5 acertos (e um erro) de Dorival Jr desde que assumiu o Santos

Dorival Jr pode ser eliminado com o Santos na Copa do Brasil na próxima semana? Pode. Pode passar a ir mal no Brasileiro a partir do próximo jogo, contra o Avaí, sábado? Pode. O futebol é imprevisível. Por isso, nesta sexta-feira, colocaremos aqui os acertos do técnico do Santos neste início de segunda passagem. Porque, se tudo pode mudar em uma semana, é válido que tudo que foi feito de certo, e que vem mudando a temporada do Santos, seja elogiado.

Abaixo, cinco jogadores que simbolizam acertos técnicos e táticos de Dorival Jr desde que substituiu Marcelo Fernandes no cargo. E outro que simboliza um erro, mas que vem sendo consertado por um dos acertos. Confira:

Gustavo Henrique: Marcelo Fernandes, apesar dos apelos da torcida, bancou Werley como titular da defesa santista de seu primeiro jogo no comando até o último (uma derrota de 4 a 1 para o Goiás que deixou o Santos como a pior defesa do campeonato, então com 21 sofridos). Dorival chegou, evitou mudança drástica de início, Werley seguiu falhando e, após um jogo em que Gustavo Henrique substituiu Braz, suspenso (Flamengo), a atuação lado a lado de ambos deixou claro que o jovem deveria ser titular. Desde então, quatro jogos, nenhum gol sofrido.

Gabriel: O atacante foi o artilheiro do Santos em 2014. Com a chegada de Ricardo Oliveira, se viu relegado ao banco no Paulista. Robinho, então, foi embora, e as opções escassas de ataque não deixaram dúvida de que Gabriel retornaria ao time. Com Fernandes, ele tinha quatro gols no ano e jogando fora de posição, sempre aberto, com pouco avanços para a área. Dorival chegou, Gabriel já marcou seis vezes sob seu comando e sempre de dentro da área, trocando de posição com Oliveira e Geuvânio, como o moderno ‘falso 9’. Gabriel precisa estar livre para entrar na área e abrir espaço, e Dorival deu essa chance ao garoto.

Zeca: Na semana em que Dorival assumiu o Santos, a notícia era de que Zeca, mais conhecido por ser o “lateral esquerdo da base que só chuta com a direita” pelos santistas, seria emprestado a um time dos Estados Unidos – isso após um semestre inteiro no banco de Chiquinho e Victor Ferraz (improvisado), e depois de Caju. Se até um lateral-direito improvisado ganhava sua vaga, qual o sentido de continuar no clube? De Zeca, porém, nunca se ouviu uma reclamação (pública, ao menos). Dorival, então, o colocou como titular contra o Figueirense, seu primeiro jogo, e o garoto não mais saiu do time, assim como nunca mais se viu uma notícia sobre empréstimo. A atuação contra o Corinthians, com um festival de desarmes e passes precisos, foi a justificativa final. O garoto é o dono da vaga.

Thiago Maia: Um dia antes de Dorival Jr chegar, Thiago Maia teve uma atuação desastrosa contra o Goiás, que goleou o Santos por 4 a 1. Nada anormal para um garoto de 18 anos, mas há quem prefira ser imediatista e cravar que ele não poderia jogar no time. Dorival teve calma, esperou o garoto se recuperar de uma lesão na face, o bancou como primeiro volante e mais: o ensinou a chegar na frente, sendo o segundo homem de meio para ajudar Lucas Lima. Aposta correta e de bons frutos. O torcedor pode ter dificuldade de enxergar essa questão tática, mas o espaço liberado para Lucas Lima quando Maia avança é fundamental para que o meia faça o que fez contra o Corinthians, por exemplo.

Lucas Lima: Claro que o meia já era o craque do time antes de Dorival chegar. A questão é como Dorival mudou o posicionamento de Lucas, o que só o ajuda a brilhar mais. Nos últimos jogos de Fernandes, Lucas variava entre duas situações: a primeira, que era buscar a bola antes mesmo dos volantes, o que só diminuía seu espaço; a segunda, era ficar em linha com os três atacantes – quem levaria a bola até eles assim? Com Dorival isso não existe mais. Os volantes levam a bola para Lucas, que pode flutuar entre as linhas defensivas e ofensivas com a bola e, quando sem, variar entre os lados do campo para tabelar com os laterais, enquanto os volantes evitam o buraco que a ausência dele poderia deixar no meio. O Corinthians sofreu com essa formação.

Lucas Otávio/Paulo Ricardo: O sexto tópico vale para lembrar um erro de Dorival que, até aqui, não compromete o time, muito graças às atuações de Thiago Maia. É que Lucas Otávio é o jogador do Santos que mais desarma (além de, acredite, Lucas Lima) e tem a melhor média, já que pouco atuou. Mas perdeu a vaga para Paulo Ricardo, que tem aproveitamento de passes bastante abaixo do de Otávio e que desarma muito menos, só por causa de sua altura. Esse pequeno “preconceito” de Dorival pode prejudicar o time em situações nas quais a entrada de um volante para reforçar a defesa for necessária. Paulo Ricardo é bom zagueiro, mas não é bom volante por enquanto. Essa briga pelo posto de primeiro reserva (até porque Renato precisa ser poupado para render tão bem quanto vem rendendo) é essencial, e Dorival precisa enxergar o mais cedo possível.

Foto: Ivan Storti/Santos FC



Jornalista esportivo.