Conquista da Libertadores: o dia que mudou a história do Atlético-MG

BELO HORIZONTE, BRAZIL - JULY 24: Cuca, coach of Atletico Mineiro celebrates with his players after win a match between Atletico MG and Olimpia as part of the final of the Copa Bridgestone Libertadores at the Mineirao Stadium on July 24, 2013 in Belo Horozionte, Brazil. (Photo by Bernardo Salce/Agencia i7/LatinContent/Getty Images)

O Atlético-MG viveu fortes emoções na Libertadores em 2013. Se livrou da eliminação nas quartas de final graças a um pênalti defendido pelo goleiro Victor nos acréscimos do segundo tempo. Reverteu um 2 a 0 do Newell’s Old Boys na semi e levou nos pênaltis. O clima em BH era tenso aquele dia, 24 de julho de 2013, muito torcedor via ressabiado aquela situação, era um fato novo de novo. A confiança em que o time poderia reverter mais uma vez o resultado de 2 a 0, sofrido no Paraguai, contra a já anunciada retranca do Olímpia, era enorme.

Porém, existia o receio com o tão temido Carma que o local da decisão carregava, para alguns realmente havia uma “Cabeça de Burro” enterrada no Mineirão, como muitos dizem por aqui para se referir ao fato de o Galo nunca ter levado sorte na disputa de grandes títulos ali. Pra completar, tinha no banco aquele que era classificado como um dos treinadores mais azarados do futebol brasileiro, Cuca e ainda se somava a isso tudo, um castigo, atribuído ao fato do então presidente Alexandre Kalil, há tempos atrás, ter mandado pintar de preto o manto de uma imagem de Nossa Senhora das Graças.

Uma “Cabeça de Burro”, um azarado e uma castigo da Santa… Era o quadro perfeito para um desastre. Dinamite pura o coração do Atleticano aquele dia, mas todos os ingressos foram vendidos para a turma do “EU ACREDITO!”.

Chegada a hora do jogo, eu como não consegui ingresso pro jogo acompanhei de casa mesmo, seguindo o mesmo ritual passado a mim por meu pai, na hora do jogo, camisa do Galo, TV e rádio sintonizados no jogo do Galo.

A Massa fazia uma festa bonita e o jogo era pegado, os paraguaios não davam espaço e os brasileiros jogavam uma partida que poderia mudar o seu destino, sua sina e dar a tantos atleticanos mais velhos a alegria que lhes foi tirada em 1977, 1980, 1987, 1999, 2005 e 2012, anos em que o torcedor viveu a expectativa frustrada de repetir o sentimento de 1971, de soltar o grito entalado na garganta há tantos anos.

E como quem encerra uma história o juiz apitou o fim do primeiro tempo, um 0 a 0 que torturava, eu em casa sofria como um Judas no Sábado de Aleluia, assim como toda torcida alvinegra, cujo o único pecado é amar demais o Galo.

Começa o segundo tempo, e logo de cara Jô dá o ar de sua graça, marca o primeiro gol, pra desafogar e fazer aquele estádio explodir de alegria e colocar, de novo, esperança no coração do torcedor. Costuma-se dizer que sem sofrimento não é Galo.

Pois é, o atacante Ferreira saiu cara a cara com Victor e, assim como Renato Gaúcho saiu cara a cara com João Leite em 1987 e passou pelo goleiro. Mas quis o destino que desta vez a história fosse diferente, Ferreira escorregou, talvez no buraco onde a “Cabeça de Burro” esteve tanto tempo enterrada, pra sorte do Galo ele perdeu a chance com o gol aberto.

O jogo seguia tenso, o time de Minas precisava de mais um gol, e aos 41minutos e 44segundos da etapa final (4+1+4+4 = 13, o gol saiu no tempo do Galo) Leonardo Silva, assim como Dadá Maravilha, fez de cabeça o gol que colocou o Atlético de pé frente ao destino, como quem diz: Dê-me o que é meu! E o Destino responde: Calma, se não é sofrido???

Ainda tivemos a prorrogação, e por fim a disputa de pênaltis, e teria de ser no mesmo lado da disputa de pênaltis da tragédia de 1977. Um filme passou pela cabeça de muitos atleticanos naquele momento, mais uma coincidência, Victor jogava com um uniforme cinza, assim como João Leite e também defendeu a primeira cobrança. Seria um dejá vu?

Não, era o Destino pagando suas dívidas, o fantasma de 1977 foi embora, o azarado mudou sua sina e vestindo uma camisa que estampava a imagem de Nossa Senhora do Silêncio. Fim do castigo, aquela torcida que permaneceu calada por tanto tempo, podia enfim soltar o grito da garganta.

E o que disse o Destino? Galo isso é só o começo!