Opinião: o tetra poderia ter esperado mais uns anos

SINGAPORE - OCTOBER 14: Brazil coach, Dunga is seen on the team bench during the international friendly match between Japan and Brazil at the National Stadium on October 14, 2014 in Singapore. (Photo by Suhaimi Abdullah/Getty Images)

Existe um boato que o técnico Dunga pretende chamar mais jogadores que não foram testados na seleção com ele, o que está certo. Esse papo de continuidade e blá-blá-blá é bonito na teoria, mas ineficaz na prática. Quando da apresentação da volta do Dunga ao comando técnico do Brasil, ele disse que reconhece que errou ao fechar o grupo para Copa da África do Sul faltando um ano. É hora de provar que ele aprendeu com o erro do passado.

Jogar só pelo resultado é uma maravilha quando ele vem. Quando ele não vem, não sobra nada. Foi o que aconteceu na última Copa América. O fiasco do Brasil no Chile foi grande e é preciso mexer no tabuleiro para procurar peças novas. Se a Copa América foi difícil, multiplica, triplica essa dificuldade na Eliminatória, que são 18 jogos durante 3 anos.

Dunga foi egoísta ao não levar Ganso e Neymar para Copa 2010 pelo menos para os dois ganharem experiência. Neymar, com a experiência de uma Copa do Mundo em outro país, mesmo sem jogar poderia ter rendido muito mais na Copa no Brasil. Mas Dunga veio com o discurso de “queremos ganha agora, não preparar para próxima Copa”. Não fez uma coisa nem outra. A Alemanha levou muitos jovens para Copa da África que se desenvolveram durante o ciclo de 2014.

Em 2010, Dunga terminou o jogo contra a Holanda com uma substituição na mão porque não tinha ninguém no banco do Brasil para aquela seleção buscar pelo menos o empate. Se fosse possível, ele só tinha chamando 13, 15 jogadores, é porque o regulamento manda convocar 23 jogadores. Dunga é adepto de “panelinhas”. Na Copa de 1994, ele era o “protetor” das “escapulidas” do Romário e o líder do boicote à imprensa. Com o tetra e o fim da fila, foi só festa. Sem título de 94 suspeito que Dunga, Parreira, Zagallo e outros não voltariam para seleção brasileira.

O tetra de 94 trouxe prejuízo ao futebol brasileiro. Era melhor ter ficado mais uns anos na fila e voltado a vencer em outro momento. Mais cedo ou mais tarde o Brasil voltaria a vencer uma Copa do Mundo novamente. E, hoje, o futebol brasileiro poderia ser diferente.

Crédito da foto: Getty Images



Viciado em futebol nacional e internacional; gosta de Fórmula 1. Apaixonado por Copa do Mundo como quem gosta de futebol, não como torcedor, e interesso-me por outros esportes somente na Olimpíada. Textos opinativos e curiosidades do futebol. Tenho um blog sobre política (@brasildecide).