Opinião: Para fazer melhor papel em clássicos, São Paulo tem que abrir mão do “papel”

PH Ganso domina a bola no peito. Foto: Divulgacao

O time do São Paulo é previsível. Qualquer treinador um pouco mais esperto, bom observador e que não se impressione com o elenco da equipe “no papel”, sabe que para sair vencedor de um duelo contra o Tricolor, não precisa de muito. Na verdade, é só pressionar a saída de bola, forçar o erro dos defensores ou meio-campistas e pronto.

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Venho, aliás, alertando sobre isso desde o começo do ano, quando o São Paulo perdeu o primeiro jogo importante, que foi o clássico contra o Corinthians, pela primeira rodada da fase de grupos da Libertadores.

Claro que, naquela partida, o segundo gol alvinegro foi marcado apenas no final do embate e saiu de um contra-ataque, e o primeiro foi uma bela jogada de Jadson e Elias. A questão, porém, é que os, na época, comandados de Muricy Ramalho, não jogaram absolutamente nada. Primeiro porque não conseguiram sair da marcação-pressão e, em segundo, porque não tiveram criatividade e, principalmente, profundidade, para furar a retranca adversária e empatar.

Em qualquer jogo difícil que seja, o São Paulo tem e, pelo andar da carruagem, terá essa mesma dificuldade. O problema, no entanto, é que nos clássicos há um fator complicador a mais, que é a rivalidade. Ela torna um jogo que pode colocar frente a frente duas equipes combalidas, em um jogaço, apenas pelo peso que vencer um rival traz.

Contra o Palmeiras, no domingo (28), último clássico que o time teve no ano e primeira goleada sofrida na temporada, novamente essa narrativa foi encontrada. Taticamente, o alviverde fez exatamente o que todos que querem vencer o São Paulo fazem: pressionou a saída de bola. E até sofreu no começo do jogo por isso, já que o visitante conseguiu explorar algumas brechas que ficaram na defesa e assustaram em duas oportunidades, pelo menos.

Mas foi só a primeira bola do Palmeiras entrar, para desandar tudo. Dali, para frente, o São Paulo entrou em parafuso. Parecia um time amador, contra o melhor esquadrão que há na face da Terra. Nos minutos seguintes à abertura do placar, os donos da casa colocaram uma bola na trave e, logo depois, fizeram o segundo. O São Paulo apagou.

E é esse o grande problema da equipe na temporada. Não apenas em clássicos, conforme já dito, mas em qualquer partida um pouco mais importante. O time leva um “golpe” e apaga. Não é apenas uma questão tática, apesar dela ser a principal, é também uma questão de falta de confiança.

Para o São Paulo lidar melhor com clássicos, só vejo duas saídas: esquecer que é um clássico, para manter a cabeça no lugar o tempo todo, e alterar algumas peças no time, para que ele fique mais leve, profundo e menos propenso a sofrer com marcação-pressão. Osorio precisa de coragem para colocar no banco alguns medalhões, afinal, jogar com o nome não leva ninguém a nada. Quero dizer, a nada de bom.

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Foto: Divulgação / São Paulo FC



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