Santos pós-Neymar: o que mudou na política do clube

(Foto: Divulgação Santos FC/YouTube)

O Torcedores.com organizou um especial sobre as mudanças no Santos dois anos após a saída de Neymar. Nos próximos dias o Santos enfrentará o Flamengo em partida válida pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro. Foi justamente diante do clube carioca que Neymar realizou o seu último jogo pelo Santos no Estádio Nacional Mané Garrincha (Brasília –DF), em 26/05/2013. De lá para cá, o Santos passou por turbulências políticas, mudanças no comando de gestão e enfrenta um cenário de grave crise financeira. Entenda o processo.

LEIA MAIS

CASO NEYMAR: suspeitas de irregularidades na transferência do jogador afetam o sentimento da torcida?

Caso Damião: Entenda porque o Santos perde o jogador e fica com a dívida

 A transferência de Neymar ocorreu em período no qual o presidente, Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, já passava por momentos constantes de afastamentos relacionados à sua condição de saúde. Seu vice, Odílio Rodrigues, encabeçou as negociações que culminaram na transferência de Neymar ao Barcelona. Essa situação perdurou até 2014 quando Luis Álvaro renunciou ao cargo e Odílio assumiu em definitivo. Muitas são as questões levantadas sobre possíveis falhas e irregularidades na gestão Odílio Rodrigues. Segundo informações do site ESPN a partir da apuração do resultado de uma auditoria contratada pela atual diretoria, a gestão Odílio teria ultrapassado o teto do orçamento previsto em R$59 milhões, contribuindo para uma dívida total superior à R$400 milhões, da qual quase 50% estaria relacionada à compromissos de curto prazo. As opções tomadas tanto no processo de transferência de Neymar quanto na contratação de Leandro Damião são questionadas pela torcida e pela mídia.

Veja o pronunciamento de Modesto Roma sobre as ações do Santos no Caso Neymar: 

No caso Damião questiona-se o alto investimento no jogador, em uma situação de crise financeira, bem como porque o Santos adquiriu o jogador sem condições para quitar as obrigações futuras. Como o Santos não cumpriu essas obrigações, o atleta teve direito à rescisão do contrato de trabalho e do vínculo de direitos federativos.  No caso Neymar, a investigação da Audiência Nacional da Espanha, em processo conhecido como “Caso Neymar”, motivou o Santos a impetrar a demanda arbitral junto à FIFA, alegando violações ao contrato de transferência relativas às disposições contratuais à luz do regulamento sobre o status e a transferência de jogadores da FIFA.  Segundo o documento emitido pela atual diretoria, sobre a adoção das ações visando à indenização dos danos causados ao clube, utilizado pelo presidente em comunicado oficial, a investigação espanhola indica que a transação que levou a contratação do jogador pelo Barcelona teria alcançado a soma mínima de 83,3 milhões de euros. Foram acionados o Barcelona, Neymar, seu pai Neymar Santos e a empresa Neymar Sport e Marketing S/S Ltda. A demanda arbitral será decidida em primeira instância pela FIFA, mas o Santos poderá recorrer ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte).

Veja o balanço de Odílio sobre sua gestão:

Em dezembro de 2014, sob a sombra de Marcelo Teixeira, Modesto Roma Jr. foi eleito novo presidente do Santos pelos sócios. Dos cerca de 20 mil associados, aproximadamente 4500 votaram em disputa bastante equilibrada. A chapa de Modesto Roma obteve 25% dos votos, a segunda colocada 22, 2%, e a terceira 21%. Como as três chapas superaram 20% de votos, as vagas do conselho deliberativo não vitalícias (195), são distribuídas proporcionalmente entre elas, o que torna o conselho mais diverso. Em um primeiro momento a gestão Modesto Roma teve que conciliar a gestão do futebol com a administração da grave crise financeira vivida pelo clube.  O que inclui tomadas de decisões sobre a postura a ser assumida diante dos casos já citados e o planejamento de ações de mitigação do caos nas contas do clube, sem comprometer a equipe em campo.

Ao mesmo tempo, a atual diretoria tem que repensar o formato de gestão do clube frente a gestão compartilhada decorrente do processo eleitoral. O atual comitê de gestão do Santos, orgão colegiado responsável pela administração e gestão executiva, composto por indicados pelo presidente entre os integrantes do conselho, é questionado pelo próprio presidente, que defende sua extinção. Vale destacar o veto do comitê de gestão, neste ano, à contratação do técnico Oswaldo de Oliveira pretendida pelo presidente Modesto Roma Jr., ação que foi seguida à  exoneração e demissão de membros. Também se coloca como um desafio alinhar-se à medida provisória 671/2015, refutada pela CBF e muitos clubes contrários à sua aprovação, a qual dispõe sobre o Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro.

 Relembre a despedida de Neymar: