Piquet diz que Senna sempre foi um “piloto sujo”

O tricampeão mundial Nelson Piquet continua polêmico como sempre, mesmo quase três décadas depois do fim de sua carreira na Fórmula 1. Mas sua rivalidade nas pistas com outro brasileiro, o também tricampeão Ayrton Senna, ainda deixa lembranças. Em entrevista ao Blog do Ico, do jornalista Luis Fernando Ramos, Piquet disse que Senna sempre foi um “piloto sujo”.

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“Ele sempre foi muito sujo na sua carreira. Ganhou o campeonato de F-3 porque ele bateu no Martin Brundle, em Brands Hatch, na última corrida, acabou com o carro em cima. Fez o mesmo com Prost em 90 para ganhar o campeonato. Eu não concordo com isso. No automobilismo, você precisa ser limpo. Quer ser campeão? Tudo bem. Mas precisa ser limpo. Ele não era limpo na pista. Foi por isso que mostrei o dedo do meio para ele”, disse Piquet.

O ex-piloto brasileiro também comentou sobre a ultrapassagem mais lembrada que ele fez em Senna, nos anos 1980, quando derrapou nas quatro rodas e manteve o carro na pista, roubando a posição do rival na Hungria.

“Senna era um piloto horrível, era fácil ultrapassá-lo”, brincou Piquet, antes de descrever o momento. “Você viu toda a ultrapassagem? Você viu as duas voltas anteriores? Olhando com calma, na primeira vez eu tento por dentro, e ele me empurra para o lado sujo da pista. E na segunda vez ele tenta fazer o mesmo. Mas ao invés de ir para a direita, eu coloco de lado pela esquerda e ele não esperava isso”, relembrou.

Piquet também falou sobre os tempos de rivalidade com o inglês Nigel Mansell, com quem dividiu a equipe Williams também nos anos 1980, quando conquistou o tri mesmo em uma temporada na qual sofreu um acidente grave em Ímola e a relação com o time de Grove não era boa. Os problemas, contou Piquet, começaram ainda no ano anterior, 1986.

“Era uma equipe inglesa e muita gente ali queria ver um piloto inglês campeão. Eu era um piloto experiente, entrei na Williams e fiz todo o desenvolvimento do carro e também do motor, com o conhecimento que eu trouxe da BMW. No final, assinei um contrato de primeiro piloto. Mas aí Frank Williams teve o acidente, quebrou a espinha e estava no hospital. O problema dele era muito maior que o meu”, disse.

“Perdemos o campeonato em 1986 por causa disso e poderia ter acontecido o mesmo em 87. Mas eu tinha só um probleminha comparado com o do Frank. O que eu fiz foi criar um ambiente turbulento dentro dos boxes, para não sentar na mesma mesa que Nigel. O que foi difícil, pois eu tinha de ganhar meus mecânicos e meus engenheiros para o meu lado. Foi um campeonato mais político do que técnico. Por isso que eu deixei a Williams no final do ano. Acabou sendo um grande erro, mas o clima lá era muito ruim”, lamentou Piquet.

Fotos: Getty Images



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Repórter e apresentador da TV Torcedores. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016.