Será que Serena Williams teria espaço no tênis masculino?

Reprodução/Facebook

Aos 33 anos, Serena Williams não tem prazo de validade no circuito feminino. A cada temporada, a norte-americana parece ficar melhor, seguindo a fórmula do vinho. Em números, ela impressiona: 251 semanas como número 1 do mundo, 21 títulos de Grand Slam só em simples (mais 15 contando duplas e duplas mistas), quatro medalhas de ouro nas Olimpíadas, Fed Cup, Masters feminino… Com tamanha soberania na WTA, parece que a veterana joga um circuito à parte em que sua principal adversária é ela mesma.

LEIA TAMBÉM:
Teliana e Gabriela Cé chegam às quartas em Floripa e tênis brasileiro quebra tabu de 26 anos

Não precisa ser um assíduo fã de tênis para perceber a vantagem de Serena em relação às demais concorrentes. Tudo começa por sua estrutura física: a americana é muito forte e demonstra isso desde o primeiro saque, muitas vezes acima dos 200km/h. De certa forma, sua “casca” intimida as concorrentes, nosso segundo ponto, e por isso até quando não está em seus melhores dias, consegue triunfar pelo respeito que tem das outras. Finalmente (e não menos importante), a atual número 1 do mundo é a mais completa tecnicamente.

Serena faz de tudo um pouco, e o faz bem. Saca como ninguém, devolve a três passos dentro da quadra, varia o jogo quando necessário, não tem medo de ir à rede quando tem o controle do ponto e define nos voleios firmes. Para os maldosos que ainda acham a mulher acima do peso, é só ver a mobilidade da líder do ranking em quadra. Ora se fosse “gordinha”, não chegaria em tantas bolas com equilíbrio para matar tantos pontos com maestria. Acima de tudo, a americana é uma atleta dedicada nos treinos e determinada na vida, já que muitas vezes ficou perto do fim da carreira por seguidas lesões e problemas de saúde.

Como se pode ver, foram três parágrafos só para tentar explicar a soberania de Serena no circuito feminino, mas muitos podem questionar: se joga uma categoria acima das demais, ela não teria lugar entre os homens? Não há como responder sem tocar ou, talvez, invadir um pouquinho o campo da opinião. Ainda assim, tentarei o fazer mostrando como o tênis evoluiu nos últimos anos e fez os atletas seguirem o passo para não ficarem pelo caminho.

Transformação

No começo dos anos 2000, a Federação Internacional de Tênis (ITF) padronizou a velocidade dos pisos, tornando o circuito muito mais uniforme. Dessa maneira, os pontos começaram a ser disputados e também definidos da linha de base, e consequentemente com mais trocas de bola. O tênis se tornou refém do preparo físico, que deu velocidade e resistência jamais vistas aos jogadores para sobreviverem a longas batalhas dentro de quadra.

Nesse cenário, apesar de toda força e potência no jogo de Serena, é difícil imaginar que ela consiga suportar sete rodadas em um Grand Slam contra homens. Digo sete, pois é necessária essa quantidade para levantar um troféu de tal porte. E, não custa nada lembrar, em melhor de cinco sets! A norte-americana está acostumada a jogar numa melhor de três sets em todos os torneios na WTA.

É, sim, fácil imaginar Serena equilibrando ou até ganhando de muitos homens por aí, que não têm tanta potência ou bagagem pelo circuito. Se enfrentar, por exemplo, jogadores que não sacam tão bem, a número 1 do mundo intimida os marmanjos ao pegar a bola na subida a dois metros dentro da quadra. Entretanto a diferença de nível entre os atletas no masculino é bem menor do que no feminino.

Conclusão

O que isso significa? Que é muito raro, por exemplo, você ver uma bicicleta (placar de 6/0 e 6/0) em um torneio masculino do que numa chave feminina. Em Wimbledon, tivemos três placares assim no quadro das mulheres, e se tratando de partidas entre jogadoras top 10 e top 100 em sua maioria. Entre os homens, essa diferença é bem mais estreita, os jogos são menos desiguais e, nessa linha, demandam um poder de recuperação maior para os próximos confrontos.

Vale lembrar que, em 1998, Serena encarou uma espécie de “batalha de sexos”. Com 16 anos na época, a jovem sensação da WTA encarou um tenista alemão, fora do grupo do top 200, e foi derrotada por 6/1. Karsten Braasch, então 203º do ranking, também bateu a irmã mais velha Venus por 6/2, e olha que o homem nem jogou para valer (como disse logo depois). O desafio havia sido proposto pois as americanas diziam que batiam qualquer homem acima do 200º posto do ranking.

E hoje, como seria esse desafio? Em 17 anos, o tênis evoluiu, o equipamento alcançou tecnologia nunca antes prevista e o atleta virou um superhomem… ou uma supermulher. Serena teria chance de bater Djokovic, Federer, Nadal ou Murray? Sem machismo, por favor. Não, não teria. Mas teria condições de bater muitos jogadores da faixa dos 200 melhores? Creio que sim, mas porque é diferenciada.

Então, será que ela toparia uma nova “batalha dos sexos”?

Confira como Serena ganhou seu 21º troféu de Grand Slam:

Curtiu a matéria? Siga o autor no Twitter: @fontes_matheus.
Facebook: Matheus Martins Fontes.

Fotos: Reprodução/Facebook



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.