que comecei a acompanhar futebol aprendi que o Real Madrid é o maior clube do mundo. Na época tinha um elenco com Roberto Carlos, Ronaldo, Raúl, Zidane e alguns outros craques. Me apaixonei pela história, por aquele time e descobri que nasci com um coração metade brasileiro e metade espanhol. Metade palmeirense e metade merengue.

Entre altos e baixos, vitórias e derrotas, lembro-me com muita clareza daquele 25 de maio de 2014. Final da Liga dos Campeões, Real Madrid x Atlético de Madrid em Lisboa. O Real era favorito, mas jogava contra um dos maiores rivais e que já estava dando trabalho há algum tempo.

Preparei a festa, vesti a camisa, comprei a pipoca e o refrigerante, liguei a tv no último volume, a paguei as luzes e começei a apreciar o espetáculo. Na minha família ninguém gosta de futebol, por isso, estava sozinha na sala e aproveitei pra cantar, me emocionar e fazer a última oração antes da bola rolar.

Bola em jogo e seja o que Deus quiser! Hala Madrid! Logo aos 10 minutos o adversário perdeu o principal jogador, Diego Costa sentiu uma lesão e foi para o chuveiro mais cedo. Confiança? sempre, mas ai veio uma falha bisonha de um dos atuais ídolos do elenco. Casillas não chegou na bola e o Atlético abriu o placar.

Ai sim, caiu a ficha, era a final da Champions League, o Casillas havia falhado, e naquele momento o Real Madrid estava perdendo a tão sonhada “La décima”. Coração disparou e a confiaça deu lugar ao desespero. Sofro só de lembrar os gols que o Dí Maria e o Bale perderam e como o Cristiano Ronaldo não conseguia jogar seu futebol.

Veio o segundo tempo e como bom argentino que é, Diego Simeone fechou ainda mais o Atlético. O Real Madrid não conseguia chegar com clareza ao gol do Courtois e nesse momento eu já havia perdio o sentido, as esperanças e a acho que até mesmo a fé em Deus.

Terminou o tempo regulamentar e o juiz deu mais quatro minutos de acréscimo. Vidrada na frente da tv eu vi aquela bola cruzada pelo Modric, após uam cobrança de escanteio, bater na cabeça do Sergio Ramos e estufar as redes dos Colchoneros.

AAAAAHHHH!!! foi o que eu tentei gritar, mas a voz não saiu. Perdi a força das pernas e cai de joelhos no chão da minha sala. Lágrimas, muitas lágrimas. Quando consegui me levantar o jogo já havia terminado. Que venha a prorrogação!

Ai eu já tinha certeza, aquele título era do Real Madrid. E foi. O tão xingado Bale virou, o brasileiro Marcelo ampliou e o melhor jogador da competição fechou o placar. Nem nos meus melhores sonhos poderia imaginar uma goleada, mas os deuses do futebol fizeram assim, então está valendo.

Acabou o jogo, o Casillas – que havia falhado – ergueu a taça e minha rua continuou vazia e não tinha uma alma gritando ou soltando fogos. Foi uma comemoração “reprimida”. Eu estava sozinha, mas feliz.

Nunca tive a oportunidade de ir pra Espanha, mas sonho todos os dias em encontrar um por um dos heróis daquele título. Sei que é difícil, ou melhor, impossível mas eu preciso agradecê-los por mostrar que a paixão do futebol extrapola fronteiras.

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