Depois do bicampeonato, Cruzeiro sofre para fazer campanha digna

Crédito da foto: Washington Alves/Lightpress/Cruzeiro EC

Definitivamente, o ano de 2015 não tem sido bom para o Cruzeiro. O bicampeão brasileiro não conseguiu se encontrar no atual campeonato e ocupa apenas a 14° colocação, com 23 pontos. Em dezenove jogos, foram apenas 7 vitórias, 2 empates e incríveis dez derrotas. Ou seja, a equipe saiu derrotada em mais de 50% dos jogos que disputou.

Em 2013, quando foi campeão brasileiro, o Cruzeiro somou 8 derrotas em 38 jogos. Nessa edição, já são dez, em 19 partidas. Em relação a campanha de 2014, o susto é ainda maior. Ano passado a equipe perdeu apenas 6 jogos em 38 partidas. Neste ano, em apenas 19, a equipe já tem quase o dobro de derrotas acumuladas. Os números comprovam o quanto caiu o rendimento da Raposa.

Depois de dois anos brigando por títulos, a atual realidade do Cruzeiro é outra. A luta para fugir da parte debaixo da tabela ocorre desde o início do campeonato. Demitiu o treinador Marcelo Oliveira, contratou Vanderlei Luxemburgo, mas pouca coisa mudou no desempenho da equipe.

O mau rendimento do Cruzeiro tem uma explicação. O time do Cruzeiro que foi campeão em 2013, se manteve praticamente o mesmo em 2014. A diretoria conseguiu manter a base do time. Em 2015, a realidade mudou por completa.

Poucos jogadores do atual elenco estavam no time do ano passado. Jogadores como Everton Ribeiro, Nilton, Egídio, Ricardo Goulart, Marcelo Moreno não fazem mais parte do elenco. E as contratações do Cruzeiro para substituir esses jogadores acabaram não rendendo o suficientemente. Ou seja, a diretoria não manteve a base, e contratou errado.

Entre os jogadores que mais decepcionaram nesse campeonato, o jovem De Arrascaeta está nessa lista. Contratado em janeiro desse ano, para substituir Goulart, o uruguaio ainda não mostrou pra que veio. Foram raras as boas atuações, ele ainda não se adaptou por inteiro ao futebol brasileiro. Chegou com muita moral, veio do Defensor do Uruguai por R$ 12 milhões, sendo a segunda maior contratação do Cruzeiro na história. Muito se esperava pelo tamanho investimento.

Outro que vem vivendo uma ruim temporada é o lateral direito Myke. Jogador jovem, de apenas 22 anos, Myke fez belíssimas atuações com a camisa do Cruzeiro em 2013 e 2014. Esse ano, vem irregular.

Curiosamente, o nível técnico de Myke começou a cair quando o Cruzeiro recusou propostas da Europa pelo jogador. Benfica e Porto, ambos de Portugal, chegaram a oferecer 7 milhões de euros pelo atleta. O Cruzeiro preferiu manter, e desde então, o nível técnico do jogador caiu consideravelmente.

Mas sem dúvidas, a maior dor de cabeça do Cruzeiro neste campeonato é no ataque. Foram poucos gols marcados, e isso acaba resultando em muitas críticas a dois jogadores que chegaram justamente com a missão de marcarem muitos gols pelo time mineiro: Leandro Damião e Henrique.

Henrique foi vice-artilheiro do Campeonato Brasileiro de 2014 e suas boas atuações pelo Palmeiras chamaram a atenção dos dirigentes do Cruzeiro, que investiram e contrataram o jogador.

Leandro Damião vive mais um ano ruim. Em 2014, o jogador viveu uma péssima temporada no Santos, poucos gols, pouco futebol. Foi contratado pelo Cruzeiro, e no início, marcou gols e mostrou que a má fase era coisa do passado. Mas os meses se passaram, e novamente Damião vive um jejum de gols, agora no Cruzeiro. Com a chegada de Luxa, o jogador perdeu espaço, muitas vezes ocupa o banco de reservas. Se o ano de 2014 foi ruim para Damião, o de 2015 vai se desenhando da mesma maneira.

Muita coisa necessita ser mudada nesse atual Cruzeiro. Pra começar, a relação com o torcedor. Os ingressos caros, e as más atuações do time afastaram o torcedor do Mineirão. Neste campeonato, o estádio costuma receber públicos baixos quando se trata de jogo do Cruzeiro. Diferente do rival Atlético Mineiro, que vem colocando grandes públicos no mesmo estádio.

O torcedor do Cruzeiro espera mais transparência da diretoria. Muitas vezes a diretoria age de determinada maneira, que nenhum cruzeirense entende. Do time, a torcida espera mais raça e objetividade. Os jogadores precisam jogar para honrar a camisa que veste. De Luxemburgo, o torcedor espera um time menos retranqueiro. Em algumas partidas, o treinador chega a escalar três volantes no time titular. Isso tira a paciência do torcedor, que é forçado a ver um fraquíssimo futebol apresentado pelo time.

Pouca coisa tem que ser mantida. O clima na toca da raposa, apesar da má campanha do time, é sempre bom. E isso pode servir para ajudar o Cruzeiro a se reerguer nesse segundo turno do Brasileirão. Se a diretoria se unir com a torcida, e os jogadores mostrarem mais vontade ao manto que defendem, o Cruzeiro pode sim fazer um segundo turno de campeonato brasileiro bem melhor que o primeiro.

Brigar pelo título, nem os torcedores mais otimistas dirão. Chegar na Libertadores, talvez ainda seja possível. Lembrando que o Cruzeiro ainda tem a Copa do Brasil pela frente. Essa poderá ser a salvação. Atual vice campeão da competição, o Cruzeiro tem que valorizar a Copa, afinal, o campeão chega a libertadores. Mas o time também não pode esquecer de focar no campeonato brasileiro. Melhorar sua situação no campeonato, é obrigação, porque o Cruzeiro é time grande. O que o torcedor quer, na verdade, é que 2015 termine como 2014, com bons resultados. Para que em 2016, o Cruzeiro possa começar do zero e assim voltar a brigar por títulos.

Crédito da foto: Washington Alves/Lightpress/Cruzeiro EC



Estudante de jornalismo na Universidade Federal da Paraíba, natural de Vicência-PE