Tênis de Mesa coloca Hugo Calderano no caminho do Rio2016; confira entrevista exclusiva

Hugo Calderano tem em sua história o seguinte termo: Superação. De morar longe dos pais (antes em outra cidade, agora em outro País), de se dedicar a uma rotina de cinco a seis horas de treinos diários, mas valeu a pena: Ele conquistou duas medalhas, foi um dos destaques do Pan de Toronto e está garantido nos Jogos Olímpicos, que serão disputados em sua cidade natal. Além disso, temos uma entrevista exclusiva com o mesa-tenista

O Tênis de Mesa brasileiro nunca se viu em momento tão glorificador. As glórias no feminino, até o momento inéditas, de conquistar uma medalha de prata, e duas medalhas no individual, além do desempenho da equipe masculina, conquistando quatro medalhas: O ouro por equipes e um pódio praticamente completo na competição individual. Restou a um mesa-tenista a certeza de estar nos Jogos Olímpicos.

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O mesa-tenista de somente 19 anos, é carioca, mas ficou pouco tempo na cidade. Devido ao fato de ser um talento vivo, era disputado por grandes equipes e decidiu ir para São Caetano, onde fica boa parte da Seleção Brasileira de Tênis de Mesa.

Essa escolha foi comentada por seu treinador, o cubano Francisco Arado, o “Paco”, em entrevista para a revista IstoÉ2016 como uma escolha difícil, pois “era uma outra cidade, uma outra rotina, além do fato que iria treinar com uma equipe muito forte”. A evolução de Hugo é notável, a ponto que ele tenha chegado no Pan, como um dos favoritos, mas ainda sem tanto alarde.

Este favoritismo apareceu durante as duas competições. Por equipes, Calderano, ao lado de Gustavo Tsuboi e Thiago Monteiro, conquistaram a medalha de ouro, a sétima conquista por equipes no Tênis de Mesa masculino. Já no individual, o caminho foi mais complicado, e rendeu uma decisão contra o parceiro Gustavo Tsuboi.

O confronto não valeria somente a medalha de ouro no individual, mas também a conquista da vaga para os Jogos Olímpicos. Aí o garoto que ficou distante do Rio, por conta do Tênis de Mesa, retorna a cidade onde nasceu por causa do esporte. As duas medalhas de ouro o colocaram como grande destaque da equipe no Pan, e seu desempenho em competições internacionais realmente é animador.

Final individual dos Jogos Panamericanos foi contra Gustavo Tsuboi (Foto: Divulgacao/ITTF)
Final individual dos Jogos Panamericanos foi contra Gustavo Tsuboi (Crédito da Foto: Flickr/ITTF)

Primeiro medalhista olímpico do tênis de mesa em todos os tempos, com a medalha de bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude, e número 75 do Ranking Mundial da ITTF (Federação Internacional de Tênis de Mesa, em inglês), lembrando que apenas os três melhores de cada país estarão no Rio2016, (o que limita China e Alemanha, por exemplo), Calderano atualmente disputa a Bundesliga, o campeonato alemão de Tênis de Mesa, pelo Ochsenhausen. Vai para sua segunda temporada e já venceu mesa-tenistas como Timo Boll, considerado por muitos especialistas do Tênis de Mesa, como um dos maiores mesa-tenistas do Planeta.

Calderano ainda assim, mantem o estilo simples. Simples até mesmo em suas respostas. Ensinamentos de sua vivência fora de casa, do treinador que cobra, dos companheiros de equipe, de ser um dos maiores mesa-tenistas do País.

Hugo Calderano conversou, de forma exclusiva para o Torcedores, e o resultado dessa entrevista, você confere agora:

Torcedores: Como é saber que já está classificado para os Jogos Olímpicos de 2016? A ‘moeda já caiu’ que você vai ser um dos representantes do País no Rio2016?
Hugo Calderano: Esse era meu principal objetivo para o Pan. É ótimo saber que terei tranquilidade para me preparar sem a preocupação com a classificaçao para os jogos olímpicos

T: Você vem sendo um dos destaques dessa nova geração do Tênis de Mesa Brasileiro, com medalhas em eventos como as Jogos Olímpicos da Juventude, e agora, com duas medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos. A quem você deve todo esse crescimento?
HC: Acho que minha evolução é fruto do planejamento e investimento que foram feitos pelos meus pais inicialmente e depois pela CBTM e COB. Além disso, muito treinamento e trabalho duro, abrindo mão de estar perto da minha família para alcançar meus objetivos

T:Você se sentiu surpreso pela conquista individual no Pan? Mesmo o Brasil sendo o favorito ao título, acredito que a possibilidade de título era cogitada, mas não com tanta certeza.
HC: Não foi uma grande surpresa já que eu era o 3o cabeça de chave. Sabia que não seria fácil, mas sempre tive confiança de que poderia alcançar meus objetivos.

T: Em qual momento da competição individual você refletiu e teve a sensação de que “havia uma chance de ganhar o Pan no individual”?
HC: Como eu diss anteriormente, meu objetivo era conquistar o ouro o que me daria a vaga olímpica. Chegar ao final da competição tendo alcançado minha meta me deu uma grande felicidade e a sensação de que o trabalho foi bem feito.

T: Qual a importância de ter como companheiros de equipe, caras como o Gustavo Tsuboi, o Thiago Monteiro e o Cazuo Matsumoto, que não competiu, mas que faz parte da equipe brasileira?
HC: Eles são mais experientes e trazem um bom equilíbrio à equipe. Acho que apesar de ser mais novo, eu tenho foco e disciplina que fazem com que eu me dê bem com os meus companheiros mais velhos.

T: Você enfrentou o Gustavo Tsuboi na decisão, e ambos sabiam que, o vencedor daquele confronto teria vaga garantida no Rio2016. Vocês chegaram a conversar antes do confronto? Pois não deve ter sido fácil encarar um colega de seleção, em busca de um objetivo que é o ápice de todo atleta, que é disputar os Jogos Olímpicos.
HC: Nós já imaginávamos que chegaríamos nesse ponto. Não falamos no assunto, pois estávamos os dois focados. Tenho confiança de que o Gustavo irá se classificar também e estaremos juntos defendendo o Brasil em 2016.

T: O que dá pra destacar no trabalho do Jean Rene Mounie, treinador da equipe masculina? Como que ele trabalha com a equipe masculina, é mais motivador, é um treinador mais detalhista… Qual é o estilo do Mounie?
HC: Ele nos dá muita confiança pois planeja tudo com muita competência. Ele nos motiva e apóia mas também dá uma dura quando é necessário. Tenho certeza de que o Jean-René é uma das chaves do sucesso do TM brasileiro hoje.

T: Qual foi a sensação de pisar no topo do pódio, de escutar o hino brasileiro, ao lado do pódio onde estavam seus colegas de Seleção Brasileira?
HC: Foi uma sensação indescritível. Fiquei muito feliz e espero poder repetir isso muito mais vezes na minha carreira

T: Falando sobre a comeptição por equipes, o Brasil tinha um favoritismo latente, mas enfrentou uma surpresa, que foi o Paraguai, que nunca tinha sequer chegado a uma semifinal de Pan. O Jean Rene trabalhou de que forma com a equipe para manter a concentração? Imagino isso, pois era praticamente um ‘Davi x Golias’, onde o Paraguai não tinha nada a perder.
HC: Se olharmos somente o ranking, o Paraguai poderia até ser considerado uma equipe mais fraca, mas nós conhecemos os jogadores e sabemos que não é bem assim. Se eles chegaram à final, foi porque derrotaram outras equipes que eram favoritas. Então, isso significa que eles estavam bem preparados. Nós entramos para jogar com a mesma concentração que entraríamos com outra equipe melhor ranqueada.

T: Agora você vai representar o País na próxima edição dos Jogos Olímpicos. Você já tem demonstrado bom desempenho nos jogos pela Bundesliga (Campeonato Alemão de Tênis de Mesa) atuando pelo Ochsenhausen. Qual é o grau de importância desta próxima temporada para você?
HC: Vai ser minha segunda temporada na Bundesliga e espero jogar bastante. Vai ser muito importante poder enfrentar alguns atletas que estarão no Rio 2016 e ganhar mais experiência jogando no alto nivel, com a pressão por resultados do esporte profissional.

T: Finalmente, que mensagem você tem para repassar a quem torceu por você e por toda a equipe brasileira neste último Pan-Americano de Toronto?
HC: Quero agradecer pela torcida e o apoio que recebi de muita gente, não só no Brasil, mas em várias partes do mundo. É sensacional saber que tem gente que nem me conhece pessoalmente mas torce por mim e pelo TM do Brasil. Vou continuar me dedicando todos os dias para que essa alegria que eu vivi e compartilhei com todos se repita muitas vezes.

Podio foi todo verde e amarelo com Calderano, Gustavo Tsuboi e Thiago Monteiro (Foto: Reprodução/ITTF)
Pódio foi todo verde e amarelo com Calderano, Gustavo Tsuboi e Thiago Monteiro (Crédito da foto: Flickr/ITTF)

 

Crédito das fotos: Flickr/ITTF



Jornalista de 29 anos, com passagens em diversos sites como UOL Esporte, Trivela, Fanáticos por Futebol, Doentes por Futebol e revistas como IstoÉ 2016. Atualmente, é comentarista na Rádio Trianon 740AM SP.