Vênus e Marte: as peculiaridades no nível de jogo do tênis feminino e masculino

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Hoje em dia os circuitos feminino e masculino do tênis são dominados por jogadores e jogadoras sólidos do fundo de quadra. Com a diminuição da velocidade das superfícies, imposta pela ITF na última década, a quantidade de atletas que apostam no estilo de saque e voleio foi reduzida drasticamente. Mesmo assim, ainda é possível notar nuances entre os dois tours em vários aspectos.

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Vamos analisar os rankings de hoje como exemplo. Novak Djokovic é o líder isolado entre os homens e baseia seu jogo na consistência da linha de base. No mesmo caminho, seguem Andy Murray, Stan Wawrinka, Kei Nishikori, Tomas Berdych, David Ferrer, Marin Cilic e Rafael Nadal. Desse seleto grupo, somente Milos Raonic (por causa do saque poderoso) e o eclético Roger Federer tentam algo diferente.

Estilo de jogo

E “diferente” aqui significa sair do convencional, ou seja, arriscam em subidas à rede. Principalmente Federer, que aposta em um estilo mais ousado desde que começou a parceria com Stefan Edberg. Claramente uma tática para evitar longas trocas de bola do fundo e uma forma de conservar o preparo físico, afinal o suíço, com seus quase 34 anos, não é mais nenhum garotão.

Entre as mulheres, por outro lado, das 10 primeiras, 90% são fundistas. Serena Williams, Maria Sharapova, Simona Halep, Petra Kvitova, Caroline Wozniacki, Ana Ivanovic, Agnieszka Radwanska, Garbiñe Muguruza e Carla Suárez Navarro são jogadoras que ganham terreno a partir das bolas pesadas lá de trás. A exceção, e ainda há controvérsias, é a tcheca Lucie Safarova, vice-campeã de Roland Garros, e que vai ocasionalmente mais à rede pelo costume de jogar bem duplas.

De uma maneira geral, a variação é mais nítida no circuito masculino do que no feminino. Desde que a belga Justine Henin e a francesa Amelie Mauresmo, para lembrar de alguns exemplos importantes, penduraram a raquete, o estilo clássico entre as mulheres se tornou raríssimo. Você não vê hoje em dia quase nenhuma jogadora com uma esquerda de uma mão, ou que faz approaches rasantes de slice. A pancadaria do fundo é a moda da vez, e quem mostra sua força primeiro geralmente leva vantagem. Nesse quesito, Serena ganha por quilômetros.

Nível técnico

No masculino, os fundistas também são maioria, mas a diferença de nível entre os jogadores não é tão grande como há no feminino. Logicamente que a distância de Djokovic para os demais é considerável, porém é difícil ver até mesmo o número 1 do mundo aplicando 6/0 e 6/0 em um adversário dentro do top 100. Entre as mulheres, é mais frequente esse tipo de situação e a discrepância entre o grupo das 10 primeiras para as demais é bem maior.

Psicológico

Por mais que o tênis é um esporte em que o jogador não pode ter contato com o técnico ao longo da partida, a WTA abriu uma exceção com a oportunidade da atleta chamar o treinador uma vez por set, quando julgar necessário. O fator emocional é muito mais aguçado entre as mulheres e responsável por levar as atletas ao seu limite. Quantas vezes você já não deve ter visto uma tenista chorar ou mostrar desespero no intervalo?

Isso também acontece no circuito masculino, mas a forma de extravasar do homem é bem diferente. As oscilações ao longo da partida, em sua grande maioria, também são mais comuns entre as mulheres. As estatísticas estão aí para mostrar que o número de duplas faltas é mais elevado, as quebras de saque são constantes, muito diferente do jogo masculino, em que manter o serviço é meio caminho andado para triunfar.

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Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.