Pan de Toronto também valoriza exemplos de superação, como Altobeli Silva

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A poucos metros de colocar a sua primeira medalha internacional no peito, Altobeli Santos da Silva perdeu o fôlego na prova dos 5.000 do Pan de Toronto e terminou em sexto lugar. Ao estrear no evento multiesportivo na noite do último sábado (25), o ex-panfleteiro, que entrou para o atletismo pra ganhar uma moto, realizou a primeira etapa de seu sonho, correr fora do Brasil. A segunda, de ganhar a prova, não. Por bem pouco. Seu tempo? 13:49.00, pouco mais de dois segundos do campeão Juan Luis Barros (México – 13:46.47).

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“Vai dar medalha para o Brasil, vai dar ouro pro Brasil no atletismo de Toronto, Altobeli…”, narrava Reinaldo Gottino em um flash da chegada dos 5.000 m durante a transmissão da final do handebol masculino pela Record News, competição que rendeu o ouro para o Brasil. O que se viu na tela após a empolgante narração de Gottino foi um brasileiro correndo no sacrifício, praticamente sem ar, sendo ultrapassado pelos campeões na reta de chegada.

Com história repleta de esforço, dedicação e superação, Altobeli acreditava na vitória, correu pra vencer. Tímido, sem gostar muito de entrevistas, atendeu a outra emissora, o SporTV, também responsável pela transmissão dos jogos, momentos após a corrida. Nela, falou sobre o que faltou para sua vitória.

“Investimento, preparação, e várias coisas. Algumas pequenas coisas faltam para acrescentar para chegarmos aqui e brigar de igual para igual. Só de ver o aquecimento deles já é totalmente diferente do nosso. Coisas que eu faço na base para criar estrutura para suportar o ano inteiro eles fazem no aquecimento de uma competição”, disse ao SporTV.

Relevante destacar este posicionamento do fundista em semana pós Toronto, já que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) atribuiu a queda do Brasil na conquista de medalhas à renovação no esporte. “70% da delegação foi composta por estreantes em Jogos Pan-Americanos”, relevou Marcus Vinicius, diretor-executivo de Esportes do COB.

Apesar de o Time Brasil, marca da delegação brasileira para eventos internacionais, conquistar 141 medalhas no Pan de Toronto e ficar em terceiro lugar no quadro geral, atrás de Estados Unidos (265) e Canadá (217), quantidade de ouros foi bem menor ao de Guadalajara 2011. Em Toronto 41 medalhas de ouro, 40 de prata e 60 de bronze, contra 48, 35 e 58 no México, respectivamente.

A prova de 5.000 m do Pan de Toronto reuniu outros 14 competidores. Entre eles, outro brasileiro, David de Macedo, que terminou a prova em 12º lugar com o tempo de 14:08.56. A medalha de prata ficou para David Torrence (Estados Unidos – 13:46.60) e o bronze para Vitor Aravena (Chile – 13:46.94).

Realizado no período de 7 a 26 de julho, o Pan de Toronto contou com mais de 6.100 atletas, 41 nações, e 365 provas de 36 esportes. Dados finais do site oficial do evento confirmaram que as maiores delegações foram mesmo as já citadas em matérias anteriores aqui no Torcedores.com. Canadá, país-sede com 723 atletas, Estados Unidos (624), Brasil (592), México (511), Argentina (472) e Cuba (444).

De acordo com os organizadores, os Jogos foram acompanhados de perto por uma multidão de torcedores, já que 1,05 milhão dos 1,3 milhão de ingressos disponíveis foram vendidos. “Com esses números, o Pan de Toronto fica marcado como a maior competição multiesportiva da história do Canadá, superando em números as Olimpíadas de Inverno de Vancouver de 2010”, revelam.

Porque Altobeli merece respeito, apoio e torcida de todos

Atual vencedor do Troféu Brasil Caixa de Atletismo 2015, Altobeli revelou ao Torcedores.com em maio passado seu início como fundista, em Catanduva, sua meta para o PAN e seu sonho de participar das Olimpíadas.

Há sete anos, quando adolescente, Altobeli entregava folhetos de supermercado de porta em porta, e entrou para o atletismo após ler uma propaganda sobre uma corrida de rua. “O vencedor de 10 km leva uma moto 0 km pra casa”, lembrou o atleta. Sem nunca ter participado de uma corrida, ou treinado profissionalmente, foi lá e se inscreveu. Não venceu, mas ficou entre os 30 primeiros da competição e entre os cinco melhores da cidade.

“Após a prova tomei o rumo de casa, mas fui surpreendido por um amigo falando do meu nome sendo anunciado nos auto-falantes. Voltei para o palanque, mas já havia sido desmontado”, revelou. Passados alguns dias, ao retirar a sua medalha na prefeitura, encontrou um professor de Educação Física, Guilherme Salgado, que passou a treiná-lo. “Tudo o que eu sou hoje eu devo ao meu treinador, que sempre acreditou em mim”, ressaltou.

Os anos se passaram, Altobeli mudou de emprego, de cidade e as conquistas começaram a chegar. Entre os títulos, campeão da meia maratona do Rio de Janeiro (2013), vice-campeão Ibero-Americano, e campeão do Troféu Brasil Caixa de Atletismo nos 5.000m metros (2015). No Pan não deu para Altobeli, mas 2016 está aí. E o mundo tem um ano para acompanhar o desempenho deste jovem atleta, promessa de futuro campeão olímpico.
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“Participar das Olimpíadas é um sonho porque é o evento com os melhores do mundo. Se bem que no Brasil não vai ser assim. Haverá quantidade, e não qualidade, já que o país não investe no esporte”, reforçou. Bora entrar para a torcida do menino, Brasil!

Crédito da foto: Getty Images



Edilene Mendonça é jornalista diplomada pela UNISA (Universidade de Santo Amaro). Sua trajetória profissional inclui atuações em produtora de vídeo, tevê, campanha política, assessoria de imprensa, site infantil e esporte. Pós-graduada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU).