Corinthians x Inter 2005: Um jogo eterno, inacabado e que jamais será esquecido

Tinga
Reprodução YouTube
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O jogo entre Corinthians e Internacional, disputado em 20 de novembro de 2005 era praticamente uma final de campeonato naquela que foi a terceira edição do Brasileirão de pontos corridos. Os dois times entraram em campo no Pacaembu separados por três pontos e três gols de saldo de diferença. Os paulistas somavam antes do jogo 77 contra 74 pontos dos gaúchos, restando o jogo direto entre eles e as partidas contra Ponte Preta em casa e Goiás fora para o alvinegro, Palmeiras em casa e Coritiba fora para os colorados.

Sempre fui um cara que pagava ingresso para ver jogos do Inter, aqui em São Paulo e algumas vezes viajei para ver o time e desta vez, alguns amigos do Sul viriam para cá e com amigos daqui fomos almoçar em um restaurante perto do estádio e depois nos dirigimos ao Paulo Machado de Carvalho. O dia tinha todas as cores de ser importante, mas nunca pensava que ele ganharia 90 minutos depois a classificação de histórico.

Estádio quase lotado, com alguns poucos clarões no espaço corintiano. Já o gomo de arquibancada destinado à torcida gaúcha, onde eu estava, também estava cheio, claro que com alguns espaços em branco por ordem da PM para não haver briga entre os dois lados.

O juiz MRF (ele não merece que eu cite o nome inteiro dele) e a partida teve um desenrolar bastante emocionante, com lances de ataque dos dois lados, mas aos 36, Carlos Alberto recebeu passe de Nilmar e ele chutou, com a bola desviando em Alex. Em cima da linha Tévez empurra para o fundo da rede abrindo o placar. Após o gol, o Corinthians teve mais volume de jogo e dominou as ações até o soprar do apito final da primeira etapa.

No recomeço de jogo, a primeira iniciativa foi corintiana, com Carlos Alberto aos 55s, e aos dois minutos, Tévez recebe na área, mas Clemer afasta o perigo. No entanto, a torcida Colorada fez festa aos três minutos. Perdigão aciona Rafael Sóbis na meia esquerda e de pé direito, ele chutou no canto direito de Fábio Costa, que nem foi para bola. Jogo empatado.

Um erro jamais esquecido e que nunca será perdoado!

A partida seguia seu curso e aos 23, Tinga recebeu o seu primeiro cartão amarelo na partida. MRF interpretou uma falta mais forte e aplicou a penalidade. Aos 28, Perdigão aciona Tinga na área e Fabio Costa intercepta o meia Colorado com uma solada no joelho do camisa 7 do Internacional. Este lance em qualquer lugar do mundo e para qualquer outro árbitro no mundo seria pênalti indiscutível, e advertência para o atleta que cometeu a infração.

Só que para MRF, não. Em sua interpretação particular, Tinga teria simulado dentro da área, sendo merecedor do segundo cartão amarelo e de sua expulsão do jogo. Obviamente que de festa por um possível penal que poderia levar o jogo ao 2 a 1 de virada, ou manter o placar como estava, eu vi o Inter ficar com um a menos. Até mesmo os jornalistas que estavam cobrindo o jogo disseram que o erro de MRF foi absurdo. Eu, confesso, fiquei com vontade de descer a arquibancada do Pacaembu, pular o alambrado e pegar o soprador de apito em questão pelo colarinho e perguntar qual a razão obscura para ele ter feito aquilo. Claro que meus amigos me seguraram naquele momento, mas a revolta era tão generalizada que toda a torcida Colorada gritou a palavra Vergonha!

Eu, além de vergonha, nojo, sentia revolta e vontade de acabar com MRF se ele passasse pela minha frente. Confesso que até hoje, todas as vezes que ouço falar no seu nome, eu tenho vontade de apenas perguntar para ele se ele sente paz para dormir à noite sabendo que este é um erro decisivo em um campeonato e que todos os Colorados jamais o perdoam por isso, nem eu o perdoarei. Claro que o jogo seguiu até o fim com os dois times buscando o ataque. No apito final, os corintianos reconheceram que o resultado foi injusto e ainda ouviram os colorados gritarem “É Campeão!” a plenos pulmões.

No final das contas, o Corinthians acabou campeão, após vencer a Ponte Preta por 3 a 1 no Morumbi e perder por 3 a 2 do Goiás. Depois o time acabou indo para a Série B, voltou, foi campeão da Copa do Brasil de 2009 e faturou a Libertadores e o Mundial de 2012. O Inter ganhou duas Libertadores (2006 e 2010) e um Mundial, em 2006. Teve dois vices brasileiros (2006 e 2009). Eu, continuei sendo torcedor de arquibancada, festejei as conquistas coloradas e agora estou aqui no Torcedores recordando esta história. Além disso, sigo com a mesma vontade de, se um dia encontrar MRF fazer a mesma pergunta. Porque expulsar Tinga, se existe alguma explicação lógica para isso.