Primeira vitória de Barrichello na F1 completa 15 anos; relembre

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Primeira vitória na F1 - GP da Alemanha de 2000

Esta quinta-feira, 30 de julho, marca os 15 anos da primeira vitória de Rubens Barrichello na F1 e ela foi marcada por acontecimentos um tanto inusitados. O Brasil vivia uma seca de vitórias na F1 bastante prolongada. Ela tinha começado em 7 de novembro de 1993, quando Ayrton Senna venceu o GP da Austrália com a McLaren, sua última vitória no time e na F1.

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Dali em diante, Senna tinha ido para a Williams e só fez três provas, até o acidente fatal no GP de San Marino. Em seguida, Barrichello conseguiu sua primeira pole e acabou carregando o peso de ser o representante maior do Brasil na F1. Alguns pódios com Jordan e Stewart aconteceram e o bom ano de 1999 o credenciou a uma vaga na Ferrari em 2000.

Mal chegou na casa nova e ele já conseguiu seis pódios (Austrália 2º, Espanha 3º, Mônaco 2º, Canadá 2º, França 3º e Áustria 3º) e o final de semana do GP da Alemanha, disputado em Hockenheim, começou complicado para o brasileiro. Na sexta-feira, Michael Schumacher bateu seu carro e teve que usar o chassi reserva (Sim, em 2000 existia carro reserva na F1, eliminado anos depois por conta de restrições de gastos da categoria). O alemão estava pressionado, pois tinha abandonado as duas provas anteriores e via Mika Hakkinen se aproximar da briga pela liderança da temporada.

Contudo, tem um ditado que diz que tudo que está ruim, pode piorar e aconteceu com… Barrichello. No começo da sessão de classificação, ele teve uma pane elétrica e encostou o carro. O time teve que recuperar o carro batido por Schumacher para que Rubens pudesse tentar fazer um tempo que o permitisse largar na prova. E ele conseguiu um 18º tempo. O sábado terminou com muitas críticas ao piloto brasileiro por conta do mau posicionamento no grid e que provavelmente ele só chegaria aos pontos na corrida. A pole ficou com David Coulthard (McLaren), com Schumacher em segundo, Giancarlo Fisichella (Benetton) em terceiro e Hakkinen em quarto.

O domingo mais louco de nossas vidas

Chega a hora da corrida e na largada, Hakkinen pula de quarto para primeiro com Coulthard logo atrás. Schumacher teve uma prova curta. Assim que a luz verde se acendeu, ele tentou manter a posição, mas um toque em Fisichella mandou os dois para a barreira de proteção da curva 1 do antigo traçado de sete quilômetros. Rubens fez uma excepcional largada e no fim da primeira volta já era décimo colocado e seguia escalando o pelotão. Na época, existia o reabastecimento na F1 e ele saiu determinado a fazer duas paradas, pois com o carro leve, poderia aproveitar a velocidade de seu carro e chegar à zona de pontos. As McLaren seguiam na frente e Rubens precisou de apenas cinco voltas para chegar ao terceiro posto. A prova ia seguindo seu curso, até que na 16ª passagem um torcedor é flagrado caminhando ao lado da pista. Este foi mais um indicio de aquele domingo seria considerado louco. Safety Car acionado, manifestante detido e quase todos pararam de cara. A exceção foi Coulthard, que de líder caiu para sexto. Os três primeiros após o rearranjo das posições eram Hakkinen, Jarno Trulli (Jordan) e Barrichello.

A decisão que valeu a vitória

Na volta 31, nova intervenção do carro de segurança. Jean Alesi (Prost) e Pedro Paulo Diniz (Sauber) e ele saiu da pista três voltas depois. Parte da pista (região do estádio e reta dos boxes) tinha uma leve chuva, mas não o suficiente para encharcar a pista, já que na parte mais veloz do traçado, o circuito estava seco. Hakkinen e Trulli vão aos boxes e a liderança passou para as mãos de Barrichello, com Coulthard e Heinz-Harald Frentzen logo atrás. Em seguida, o escocês saiu da pista e foi fazer mais uma parada. Ricardo Zonta teve problemas e abandonou com seu BAR-Honda.

Hakkinen começava a virar tempos dois segundos mais rápido que Barrichello e logo chegou ao segundo lugar, só que Rubens igualou as coisas com o pneu de pista seca, aquele mesmo que ele não trocou quando a chuva chegou a parte da pista de Hockenheim. As voltas passavam e o final da corrida se aproximava. No fim, Barrichello só precisou ter calma para cruzar a bandeirada e ter um merecido triunfo, comemorado por todo time e também por diversos integrantes de outros times, devido ao respeito que adquiriu na F1. No pódio, ele foi erguido por Hakkinen e Coulthard como festejo pela vitória e reconhecimento de sua atuação.

Confira o resultado final do GP da Alemanha de 2000

1 – Rubens Barrichello (Ferrari): 45 voltas em 1h25min34s418
2 – Mika Hakkinen (McLaren): a 7s452
3 – David Coulthard (McLaren): a 21s168
4 – Jenson Button (Williams): a 22s685
5 – Mika Salo (Sauber): a 27s112
6 – Pedro de la Rosa (Arrows): a 29s080
7 – Ralf Schumacher (Williams): a 30s898
8 – Jacques Villeneuve (BAR): a 47s537
9 – Jarno Trulli (Jordan): a 50s901
10 – Eddie Irvine (Jaguar): a 1min19s664
11 – Gastón Mazzacane (Minardi): a 1min29s504
12 – Nick Heidfeld (Prost): Alternador
13 – Heinz-Harald Frentzen (Jordan): Câmbio
14 – Jos Verstappen (Arrows): Rodada
15 – Ricardo Zonta (BAR): Rodada
16 – Marc Gené (Minardi): Motor
17 – Alexander Wurz (Benetton): Falha elétrica
18 – Pedro Paulo Diniz (Sauber): Batida
19 – Jean Alesi (Prost): Batida
20 – Johnny Herbert (Jaguar): Câmbio
21 – Michael Schumacher (Ferrari): Batida
22 – Giancarlo Fisichella (Benetton): Batida

Foto: Getty Images