Opinião: o Santos clama por mais Robinhos

Crédito da foto: Ricardo Saibun/Santos FC

Agosto de 2014 e o atacante Robinho, ídolo da torcida santista, inicia sua terceira passagem com a camisa do Santos. O time em campo alterna altos e baixos e a chegada do camisa 7 funciona como uma injeção de ânimo em todos funcionários, elenco e torcida. Depois de tanto pular e vibrar com as pedaladas do ainda menino em 2002 e 2010, eu teria agora a oportunidade de estar ao lado do já experiente, mas ainda moleque Robinho.

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Inquietação (quando ele chegaria?) e curiosidade (como seria a nossa relação?) foram algumas das sensações que tive quando soube da notícia. Ele estava chegando. E chegou. Acompanhando por sua advogada, entrou na sala da presidência e cumprimentou a todos que lá estavam. Um por um. E olha que deviam ser umas 30 pessoas.

Política? Nada. Vocês entenderão. Robinho foi apresentado à imprensa, jurou amor ao Clube, vestiu a camisa, respondeu todas as perguntas e já no vestiário atendeu a inúmeros pedidos de entrevistas exclusivas. Sempre sorrindo, só fez um adendo ao final de tudo. “Estou com fome e preciso descansar porque a tarde o bicho pega”.

Era uma quinta-feira e no domingo, na Vila Belmiro, o Santos enfrentaria o Corinthians pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro. Mesmo sem ritmo de jogo e sem uma pré-temporada, ele queria mais do que ninguém enfrentar o rival paulista, seu grande freguês nas outras passagens.

A tarde chegou e a injeção de ânimo começou a surtir efeito. No CT foram pelo menos mais uns 50 cumprimentos, uns mais acalorados como nos já conhecidos Arouca, Léo, Renato, Edu Dracena, Jorge (massagista), Avelino (fisioterapeuta), etc… e outros como se ele estivesse ali há anos. “E ai moleque? Vamos meter gol”, falou pra um dos recém-chegado das categorias base.

Alguns testes físicos, outras massagens na fisioterapia e campo. Logo nos primeiros minutos de treino, um golaço no ângulo de Vladimir, outro remanescente de 2010 e grande parceiro nas horas das resenhas e brincadeiras. “Vamo muqueca, pega essa”, gritou para o goleiro.“É outro clube? Olha isso!”, falei espantado para um companheiro de trabalho na beira do campo, enquanto acompanhávamos o treino. “Impressionante, né? Aqui é a casa dele”, respondeu.

E sempre vai ser. Essa é a impressão de todos que ali estão. O Santos perdeu do Corinthians, continuou com os altos e baixos durante a temporada e ele não brilhou em todos os jogos. Mesmo assim, fez golaços, ajudou o Santos a chegar a semifinal da Copa do Brasil, retornou a seleção e ainda alcançou o centésimo gol com a camisa santista, tornando-se o quarto maior artilheiro após a Era Pelé.

É isso mesmo? Aquele menino de 30 anos, que vive dando conselhos pros mais novos, que briga pelo grupo, que topa dar entrevista sempre quando é chamado, que ensina o Gabriel como se posicionar, e que trata todos como se fosse da sua família é o Robinho? Mas não é o Robinho, que jogou duas Copas e jogou com o Ronaldo, Zidane e etc, né? É, o próprio.

Eu sai, ele seguiu por mais sete meses e foi campeão Paulista e tenho certeza que continuou irradiando alegria pelos corredores do CT Rei Pelé e também da Vila Belmiro, seu quintais.

Crédito da foto: Ricardo Saibun/Santos FC



Santista de nascimento e coração. Sonhos realizados. Muitos virão.