Opinião: Após goleada, trabalho de Osório no São Paulo DEVE mudar

Érico Leonan / SãoPaulofc.net

Muitos vão dizer que o treinador acabou de chegar, portanto deve-se dar tempo ao profissional. Outros, contudo, sem paciência, exigem mudanças drásticas já para o jogo desta quarta, contra o Atlético-PR. Um equilíbrio entre as duas cobranças talvez fosse o mais sensato, contudo o São Paulo é um time grande. E time grande não deve dar chance ao azar.

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Muitas coisas estão erradas no São Paulo, sendo a principal delas o atraso no pagamento de direitos de imagem para alguns atletas, débito prestes a completar quatro meses. Osório não tem culpa. Tanto não tem que também foi “vítima” da crise financeira no Tricolor. O treinador, a princípio, não sente a crise no bolso, porém sente no dia a dia ao perder atletas e tentar motivar aqueles que não recebem. Tarefa árdua, ingrata.

Dentro de campo, porém, Osório DEVE mudar o São Paulo. A tentativa de escalar Alexandre Pato e Luis Fabiano juntos mostrou-se ineficaz. E muitos foram os motivos desta constatação. Com dois atacantes mais fixos, o Tricolor perdeu na marcação no meio-campo, uma vez que os dois jogadores de frente pouco auxiliavam os meias.

Com um jogador a menos no meio, Paulo Henrique Ganso e Michel Bastos ficaram sobrecarregados no setor. Ainda mais Michel Bastos, já que há muito Ganso não vem jogando bem. Uma vez com o meio sobrecarregado, a defesa se expõe mais, principalmente nos contra-ataques. Deu no que deu.

Juan Carlos Osório chegou agora no São Paulo, está na fase de estudos, de conhecimento técnico e humano dos jogadores. E, de quebra, chega no olho do furacão financeiro. Mesmo com todos os problemas, o Tricolor tem um elenco bom, um time titular forte e deve se recuperar no campeonato. Osório deve ficar atento, no entanto, que já estamos na 10ª rodada. 38 partidas parecem muito, mas não são. Ao menos não no Brasileirão, principalmente nesta edição de 2015 em que a banana vem comendo o macaco.

Osório hoje deverá atuar muito mais no psicológico dos jogadores no que no físico e técnico. Os jogadores sabem o que fazem, entendem do riscado. Uma goleada de 4-0 pro maior rival pesa, mas normalmente é usada como fator motivacional para o próximo jogo. E quando olhamos para a tabela, então, vemos um São Paulo intenso, dentro do G-4. O problema é outro. No bolso. E Osório terá de agir de uma forma que ele nunca esperou que teria de fazer quando saiu da Colômbia.

Foto: Érico Leonan / SãoPaulofc.net