Lágrimas da Bola: O dia que o São Paulo levou uma virada na final da Copa do Brasil e me fez chorar

Rogério Pinheiro tentando evitar que Giovanni tomasse sua frente, na final da Copa do Brasil de 2000. Foto: Reproducao

Ah, o Axel. O nada saudoso, Axel. O pouco útil, Axel. Por que, Axel, recuou aquela bola para o Rogério Pinheiro, na fogueira, Axel? Por que não deu um chutão para o ataque, Axel? Ou segurou a bola, esperando alguém te fazer uma falta, Axel? Por que tirou do São Paulo a chance mais concreta de o time ganhar o único campeonato que ainda não tinha ganhado, Axel?

Essas são perguntas que me faço hoje, já crescido, com barba na cara e quase careca. Mas no ano 2000, com 12 anos de idade, cabelo na cabeça e nada no bigode, não consegui reagir com esse misto de calma e resignação. Pelo contrário.

Assim que o São Paulo fez 1 a 0, já na metade do segundo tempo, em um Mineirão lotado, contra o Cruzeiro, após empatar em 0 a 0 no Morumbi, no jogo de ida, eu já me convenci de que, finalmente, veria meu time ganhar um título de maior peso, além dos Estaduais. Me convenci de que iria para a escola e iria fazer troça com os outros e não o contrário.

Mas o destino me enganou. Aquele gol, de Marcelinho Paraíba, de falta, um golaço, foi apenas o início da tortura que viria depois. Podendo empatar o jogo para ser campeão, pelo critério do gol marcado fora de casa, o São Paulo permitiu o empate e a virada celeste, com um gol de Fábio Júnior e outro de Giovanni, que nem sei que fim levou depois daquela fatídica final.

O que sei é que, logo que o empate veio, já me veio junto uma sensação péssima. Parece que eu senti que a virada seria questão de tempo. Meu pai, ao meu lado, só dizia para eu ter calma, mas não adiantava. Quando Axel recuou a maldita bola na fogueira e Rogério Pinheiro teve que fazer a falta, para evitar o gol, eu já comecei a chorar.

Quando Müller, ídolo nosso, mas jogando no adversário na época, orientou o nosso carrasco sobre o melhor jeito de bater a falta, eu já estava inundando o sofá. Quando Giovanni partiu, bateu e a bola passou exatamente no meio da barreira, matando Rogério Ceni, eu quis morrer junto.

Foi a pior sensação que senti em minha “carreira” de torcedor. Nem a eliminação para o Once Caldas, na Libertadores de 2004, com requintes de crueldade parecidos, me fez sofrer tanto. Nem a derrota na final do mesmo torneio, em 2006, para o Inter, me fez sofrer tanto.

Aquele título da Copa do Brasil faz falta até hoje, porque o São Paulo nunca mais conseguiu sequer chegar em uma final da competição, depois daquilo. E não adianta negar: o são-paulino sente falta de ganhar esse torneio, para completar a sua já recheada sala de troféus.

Por que, Axel…por que fez isso com a gente?

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Foto: Reprodução



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