Sem grande popularidade, tênis brasileiro vive da esperança em novas estrelas momentâneas

A ascensão de Gustavo Kuerten, o Guga, no final dos anos 90 e início dos anos 2000 criou uma ilusão de que o tênis brasileiro poderia aproveitar o bom momento do catarinense para crescer e se consolidar. Passada mais de uma década, o cenário é desanimador. De modo geral, o Brasil tem tenistas inconstantes e que não alcançam resultados animadores, as promessas penam para vingar no circuito, restando os duplistas como alento. No feminino, a entressafra chega a ser ainda pior.

Motivos para o momento sem brilho do tênis brasileiro não faltam. O próprio Guga, ídolo máximo do esporte, chegou a creditar a ausência de novas esperanças ao perfil pouco qualificado de muitos profissionais. A falta de investimentos e o fatos do esporte não ser considerado de massa também contribuem para este cenário. A prova cabal disso está na participação brasileira na última edição dos Jogos Pan-Americanos, neste mês de julho, no Canadá. Mesmo com uma equipe formada por jovens promessas, o Brasil saiu das quadras sem uma medalha sequer.

Após Guga, duplas respondem pela esperança de títulos

Os grandes precursores do tênis masculino no Brasil foram Thomaz Koch e Carlos Alberto Kirmayr. Koch alcançou apenas a 24ª colocação no ranking e conquistou somente três títulos, mas fez boas campanhas em Grand Slams – incluindo uma vitória nas duplas em Roland Garros – e serviu de inspiração para muitos tenistas brasileiros e sul-americanos, como o argentino Guillermo Vilas. Kirmayr, na década de 80, chegou ao 36º lugar e foi por cinco anos o tenista brasileiro melhor ranqueado. Por 15 anos representou o Brasil na Davis e, após sua aposentadoria, foi treinador de uma das maiores tenistas no feminino, Gabriela Sabatini.

A efervescência veio nos anos 90. Gustavo Kuerten, até então desconhecido, conquistou Roland Garros em 1997 pela primeira vez e escancarou as portas do circuito para os tenistas brasileiros. Junto de Guga, estiveram em evidência Fernando Meligeni, André Sá e Flávio Saretta. Jaime Oncins, que desde o início da década representava o país, se recuperou de um período em baixa fazendo dupla com o ex-líder do ranking.

Após um curto período sem destaques individuais, Thomaz Bellucci surgiu como a grande expectativa de novidades. Em 2010, o paulista alcançou a melhor colocação de um brasileiro no quadro da ATP desde Guga, com a 21ª colocação. Mas nos grandes torneios, ele não provou que poderia ir além e as conquistas vieram apenas em torneios de menor escalão, como Gstaad (BEL), Santiago (CHL) e Genebra (SUI). Neste ano, João Sousa, o Feijão, apresentou bons momentos, principalmente representando o Brasil na Davis. Mas o bom momento ficou restrito aos primeiros meses do ano, que lhe renderam a 69ª posição no ranking.

Se nos duelos de simples o momento atual é desfavorável ao Brasil, nas duplas o país goza de posições respeitáveis. Marcelo Melo está em terceiro entre os duplistas. Ao lado do croata Ivan Dodig, faturou Roland Garros no mês de junho. Já Bruno Soares, campeão das duplas mistas do US Open na última temporada, não repetiu ainda bons resultados no ano, ao lado do austríaco Alexander Peya, mas se mantém no top-20.

Abismo entre as mulheres é ainda maior

Se no masculino a ausência de grandes momentos é algo relativamente recente, nos torneios femininos o vácuo deixado por Maria Esther Bueno foi raramente preenchido. A paulista brilhou por três décadas, entre 1950 e 1970. Conquistou 19 torneios de Grand Slam, em simples e duplas, entre eles os torneios de Wimbledon e US Open. Foi considerada à época a melhor tenista do mundo nos anos de 1959 e 1960.

Após as conquistas de Maria Esther, outras buscaram repetir as façanhas da expoente brasileira entre as mulheres, mas nada chegou aos pés do legado da paulista. Na década de 80, Gisele Miró se destacou com a conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987. Já Niege Dias esteve no circuito por apenas cinco temporadas, se aposentando aos 22 anos, mas o suficiente para chegar à 31ª posição do ranking de simples.

Dadá Vieira foi o nome máximo na modalidade nos anos 90. Nos Jogos Pan-Americanos de 1991, em Havana, conquistou a medalha de prata, e em Mar del Plata, quatro anos depois, foi bronze nas duplas. Foi também a última brasileira a disputar um torneio de Grand Slam, em 1993. Depois de muitos anos na penumbra, o Brasil voltou a figurar com uma campeã por meio de Teliana Pereira. Em abril de 2015, ela se sagrou vencedora do WTA de Bogotá (COL), título que a colocou em sua melhor colocação no quadro da WTA, 75º lugar.

Crédito da foto: Divulgação/Site Oficial Gustavo Kuerten



Jornalista graduado pela Universidade Federal de Viçosa. Tem no esporte uma "paixão não correspondida", já que a habilidade trai na hora de praticar. Se jogar não é o forte, por que não falar sobre?