Lotus 97T de Ayrton Senna é o carro mais bonito da F1

Foto: Getty Images

Escrevo pouco a respeito dos meus gostos pessoais no portal Torcedores.com, mas quero falar de um dos carros da F-1 que mais admiro, e tenho a convicção que não sou a única. Muitos leitores devem se identificar também. O Lotus 97T -1985, guiado por Ayrton Senna fez uma história na F-1.

Longe do fanatismo, eu quero destacar um pouco a qualidade do modelo que deu origem à estreia de Senna em um carro tecnicamente mais potente, que necessitava de mais esforço físico por ser mais duro. Com os trancos a cada vez que aumentava a sua velocidade, imediatamente o corpo do piloto sofria sérios picos de energia causando dores insuportáveis, especialmente a um novato em um carro de verdade.

Não excluo o modelo Toleman que foi o primeiro da carreira profissional de Ayrton, mas a mecânica deste carro era outro nível.

Me apaixonei por este modelo, não por causa da sua fama, ao contrário. Seu motor turbo era barulhento e estarrecedor, mas marcou muitos fãs de F-1 diante da TV, especialmente no Grande Prêmio de Portugal em 1985, em Estoril. Com chuva e a pista escorregadia – até Prost chegou a rodopiar -, Senna não precisava mais que silêncio, e dois tipo de marcha, sendo a terceira ou quarta para ganhar, seu primeiro GP.

A mecânica do carro era totalmente manual, não podemos comparar de um Lotus 97T/98T (1985/86) com Lótus R31 (2011), pilotado por Nick Heidfeld e Vitaly Petrov. A diferença é imensa entre um e outro. Nos anos 80 e atualmente não se compara com as mudanças tecnológicas que foram incluídas nos projetos recentes.

O volante era encapado de camurça, sobre o alumínio, com apenas 2 botões, que apenas serviam como intercomunicador e o segundo como cronômetro. O R31, recebeu o mesmo acabamento, porém Kevlar, com aproximadamente 20 botões para câmeras de TV e o piloto, as demais para afinar e melhorar a aerodinâmica.

Na época, usava-se o V6-turbo, barulhento, e hoje muitos falam neste assunto, mas agora sobre a falta daquele ronco forte do escapamento, que se destacava a cada curva e, dava a sonorização impagável. Ao contrário de hoje por ser mais silencioso com seu híbrido que vem ganhando mais espaço no grid, atualmente como o modelo Lótus E23 – Renault híbrido.

Com 6 marchas manuais para velocidades, comparado a 7 marchas semiautomáticas e ambos com tração e chassi de carbono, a asa traseira tornou-se móvel ajudando fluxo de ar.

Já o motor era Renault – EF150 – turbo, com capacidade de 1492 CC, 12.000 RPM, sua potência de 900 Cv por corridas e um peso de 540 kg. Mas, com a modernidade o R31 ganho de 100 kg a mais, e um motor V8 – sendo um Renault RS27, com 2400 cilindrada, 18.000 por rotação de combota, no máximo chegou próximo de 700 cavalos de potência.

Em 1986, foi o último ano do anunciante de tabaco, claro, naquela lataria espetacular que tinha apenas duas cores como sua marca, a cor preta e o dourado, dando destaque à marca “John Player Special”, “JPS”e “Delonghi” e na minha visão era perfeita para Fórmula 1.

Analisando o tempo e a propriedade de cada um, os modelos anos 70 a 86 são os que me dão muitas saudades. Tenho que me alegrar com tantas mudanças que estão por vir, como o motor, a pintura e o aperfeiçoamento da lataria, fora que nem o barulho se ouve mais.

Apesar da mudança com passar do tempo, eu continuo fissurada naquele protótipo da Lotus. Nasci em 1986 e o conheci o carro pesquisando a história da Fórmula 1 e com seus inúmeros vídeos. Um deles me chamou muita atenção, o Lotus esse que citei acima.

Ano passado revi este carro em abril na exposição “20 anos sem Ayrton Senna” no shopping Villa Lobos e me deixou mais apaixonada por ele, com todos os detalhes daquela época.

Constatei que nem se compara aos que estão chegando, bico de pato, arredondado, suas cores vibrantes como vermelho. Com seus aros mais evidentes, e com a novidade do mercado automotor – o híbrido.

Lembrando que há 30 anos, existia uma briga sobre motor BMW e Porshe, também na sequência os japoneses. Agora a discussão vem a tona, com a Mercedes desafiando Renault e Honda para que desistissem da F1.

A polêmica gerou várias reclamações, como a de Nikki Lauda para Auto Racing.

Enquanto ele desabafa por estar cansado em cumprir novas regras, tantas novidades no automobilismo que tem nos deixados fartos como ele.

Crédito da foto: Getty Images



Paulista e Colunista. Já escrevi para Revista Voi – PR, The Music Journal Brazil – SP. Atualmente escrevo para o Portal StyleMag Brasil e Seven Days News.